Canção para uma noite em Évora (1938) – a Carlos Querido

Meu avô José Almeida na noite

Esperava em vão a carruagem

Que nesse dia partira do Barreiro

Com o cofre para pagar aos homens.

Em Évora apenas os sons da feira

Quebravam a angústia da espera

Dos carpinteiros da Companhia

Construtores dos telhados da linha.

Poucos anos antes no Valado de Frades

Um empregado de seu pai levava

Uma égua mansa pela arreata

Ao soldado chegado de Leiria.

Hoje é diferente. Já pai de filhos

Não acredita nas palavras do chefe

Nem no apontador deste grupo

Atónito na estação da CP em Évora.

Com o bocal da trompete na mão

Aborda um jovem e pede o cornetim

Ali entre a surpresa e a ousadia

No meio do pó do baile rasgado.

Tocou a «Moreninha» e o «Teodoro»

As músicas da moda, anos trinta

Ante o aplauso geral do baile

Logo havia abafado e figos secos.

Cinquenta anos depois contava a sorrir

Há uma fotografia dele com a bisneta

No sol de Março da nossa terra

Sem saber da morte dos comboios.

3 thoughts on “Canção para uma noite em Évora (1938) – a Carlos Querido”

  1. deves ter algum processo pendurado na relação de coimbra para adesivares à praça da fruta, só falta o poema que compara os apeadeiros às mercearias de bairro para a coisa ficar perfeitamente idiota, até nisso andas a perder cólidades e o ridículo é cena que não te assiste, como se diz agora na aldeia do querido.

  2. O migo foi a bibere para umas águas fortadas, com uma antena de telebisão, e brincos da princeza nu jardim. ó pá és mesmo um bobo da benidita, cagamelo.

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