Mil nove cinquenta e sete

No ano dessa fotografia

De autor não identificado

Ouvira eu uma profecia

Logo fiquei preocupado.

Eu iria ser um fragateiro

Se não fizesse a Admissão

Para Lisboa, para o Barreiro

Conforme carga e direcção.

Nesse tempo a mercadoria

Na fragata, no varino, na falua

Chegava a Lisboa no outro dia

A cortiça ficava às vezes na rua.

Ao lado era o cais dos Vapores

O mestre trazia a água no barril

O fato de cotim dos trabalhadores

Dava-me o meu futuro de perfil.

No ano em que a ponte teve início

Comecei a trabalhar todos os dias

Não foi fragateiro o meu ofício

Não acertaram essas profecias.

8 thoughts on “Mil nove cinquenta e sete”

  1. Oh diabo, chego eu a casa de madrugada e levo logo com isto. Vou é aquecer água para o saco e meter-me em vale dos lençois. Eh pá e agora que pensava que o Senhor te tinha iluminado. Boa nôte!!!

  2. ó zeca galhão, pá. tu de senhor não tenz nada, meu, já vistes a maneira cumo iscreves pá, ispoes-te ao publicu cá com uma pinta, pá, contigu, meu, todos são pisicólugus, ó carcamanu, todos te diagnusticam, devem ter-te dado corda, ó zeca galhão, o profeta não quis nada contigu, pá, inda afundavas a barca pá, e depois eras preguissozo e já ninguém te pudia ouvir a gabares-te pá.

    Diz o Zeca
    qui é da terra de camões
    iscreve trampas
    e semeia cagalhões

    Fazem-lhe odes
    prometem-lhe descargas
    esquexem porém
    os seus coliformes

    iscuros como breu
    o zeca é assim
    sempre, hoje e amanha
    só faz xinfrim

    ficu istarrecidu, com a minha puesia, feita à la minute, cinsseramente, arquivem istom eu axo que gil vicente, o gajo da barca do infernu não faria melhor, eh pá.

  3. O Almirante que eu criei numa varanda de Albufeira, donde se espreita o mar, você conhece-o, pode muito bem ter aprendido as artes de marear numa fragata destas, um só mastro para três velas – muito pano, pouco vento – “Cais do Ginjal à tarde, de manhã Cais do Sodré”, diz o FADO, lembra-me Mestre Edmundo que descansava entre duas viagens na mesma tasca de Alfana em que eu era comensal, ainda o Tejo tinha velas e vielas Alfama.
    Um abraço poeta, sei agora que você vivia na outra banda e esteve quase a ser um Gama, um Cabral, um “Bartalomeu”, um Gago Coutinho, vá lá, que nesse sítio, o rio é mar onde se pode medir o Sol.
    Ainda é tempo, poeta, para começar a navegar.
    JNascimento

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