Um livro por semana 114

«O meu cinzeiro azul» de Henrique Manuel Bento Fialho

A origem deste livro é o Blog antologiadoesquecimento de Henrique Fialho (n. Rio Maior, 1974) e a sua primeira frase em 5-9-2005: «O meu cinzeiro azul está repleto de cinza». O ponto de partida destas reflexões é o tempo actual: «Para o bem e para o mal a religião chama-se hoje economia, a santidade metamorfoseou-se em fama, Deus dá pelo nome de dinheiro. No meio disto tudo, a liberdade, estro da indignação, é sonho, é utopia, é poesia». Neste mundo a poesia tem um lugar: «A poesia mora num lugar muito para lá da palavra, independente das costuras da linguagem. Ela é miopia reveladora». Mas além do lugar tem uma função: «Como entender a função da poesia num mundo que sobrevive à custa de uma constante simplificação das perspectivas que lhe dão forma?». Também a poesia tem uma vitalidade própria: «A poesia é útil como um garfo, um martelo ou uma esferográfica. Mais útil porque está mais presente na minha vida do que qualquer destes utensílios». Esta perspectiva conduz a uma compreensão de toda a poesia: «ver num poema uma representação do universo». Entre o mundo e a poesia, surge o amor: «Quem ama ou odeia nunca está só. Pode amar-se em dor, nunca em solidão. Havendo memória não há morte. Havendo memória há presença. Mas o amor é uma palavra demasiado grande. Tão grande que não cabe num poema». Fica a ideia final: «A poesia, a ser alguma coisa, que seja esse lugar de reencontro do homem consigo mesmo, do homem com a sua condição, lugar de encontro com uma verdade não mais triste porque inútil, nem mais alegre porque pateta, do que a própria vida: um passar por cá, entre a lágrima e o sorriso, entre a dor e o prazer, entre o gelo e a chama, entre a terra e o céu, entre os outros que são aqueles entre os quais também nós nos encontramos».

(Editora: Canto Escuro, Ilustrações: Cristóvão Crespo, Grafismo: Mário Pedro)

13 thoughts on “Um livro por semana 114”

  1. O blogue http://portaria-59.blogspot.com/ foi silenciado pela ditadura, para saber mais vá aqui: http://pulseiraeletronica.blogspot.com/, deve ter sido o quinto blogue encerrado em Portugal depois de vários outros terem ido a tribunal por dizerem as verdades. As eleições estão à porta mas nada faz parar a ditadura na sua ânsia de poder, neste momento desde o seu presidente de câmara municipal até ao deputado pelo seu circulo só pensam quem vai manter o tacho ou arranjar outro, não pensam em si caro eleitor que só tem voz de quatro em quatro anos nas eleições que os vão colocar no poleiro por mais quatro anos. É a pura verdade. Por isso silenciam quem lhes faz frente na tentativa de apagarem casos como Freeport, Portucalle, Portaria 59/2005, etc. É o Portugal que temos, eles vão-se apresentar a eleições brevemente, é este tipo de gente que nos governa e quer continuar a governar, desde a sua junta de freguesia até ao primeiro-ministro, já são milhares os exemplos de abandono do povo, ao denunciar isso mais as ilegalidades que cometem fecharam simplesmente um blogue que lutava pela defesa do Património e da memória de um Povo outrora chamado Portugal.
    Vivemos agora em Roubugal, ditadura severa, já depois de ver o blogue fechado reparei que um endereço de e-mail onde usava a mesma password foi também apagado, quem o fez sabia ao que ia e como o fazer, além da violação da minha privacidade tive que formatar o computador pois foi impossível sacar o vírus instalado, perdi toda a informação guardada, fiquei triste e revoltado como podem entender. A coincidência de tudo ter acontecido na mesma altura em que participei na fundação do Movimento Democracia Directa talvez seja mais uma explicação ou aviso do que uma pura coincidência, não faz mal, os documentos que muitos leitores enviaram a denunciar abusos e crimes estão a salvo, venho pedir ao autor deste blogue e a todos que lerem este comentário o favor que passem este texto nos seus blogues ou que o copiem e reenviem por e-mail para todos os seus amigos, o motivo é avisar toda a gente que contactou comigo que verifique o estado do seu computador. Não acredito em bruxas, mas que existem; existem!
    Saudações Sócretinas a todos.
    Alexix

  2. Para o bem e para o mal a religião chama-se hoje economia, a santidade metamorfoseou-se em fama, Deus dá pelo nome de dinheiro. »

    Jon Stewart, do Daily Show – Em vez de darem milhares de milhões aos bancos, porque não os dão aos consumidores para pagarem as suas dívidas?

    Vídeo

  3. Pois é Alex mas uma coisa não tem a ver com a outra. ESte post é uma breve nota de leitura que tenta divulgar um livro;nada mais nem nada menos. O teu problema é outro e está desenquadrado disto. É outro o lugar e o tempo para ele. Não vem nada a propósito – aqui e agora.

  4. Este livro é uma das mais desassombradas reflexões sobre a poesia feitas nos últimos tempos por cá. O Henrique agora deixou a vida nos blogues, mas o contributo q deu para a elevação desta forma de comunicar foi/é um testemunho de qualidade. “O meu cinzeiro azul” é apenas uma grande amostra disso.

  5. Alexix: não te preocupes demais, a verdade é sempre o que fica,

    «Jon Stewart, do Daily Show – Em vez de darem milhares de milhões aos bancos, porque não os dão aos consumidores para pagarem as suas dívidas?»

    exactamente, e o dinheiro subia por ali acima reanimando a economia, mas não, as instâncias de poder não sabem lidar com isso, preferem a cavitação

  6. ALEXIX,

    Fantástica cena essa do jacuzzi! De partir a moca. Só é pena é não teres enfeitado os frangos com as cores dos quatro partidos políticos principais.

    Fecharam-te o blogue? Isso não é nada pá. Prepara-te para os campos de concentração projectados para os milhares de terroristas como tu. Querias democracia? Aí a tens, filho…

    Zé,

    Deixa-te mas é de porras, põe o avental e vai lavar a loiça do pequeno almoço antes que a mulher volte do trabalho.

  7. Eu não disse como diz «Z» que «Alexix» devia estar preocupado mas sim que o texto dele não tem nada a ver com o meu – simples nota de leitura de um livro. E este «Z» que diz que a verdade é o que fica não sabe que «para cada um sua verdade» como disse muito bem Pirandello???

  8. Ó ESTACA então erraste duplamnete uma vez mais: tenho máquina de lavar loiça e a mulher está desempregada. Não acertas uma. Falar por falar é melhor estar calado…

  9. Zé,

    Lamento saber que a tua senhora está desempregada. Mas tens máquina de lavar loiça, o que não é mau e vai equilibrando as coisas.

    Não é por ser vaidoso, mas eu tenho um ferro de engomar que amarinha pelas paredes acima e uma descascadora electrica de batatas com acessório para a produção de palitos em parafuso para frigir.

    Em electrodomésticos não me bates nem que te mordas.

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