Sapataria

(à Teresa, à Clara, à Luísa)

Calçam repetidos números
Modelos vários, cores
Por entre vozes falsas

Não procuram – dizem
Dúvidas e notas contadas
Num balcão pequeno

Não explicam – pedem
O que não percebem
Na palavra presa

Calçam repetidas horas
Nos pés cansados
À porta mal fechada

Relógio parado, saudade
Abre a porta ao vento
No pó das caixas, no lugar

8 thoughts on “Sapataria”

  1. Modelos completamente fora de moda. Talvez se usassem há uns cem anos atrás! Todavia, atendendo a que a Teresa, a Clara e a Luísa têm as «notas contadas», as «caixas têm pó» e elas calçam «repetidos números», é natural que sejam clientes desta sapataria. Melhor seria irem à feira dos ciganos ou às lojas dos chineses; pagavam menos e ficavam melhor servidas. Só não entendo aquela «por entre vozes falsas». As dos empregados? Nos «poemas» como este, tudo é possível…

  2. Não vai não. Faz falta sim. A Maria tem razão, aqueles sapatorros já não se usam, só mesmo a ministra das finanças portuguesa calaçaria umas coisas daquelas.
    Quem são as outras? Mas que poeta! A Mulher é a fonte de inspiração do Poeta. A Mulher é aquela coisa ue faz o homem viver a sua fraqueza e partir as cabeças a qualquer momento. A Mulher é esse grande ser inspirador dos sentimentos mais bonitos aos homens e às fufas, que os faz rodar a cem à hora. É por causa da Mulher que exsitem publicitários como o Valupi, cabeleireiros como a ..não me lembro de nenhum bom em Portugal …e tipos indefinidos como o José Castelo bronco, que está casado com a Lady …como é que se chama mesmo…?

    JFK, a Mulher tem que andar bem calçada, senhor! Imagino a lingerie que V. Ex.ª não escolherá para a Mulher, esse ser grandioso, poderoso, cada vez mais poderoso, desde qu elhe tirararm o cinto de castidade e a deixaram mandar nos homens.

  3. Também acho que estás aqui muito bem Maria. Só não te dedico um poema porque tenho medo que não me trates lá muito bem e, além do mais, as minhas coleguinhas do centro de dia partiam-me o que resta da placa. Força Maria!!!!

  4. Companheiros de jornada, não sei como agradecer-lhes a simpatia! Virei até aqui sempre que razões inequívocas me convoquem – a bem da Poesia. E quem diz Poesia, diz outras coisas… Bem gostaria o senhor jcFrancisco que a Maria emigrasse. O problema é que os tempos não são os melhores. Mal por mal, antes permacer por cá. Agora essa da placa partida, ou parte dela, já experimentou a cola UHU? É que os dentistas estão caríssimos, principalmente os brasileiros… Mas a «Ode à Mulher», deixou-me sem palavras – palavra de honra!

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