Um livro por semana 259

«Crónicas da lucidez – Novas farpas» de Joaquim Carreira Tapadinhas

«Quem escreve crónica de jornal aspira sempre a lugar na estante» – sendo um lugar-comum do jornalismo, esta frase aplica-se também às crónicas deste autor, antes publicadas nos jornais «Gazeta do Sul», «Região de Pegões» e «Nova Gazeta». O jornal é frágil e efémero; o livro fica e permanece. Em ambos, o mais importante são as palavras: «A palavra é o veículo mais importante nas relações humanas. Elas exprimem tudo. Elas desmascaram o homem. Elas fazem história».

Seja para um olhar genérico («Sem indústria, sem agricultura, sem aproveitamento do mar, não se augura uma rápida recuperação do país») seja para uma memória pessoal: «Logo após o 25 de Abril fui presidente da Câmara Municipal do Montijo. Não tinha assessores nem secretárias, redigia os meus próprios discursos». Essa memória pessoal permite-lhe criticar o que se passou no Congresso da Comunicações em 28-11-2010: «O ministro das Obras Públicas e o secretário desse ministério leram, cada um a seu tempo, o mesmo discurso, um na abertura e o outro no fecho do evento».

Afinal o passado e o futuro estão mais ligados do que parece: «É necessário ter presente que os velhos são os grandes órfãos. Com o abandono a que muitos estão votados, não só pela família como pela sociedade em geral, não têm pais nem filhos, nem netos nem interesse social. Salvo raras excepções, os velhos não têm ninguém. E isto também explica, em parte, o mundo em que vivemos.»

(Edição: Chiado Editora, Capa: Vítor Duarte, Coordenação: Joana Segura)

6 thoughts on “Um livro por semana 259”

  1. Era bom que 99,9%% dos livros desaparecessem e aparecesse ou vingasse o resto. Nalguns países já os vão queimando ou enterrando como se faz com as maçãs de sobra- e não é censura. Nesse, do senhor Tapadinhas, resta saber se as farpas farpam bem e a lucidez brilha bastante. Promete quando fala no país sem nada na fábrica, no solo e no mar. E lá está, vamos ao ramerrão da acusação, a responsabilidade dos treze vitoriosos a enrolar ou desgraçados 37 a aturar. Solução numa das páginas de anúncios.

    Saudações ao amigo Zé.

  2. “publicadas nos jornais «Gazeta do Sul»”

    Então o Tapadinhas escreveu na Gazeta do Sul jornal editado no Montijo. Não me lembro.
    É que eu na década de 70 também lá escrevi. Que “soidades” desses tempos.
    Lembro-e do diretor o sr. Gago sobre o qual nos finais do jornal se descobriu uma tramóia. Se bem me lembro aquele jornal foi transformado numa espécie de cooperativa. Os cooperantes entravam com algum e com esse dinheiro construíram uma sede para o jornal. O meu pai assinantes durante muitos anos também entrou com algum.
    Vai-se a ver no final o sr. Gago tinha toda a propriedade regista em seu nome próprio. Aquilo, afinal, não era da cooperativa mas do sr. Gago.
    QUEM FICOU GAGO FOI QUEM ENTROU PARA LÁ COM O PILIM.
    Histórias do Montijo.

  3. promoção de amigos comunas rançosos. promover alguma coisa de jeito é tarefa difícil para quem não presta, temos que gramar o clube dos amigos disney da outra banda.

  4. Temos de conviver todos uns com os outros. Os que dão a cara, e os covardes, que sob o anonimato, ofendem quem não conhecem ou pretendem fazê-lo. É a vidinha e nada se pode fazer para alterar o que nasce torto. Parabéns pela valentia.

  5. Tal como a toupeira – a covardia – que se esconde na toca, a ignorância e a provocação escondem-se sob o anonimato. Caro amigo, porque sendo um ser humano como eu, com defeitos e com virtudes, considero-o assim, até porque se dá ao incómodo de se preocupar em saber quem pagou a edição meu último livro e manifesta algum interesse pela minha vida. Consulte a Chiado Editora e saberá quem pagou o livro. Sem rancor, desejo-lhe que seja feliz e, se possível, liberte os preconceitos.

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