Dois poemas da Veiga Beirão policopiados por Manuel Simões

Domingo rústico

Da mistura do branco com o tinto
e dos dois com aguardente
pode nascer uma poça de sangue.

Da mistura dum olhar atrevido
com um desejo de libertação
pode nascer uma criança.

Da mistura dos cansaços da semana
e dos azares do chinquilho
pode nascer um brilho de navalha.

Já vi
que ficar eternamente ao sol
nada resolve
mas o desejo de emigrar
tornou-se inútil.

Anti-Turismo

Deixaram arrefecer o sangue do povo
durante séculos de esquecimento
mas as câmaras de televisão
dos países sem passado vieram
vieram também operadores de cinema
e gravadores para as canções populares
mas os aldeões deitaram os técnicos ao rio
e fizeram uma fogueira com fitas magnéticas
depois dançaram todos à volta do lume
e assaram uma script girl que era deliciosa.

José do Carmo Francisco in «Lugar de ser»

14 thoughts on “Dois poemas da Veiga Beirão policopiados por Manuel Simões”

  1. raska rustical style, alcool, sexo, porrada, canibalismo e sorna. trabalhar tá quieto. a luta continua apesar da greve ter sido desconvocada e dos máquinistas já ganharem mais que o méne do pingo doce. dá lhe com força, camarada xico.

  2. Manuel Pacheco, por acaso já assistiu a uma sessão dos Alcoólicos Anónimos? Não? Então, vá. Talvez comece a ter a noção do que é a dependência do álcool. Quanta miséria humana, quanto sofrimento, quanta insegurança, quanto medo de recaídas! Pessoa das minhas amizades, uma jovem mulher, casada, com dois filhos de 10 e 12 anos, já fez vários internamentos em Portugal e no estrangeiro, sem resultado. A família perdeu a esperança, ela também. A apologia da bebedeira (mesmo num bom poema) pode fazer estragos, pode magoar. Pensou nesses «pormenores»? Poderá brindar-nos com outro poema onde se enalteça a droga? Se procurar bem, é capaz de encontrar.

    Manuel Pacheco: tenha vergonha!

    Jnascimento: tenha juízo!

  3. os cansaços só indicam dois tipos de caminhos: ou os errados ou os demasiado rápidos e o brilho da navalha só pode significar desilusão, para o primeiro caminho, ou aborto para o segundo; e depois a emigração pode ser um atalho – que não se livra dos cansaços.

    (o melhor, mesmo, é parar apanhar outro caminho – sendo errado – ou então parar para respirar e abrandar – sendo rápido). pronto, já fiz a digestão.:-)

  4. Jnascimento, para quem entrou com pézinhos de lã no aspirina, não está mal a resposta. Com quem tem aprendido a grosseria? Adivinha-se fácilmente. Realmente, tem tido um bom professor. Ora meta a viola no saco e veja se começa a comportar-se como gente crescida. Para impertinentes de meia tigela, chega um!

  5. Se conduzir, beba o suficiente e depois leve a garrafa consigo, de preferência bem cheia. Copo não é preciso.

    Só mesmo uma cambada de bêbedos e carroceiros para fazerem grupo com o jcF!

  6. Não costumo responder a anónimos, principalmente a um, em segundo plano, por motivo de avaria no meu portátil, não sei se derivado à prosa com que me brindou não o fiz mais cedo.
    Para começar informo-o que o meu pai enquanto vivo, gostava do seu copito e nos fins-de-semana excedia-se um pouco, o que por vezes, animava-o a vir para comigo e fazia o trajecto com ele a pé. Era novato, nessa altura não tinha idade para tirar carta de condução, os automóveis rareavam e como disse o trajecto era a pé, morava um pouco retirado do centro da vila.
    Nesse trajecto até casa e sempre que acendia um cigarro, para acertar com o fósforo no cigarro era um dia de juízo, às vezes, só se apercebia quando lhe queimava os dedos.
    Brincava com ele nunca se aborrecia. Era um parceirão. Nesses dias oferecia-me tudo, só era pena ter tão pouco. Cada passo, cada conversa. Quando reparava cada vez estávamos mais longe de casa, por cada passo para a frente dava dois para a retaguarda, o que me levou a propor-lhe que nos virássemos em sentido contrário, assim alcançávamos a casa mais depressa.
    Ao me referir a meu pai, faço-o como uma declaração de interesses, ao contrário dele, sou abstémio, não sou nenhum menino, pelo contrário, tive momentos em que celebrei com alegria mas, nunca até hoje “animei” o que quero dizer que nunca me embebedei.
    Mas, também compreendo, que não é por publicar este ou aquele escrito ou verso, vá contribuir para a multiplicação de bêbados. No outro regime havia a censura, não se podia vender livros, revistas ou filmes pornográficos e por esse motivo não evitou a prostituição. Nem tudo que é publicado ou proibido vai contribuir para o aumento.
    Vou terminar e reafirmar que quem me dera pagar uma bebedeira a meu pai. Não sabe o prazer que sentia.
    Deixe-se de lamentar, ao contrário dos alcoólicos anónimos, estes a qualquer momento podem se ver livres, ao contrário o senhor nunca se vê livre da sua cegueira e fanatismo.
    Passe bem.

  7. um abraço amigos Nascimento e Pacheco, não liguem aos chanfrados há malta a valer menos que o peido de um vendedor de burros nas feiras da raia

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