Um livro por semana 196

«Memórias vivas do Jornalismo» de Fernando Correia e Carla Baptista

As 17 entrevistas com gente dos jornais dão-nos, neste livro de 423 páginas, uma aproximação ao um tempo que acabou. Homero Serpa recorda a passagem do chumbo para o offset: «Foi um salto muito grande, os operários deixaram de engolir diariamente aqueles quilos de chumbo que matou muitos.» Tempo de alguns jornalistas se sentirem marginalizados: «O jornalismo desportivo não era considerado bem jornalismo, nós não éramos do Sindicato dos Jornalistas.» Problemas também para os fotógrafos, como Eduardo Gageiro: «Você não acha que dá uma má imagem de Portugal? Há paisagens tão bonitas, porque é que você não fotografa paisagens?».

Tempo de mudanças, também. As técnicas: «O offset praticamente acabou com os tipógrafos. Houve uma oposição muito forte.» As políticas: «O chefe de redacção no dia 25 de Abril nunca deixou de enviar os textos do Diário Popular à Censura até que o estafeta disse: «Ó Sr. Dr. já não está lá ninguém!». As humanas: «No caso de A Capital havia uma certa desconfiança, alguns olhavam de esguelha para os mais jovens: «Estes miúdos das universidades com a mania de que sabem tudo…».

Duas memórias curiosas: os sinaleiros («O trânsito parava para deixar passar o carro do Popular») e a Volta a Portugal: «Ainda há pouco tempo, nas voltas a Portugal, e eu fiz dezasseis, nós encontrávamos bandeiras do Benfica, do Sporting e do Porto e a verdade é que nenhum deles tinha equipas a correr».

(Editora: Caminho, Fotos: Alexandra Silva excepto Acácio Barradas, Capa: Rui Garrido)

One thought on “Um livro por semana 196”

  1. Já vai sendo tempo de os verdadeiros jornalistas se demarcarem dos jornaleiros desportivos. Tivessem os primeiros tomates para arcar com os ataques dos segundos.

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