Um livro por semana 209

«Pagadores de crises» de José Goulão

O ponto de partida do livro é a regressão das condições de trabalho: «Desde que Pinochet restaurou os despedimentos por necessidade das empresas e arrasou os sindicatos a tiro, desde que Thatcher e Reagan liquidaram as lutas dos mineiros e dos controladores do espaço aéreo, as condições de trabalho regrediram, em países ditos civilizados, a situações que nalguns casos, podem comparar-se às existentes no século XIX». O pano de fundo é a lista de danos colaterais da globalização: «fosso crescente entre ricos e pobres, manchas cada vez mais vastas, à beira de se tornarem irreversíveis, de refugiados e de vítimas das várias formas de exclusão social, degradação ambiental acelerada, disseminação da fome e da subnutrição em todo o planeta».

Para o autor, a origem da crise não está no subprime mas sim «no regime económico, político e social imposto a todo o mundo a partir da América ao longo dos últimos trinta anos» porque «o neoliberalismo tomos conta dos mecanismos da democracia representativa, adulterou-a de maneira perversa e distribuiu-a universalmente com base na chantagem sobre os méis de sobrevivência dos povos e das nações, impondo-a à força de mísseis e bombas quando necessário».

Aqui a linguagem tem o seu lugar: não por acaso a palavra trabalhador foi substituída por colaborador, desemprego e despedimento são substituídos por dispensa, suspensão ou supressão do posto de trabalho sem esquecer exploração que foi substituída por produtividade. Ou, como queria David Stockman, secretário do Tesouro de Reagan, «o papel do governo é criar e defender mercados e proteger a propriedade privada».

(Editora: Sextante, Capa: Henrique Cayatte/Susana Cruz)

4 thoughts on “Um livro por semana 209”

  1. Prezada Maria Albertina! Claro que a Direcção – Geral da Cultura existe e o seu director presidente é o frankie JKF. Historierda, poeterda e sobretudo padrerda. De uma polivalência incrivel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.