Um livro por semana 238

«O livro do sapateiro» de Pedro Tamen

Pedro Tamen (n. 1934) publica poesia desde 1956 («Poema para todos os dias») e a sua obra está editada em diversos países: Itália, França, Hungria, Bulgária, Inglaterra, Espanha e Brasil. Num tempo que exige juventude, eficácia e rapidez o sapateiro (como o poeta) vive contra a corrente: seus valores são a sabedoria, a paciência e a lentidão. Organizado em 49 fragmentos (7×7) vejamos o poema nº 7: «Meia sola é meia sola. / Será por isso que a cola / me cheira tanto a vinagre? / Mas meia sola é milagre. / E eis o que ninguém sabe: / que neste cantinho cabe / na penumbra da oficina / na casca do caracol / esta pequena aspirina / que é a largueza do sol».

O ponto de partida é o lugar: «Sentado no curto escabelo que me deram / espreito aqui da cave pela janela alta / as pessoas que passam.»

O caminho é o erro e o engano: «Incham-me os olhos: / não chorei o bastante / os caminhos barrados / os dias que vivi por estes dedos / martelados por engano e erro / anos a fio / noites confundidas / com a cave onde trabalha / o coração real».

O resultado é a moral da história: «Não sai de mim afinal / outra coisa além do jeito / com que modelo e aceito / o que resulta do sal / com que tempero a natura / que em minha mão se acoitou. / Ela me faz o que sou / e ao fazer-me a faço impura. / Deste bico do sapato / bebo eu a vida inteira: / aqui fechado reato / caminhos de que ribeira / montes e flores onde exacto / encontro a minha maneira».

(Editora: Dom Quixote, Capa: Henrique Cayatte)

8 thoughts on “Um livro por semana 238”

  1. eu tamen gosto muito do pedro e “acho” que o sapateiro não merecia ser tão maltratado por um trolha com a mania que é carpinteiro da poesia.

  2. oh labrego! atão não foste aos óscares de castelo branco, dedicavas uma badalada à primeira cavaca, arrecadavas uma sameira ao marido e enfiavas o barrete que o pingo doce ofereceu aos saloios em forma de discurso. pode ser que para o ano não haja mais disto por falta de verba.

  3. ó chiquo, pá, estou sem parolas pá, sempre que ponho os olhos nas tuas coisas, só vejo vírgulas histéricas.

  4. Ó «anonimo» ontem estive na Feira Nacional de Agricultura 2011 em Santarém e vi lá uma série de colegas teus na exposição animal. Além da raça charolesa havia também raças «Ille de France», «Aquitaine» e «Limousine». Grandes animais. Valeu bem os 5 euros do bilhete. Comprei uma garrafa Moscatel de Favaios e 2 litros de azeite de Valpaços. Da região oeste ofereceram tomates e pepinos.

  5. Ó chiquo pá, andas a cumere papinos pa, já falas á ecoli e tudo, pá, esqueceste-te de dizere pá, que a tua raça nem sequere tem direito a exposição, pa, assim que abres a bucarra e mostras os dentes, já ninguém te compra, pá.

    Toma lá um cuemazinho one laine

    fui á feira cumprare azeite
    bebie binho cum prazer
    cumi papinos e tumates
    pra meu grande deleite

    tirê a mula da miséria
    cumi que nem um alarve
    cada vez que abro a boca
    só me sai cousa cubarde

    pra ti pá, fresquinho, á tua medida pá, volta á feira e visita as ovelhas ranhosas, pá, le-lhes um cuema teu, pá.

  6. Ó travesti maluco, grande bandalho, não é «ovelha ranhosa» que não existe, é bem «ovelha ronhosa» porque a origem é ronha e não ranho. Grande ingnorante, grande besta quadrada…

  7. ehehehehehehe,ó chiquo pá, ainda não contastes pá o que andastes a fazer na feira. exibiram-te como uma espécie de zangão «dolly», que corta as unhas das patas com a boca.queres outro cuemazinho, queres, pá?

    Sô o chiquo das farturas
    só ataco em manada
    quando me apanham sozinho
    é só bufatada.

    belo. belo. Repara só na carpintaria da estrofe, pá, nem camões, quanto mais tu.

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