Meditação para um quadro oferecido por Jorge Bretão

Trouxeste num quadro a luz da tua cidade

Eu só tenho para te dar o escuro de Lisboa

Nos dias em que anoitece sobre a verdade

E a raiva é uma nuvem que nos sobrevoa

Numa cidade cheia de prisões e hospitais

De eléctricos vagarosos com os atrelados

A vida era diferente dos bilhetes-postais

Era mais cinzenta e nós muito cansados

Anos depois veio um projecto de alegria

Na manhã de Abril hoje perdidas ilusões

Uma excelente promessa de democracia

E ficou reduzida a um ritual de eleições

Salva-nos o tempo; permanece o mistério

No usufruto duma manhã plena de festa

Os músicos que tocam frente ao Império

São afinal toda a felicidade que nos resta

5 thoughts on “Meditação para um quadro oferecido por Jorge Bretão”

  1. “Salva-nos o tempo; permanece o mistério

    No usufruto duma manhã plena de festa

    Os músicos que tocam frente ao Império

    São afinal toda a felicidade que nos resta”

    Zèzito,

    Este fim também salva o poema muito bem. Fica no meu livrinho de citações. Deve ter-te saído da pena sem te aperceberes, emissário.

  2. pois, eu também gostei da salvação, soube-me promissor…

    —-
    Já conheces Recife? Eu gosto bem mais que Fortaleza, e Salvador então é o máximo. Mas depois gosto de todos porque gosto de variar. Eles lá são muito mais alegres que nós, e directos. Bem hajam.

  3. Belo, jcfrancisco:

    O Bretão continua a merecer os teus versos e aqueles dois músicos do irmão,
    pintor de coisas da sua terra, tocam instrumentos de sopro quando mereciam fazer-se ouvir na viola da terra, jo som duro das suas cordas de arame.
    Jnascimento

  4. Fui a Fortaleza no contexto de uma Bienal do Livro (podes ver em http://www.triplov.com) mas fui integrado numa comitiva de seis escritores todos com livros já editados no Brasil. Não sou um turista e com a idade ainda menos. Andei pelas docas e fui a alguns museus mas sempre em grupo. Não tenho espírito de descobridor e mesmo em restaurantes vou sempre aos mesmos…

  5. obviamente que sobre a primeira parte eu sabia, né? Qualquer um aliás…

    Sobre a segunda é só para saberes que se gostaste tanto de Fortaleza, como os teus poemas pareceriam querer fazer entender, comparativamente é muito mais descaracterizada que Recife e nem se fala de Salvador, a não ser que tenhas um carinho especial pelos Orange.

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