Camilo nas Escadinhas do Duque

Quando há editoras a serem compradas em lotes, trata-se aqui de ler a certidão de nascimento de uma nova editora: Bonecos Rebeldes veio ao mundo num dos lugares mais bonitos de Lisboa – as Escadinhas do Duque. Mais em concreto no nº 19 A.

O regicídio e João Franco de Rocha Martins foram a aposta na área da História. Depois surgiram três livros de poesia: O livro da pobreza e da morte de Rainer Maria Rilke, A árvore seca de Alexei Bueno e Sortilégios da terra de Zetho Cunha Gonçalves. No campo da prosa temos Daniel Defoe com Diário da peste de Londres, e de novo Rilke com O pintor de nuvens e outros contos. Estão disponíveis no catálogo desta editora três livros para jovens leitores: A caçada real de Zetho Cunha Gonçalves e A dama de ouros e O paraíso dos cães com os heróis Bob e Bobette. Sem esquecer O Príncipe Valente e o Tarzan de Russ Manning numa edição que utiliza as matrizes originais, é impressa em papel couché e tem esmerados textos informativos.

Por fim chamo a atenção para a edição de Os Narcóticos de Camilo Castelo Branco, um escritor que é de todos os tempos. Vejamos apenas algumas linhas sobre a perseguição aos judeus no tempo de D. João III: «A Inquisição foi uma fatalidade necessária então. Talvez que a perseguição actual aos judeus da Alemanha não tenha outra explicação e, por isso, ao senhor Fernando Palha e a nós se nos afigura monstruosa. Aproximemos D. João III de 1536 do imperador Guilherme de 1882 e vermos à distância de trezentos anos os mesmos quadros revoltante e uma bandeira religiosa hipocritamente desfraldada e espadanada de sangue.»

O Aspirina B é um dos padrinhos desta nova editora. Aqui foram divulgados alguns dos seus projectos. Hoje a editora é uma realidade.

3 thoughts on “Camilo nas Escadinhas do Duque”

  1. Caro Zé do Carmo,
    O título deste post (e só o título) trouxeram-me à ideia um conto de José Viale Moutinho que li há dias e q dá nome ao volume onde está incluído: Pavana para Isabella de França (ed. Difel, 1992). O personagem principal, João Augusto de Ornelas, um madeirense paralítico, “levara consigo [numa viagem a Lisboa] Pedro e Paulo, os seus dois criados. Eles haviam subido e descido as calçadas do Combro e do Duque, suportando-lhe o peso na rede” porque ele “queria encontrar Camilo, que mudava de casa e hotel duas ou três vezes quando estanciava na capital”. Foi mesmo só a associação de ideias…

    PS: e o desafio da pág. 161 q lhe lancei lá do meu blog?

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