Um livro por semana 140

«Meu Brasil Brasileiro» de Duda Guennes (homenagem no dia da sua morte)

O jornalista Duda Guennes (Recife, 1937) vive em Portugal desde 1974 e colabora em A BOLA desde 1980 com «Meu Brasil Brasileiro». Ali cabem «crónicas, causos, estórias, factos, fofocas e acontecências» como esta curiosa definição de árbitro de Armando Nogueira: «O árbitro de futebol é o único ladrão que rouba a gente na presença de milhares de pessoas e ainda vai para casa protegido pela polícia». José Miguel Wisnick afirma que «A arte do amor, como a do futebol, é abrir espaços onde não há» e Rubem Braga testemunha que um dos maiores prazeres da vida é «Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro». Garrincha respondeu uma vez a um director que lhe chamou boémio por frequentar boates – «O senhor também já foi visto várias vezes em velório e não é defunto». Roberto Pásqua, presidente do Corinthians disse em 1985 – «Se minha vida particular atrapalhar o Corinthians, abandono a vida particular». Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama afirmou sobre a corrupção – «Ética é coisa de filósofo». Dissertando sobre a estética do futebol, o jogador Dadá Maravilha afirmou – «Não existe golo feio. Feio é não fazer golo».

Garrincha, farto de levar pontapés do chileno Eulálio Rojas no Mundial de 1962, gritou esta maldição – «Olha aí, ó panasca, vocês chilenos não jogam nada. O Chile só é bom em terramoto e mesmo assim perde para o Peru». Por fim um clássico: o médio Ananias antes de um Náutico-Santa Cruz no Recife disse – «Só faço prognóstico no final do jogo».

(Editora: Prime Books, Capa: Luís Afonso, Apresentação: Vítor Serpa, Prefácio: José Carlos de Vasconcelos)

5 thoughts on “Um livro por semana 140”

  1. Pois é jcfrancisco isto é uma puta de vida:

    A vida de prostituta
    é mais curta que comprida,
    aquela vida de puta
    é uma puta de vida!

    E esta o amigo não comentou. Não estava em livro, né!
    E o caro divulga muita coisa engraçada, com piada, mas esta quem divulga sou eu:

    Divulgar nunca é demais
    e eu esquecer não posso,
    peido e filho são iguais,
    só se aguenta o nosso!!!

    Esta ainda não lhe tinha chegado às mãos. Nem esta:

    Queremos a paz no mundo
    mas não ajudamos nada,
    é com um pesar profundo
    que vejo o mundo à pazada!!!

    Boa noite.

  2. curiosa definição de árbitro de Armando Nogueira: «O árbitro de futebol é o único ladrão que rouba a gente na presença de milhares de pessoas e ainda vai para casa protegido pela polícia».

    Já há muito que em Portugal nós sabíamos isso. Eu já tinha escrito em tempo:

    O juiz de futebol
    é o único ladrão
    a quem, com chuva ou sol,
    os “chuis” fazem protecção!

    Garrincha respondeu uma vez a um director que lhe chamou boémio por frequentar boates – «O senhor também já foi visto várias vezes em velório e não é defunto».
    Sobre este tema também já eu tinha escrito há muito isto:

    Perguntas estúpidas!

    Quem nos vê no hospital
    sempre pergunta à gente,
    a pergunta é fatal:
    -O senhor está doente?

    Eu acho um despautério
    e respondo logo torto:
    -Se me vir no cemitério
    pergunta s’eu estou morto?

    Como vê jcfrancisco não é preciso ir ao Brasil para descobrir o que nós também já temos por cá.

  3. Mas é isso mesmo Adolfo: a propósito da morte do jornalista Duda esta releitura veio mostrar que se descobrem sempre coisas novas. Eu por exemplo gosto muito daquela «Não há golo feio; feio é não fazer golos»…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.