Um livro por semana 218

«A dança das feridas» de Henrique Manuel Bento Fialho

O ponto de partida é Alexandre O´ Neill («O amor é o amor – e depois?»), o poeta do adeus português a Nora Mitrani: «O meu amor partiu para uma noite gótica / partiu a uivar aos mortos / bebendo directamente das veias / o sangue que nos corre até ao coração desarmado».

Entre canção e reflexão a poesia é o lugar do encontro. Para dançar são precisos dois – como Fred Astaire e Ginger Rogers: «Pode ser difícil de acreditar / mas a dança chegou-me / muito antes da coreografia / do corpo cadenciado ao ritmo da voz / dos passos marcados pela mágica de um sorriso».

Para perceber melhor as feridas do amor juntam-se Ernesto Sampaio e Fernanda Alves: «Não sei quem és. Não sabes quem sou / Somos apenas alguém à espera / fantasiando o absurdo da vida / crentes de que um dia o nada de onde viemos / possa tornar-se o tudo para onde vamos».

Jorge de Sena poderia ter dito a Mécia de Sena («Esta noite sonhei contigo») enquanto Fellini poderia ter dito a Giulietta Masina – «Ninguém dá flores às flores. / O que eu quero é um ramo de poemas / para oferecer à minha flor».

Não o sabendo de certeza, o poema aventura-se a adivinhar as palavras trocadas entre amantes lendários como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Rainer Maria Rilke e Lou Andréas-Salomé, Ulisses e Penélope, Sylvia Plath e Ted Hughes ou Humphrey Bogart e Lauren Bacall de onde vem o título do livro: «Não digas que foi um erro ficarmos / um dentro do outro / durante todo o fim-de-semana. / Não digas que em redor das nossas desavenças / se apagaram todas as lâmpadas».

(Colecção Insónia, Capa: Maria João Lopes Fernandes, Composição: Pedro Serpa, Impressão: DPI Cromotipo)

7 thoughts on “Um livro por semana 218”

  1. Eu, que sou prático nestas coisas como um trabalhador rural amigo da desgarrada, apagou-se-me logo a lâmpada do interesse vático no primeiro poema, mas continuei para não ofender a memória de alguns dos inspiradores. Infelizmente, a Espertina e a Insónia não me visitaram. Não quiz saber, meti-me para baixo e agarrei-me à Sónia, que nunca me engana, como de costume.

  2. Diz-me lá: costumas andar com o morango de fora? Olha quiço pode dar chilindró, ó cum camandro! Vê lá sinda vais ver o sol aos quadradinhos por essas cenas de pouca vergonha, chiça! Crias dizer «cumosquedo não me larga», eu reparei que foi gralha. Olha pá, vai cagar num sítio que não seja ao ar livre, caraças!

  3. Ó pá, ó calhamaço, ó lapão, «mosquedo» existe como moscaria ou grande porção de moscas. Vem no Moraes, página 25 volume IV. A expressão «meta o morango pa dentro!» vem no romance «A noite e o riso» de Nuno Bragança e passa-se em Alfama.

  4. Brigadinho pla informação. Lá irei ao «Moraes, página 25 volume IV» ver ça moscaria inda lá tá. Canto ao moranguito, foi plágio da tua parte, porra! Eu bendigo que calquer dia, em vez do morango, és tu quem vai dentro! Ai, vais, vais… Ódespois queixa-te! E toma cuidado com eças dos dicionários do Moraes e do Prado dos Coelhos e com eças datas todas desde 1700 até ó ano em questamos; não me cheira nada de bom. Se não fores pró chilindró, inda vais parar ao manicómio, caraças!

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