Balada da Serra dos Candeeiros

Grande parte da minha vida
Feita de paz e sem guerra
Foi numa casa construída
Com pedras daquela serra (Mote)

Na Serra dos Candeeiros
Parava o vento do mar
Eram lentos os carreiros
Com os olhos a cantar

Traziam pedras gigantes
Para a mão dos britadores
Fazer em poucos instantes
As pedras dos construtores

Os pedreiros sujos de cal
A pegar no fio de prumo
Que traça numa vertical
Lugar do fogo e do fumo

Sem desenhos ou papéis
Nascia a planta dum lar
Quatro canas dois cordéis
São os limites dum lugar

Na Serra dos Candeeiros
O azeite era o mais puro
Os ventos tão verdadeiros
A cantar por sobre o muro

Vinha a água das cisternas
Sempre boa e sempre fria
Sem as técnicas modernas
A limpeza era uma enguia

Vinha o leite já fervido
Vinha o queijo saboroso
O dia era mais comprido
Tudo era mais vagaroso

A pedra que me defende
Do Verão e do Inverno
Não se paga nem se vende
É um valor forte e eterno

12 thoughts on “Balada da Serra dos Candeeiros”

  1. Este poema anda por aqui desde 2006. Pelo menos, li-o nos blogs «Faldas da Serra», «O Quarto que Sente», «Judô e Poesia» e «Vila Forte». O mais engraçado, surge no blog «Cabra de Serviço», onde pode ler-se:

    «Mandaram-me um poema. Ontem disseram que o iam fazer e hoje lá estava ele na caixa do correio, num bonito sobrescrito azul e com endereço desenhado a tinta permanente.
    Não sei a que devo tal ventura, que nada fiz para o merecer(…). E mais adiante: «Eu e o autor deste poema pouco sabemos um do outro para além da geografia que nos criou.» Segue-se o poema «Balada da Serra dos Candeeiros»!

    O mais curioso será a oferta de outro poema à «Cabra de Serviço»: «O José do Carmo Francisco mandou outro poema.» Trata-se de «A Balada da Cisterna»

    Tudo isto tem uma certa graça, porque José do Carmo Francisco semeia poemas na blogosfera como quem semeia milho! Será moda os poetas andarem por aí a oferecerem poemas sem que lhos peçam?

  2. fogo, é só poemas, e poemas, o que significa que o homem nunca entra em transe para fazer realmente um poema, ó zeca pá, nunca serás rei de Inglaterra, convence-te disso.

  3. Um dos mais belos poemas que já li nos últimos anos. Tão cheio de modernidade e sagacidade literária mas ao mesmo tempo respirando nos ritmos populares da candura campestre, ao jeito de um Horácio ou de um Bernardim. A mensagem clara e objectiva urdida num discreto e subtil encadeado de versos num rigor exemplar, quanto a métrica, rima e organização estrófica.
    Num tempo em que a poesia deriva para caminhos de emplastro enfastiante sabe bem vir aqui espreitar a oficina meticulosa de um dos grandes poetas do nosso tempo, José de Castro Francisco!!!

  4. Samuel Trindade de Oliveira:
    Não vim aqui dizer bem nem mal do poema. Apenas relatei um facto. Mas, se me permite, acho que tem lido pouca poesia nos últimos anos. No que respeita à sua afirmação «…um rigor exemplar, quanto a métrica…), discordo e deixo-lhe dois exemplos:

    Sem desenho ou papéis (7 s.)
    Nascia a planta dum lar (7 s.)
    Quatro canas dois cordéis (7 s.)
    São os limites dum lugar (8 s.)

    A pedra que me defende (8 s.)
    Do Verão e do Inverno (8 s.))
    Não se paga nem se vende (8 s.)
    É um valor forte e eterno (9 s.)

    Se «…lhe sabe bem vir aqui espreitar a oficina meticulosa…», dou-lhe um conselho: venha todos os dias. Surpresa! Mas se conhece tão bem e admira tanto o autor, que, a seu ver, «é um dos grandes poetas do nosso tempo», porque razão lhe trocou o nome?! José de CASTRO francisco???

    Ora aqui está outro Saramago – para quem conhece a história, é claro!

  5. Independentemente de reconhecer ou não o virtuosismo do poeta, o amigo da onça não sabe contar sílabas de um poema, nem conhece as regras da contracção de sílabas.. Qualquer manual básico lhe ensinará que os versos só se contam até à última sílaba tónica.
    Nos critérios do prezado comentador, Os Lusíadas, que passam por ser uma epopeia em decassílabos (versos de 10 sílabas) começavam mal, pois o seu 1º verso seria um dodecassílabo.

    As/ ar/mas/ e/ os/ ba/rões/ as/si/na/la/dos. Mas não: a última sílaba não se conta, por estar depois da última tónica e “e os” contrai. JCF, como diz o Samuel, demonstra um rigor exemplar neste poema, em relação à métrica. O que não significa que o rigor se mantenha nos outros âmbitos.

    Mas a da troca do nome está muito bem apanhada, sim senhor.

  6. olha se o aleixo se preocupasse com métricas e quejandos, pás, o tipo não tinha tempo pra guardar os rebanhos, ó meus deixem-se disso. ou se tem talento ou não se tem, as métricas são acessórios. o zeca galhão não tem talento. fogo pá!

  7. A pedra que me defende
    Do Verão e do Inverno
    Não se paga nem se vende
    É um valor forte e eterno

    olha-me só prá densidade do calhau

    Vinha o leite já fervido
    Vinha o queijo saboroso
    O dia era mais comprido
    Tudo era mais vagaroso

    ganda bezana, é o que dá deixar as vacas a pastar na vinha, depois perde-se a noção do tempo

  8. ó zeca galhão, pá, olha só, meu, o orgasmo virtual é complete, amordaçaram a tua capacidade imensa de batizares os outros, com impropérios, que naturalmente saem da tua boca de poeta, ehehehheh

    ó pra ele, é o zeca galhão
    o gajo do bairro alto
    tem uma hoover
    e é perito em palavrão

    um é bandalho,
    o outro é palhaço,
    o outro é trambolho
    mas o zeca galhão é um calhamaço

    ehehehhe
    a métrica tá bué da boa, pá,vou chamar-lhe a balada do «ão» e do «aço». algum blogue pra onde possa mandar esta coisa, pá? tens tantos contatos, meu, dá aí um, também pode ser a revista «ler».

  9. No último post, o zézinho apareceu armado em contestatário, mas foi sol de pouca dura. Arrependeu-se logo e a prova é esta balada. É só baladas, petiscos, a santa terrinha, vida boa. O resto, meu, caga, que a contestação é boa mas é para os outros. Deu-lhe forte, mas passou-lhe depressa. Devia ter sido uma pontinha de febre…

  10. ehehe, o gajo tinha uma pontinha de febre e uma grande caganeira, fogo, que enxurrada, só repuxo, ó zeca galhão pá, tiraram-te o pio, tás a ver, semeaste, agora colhes, volta lá à igreja e fala com o vigário. arrepende-te de teres cagado juízos de merda no submundo, lembras-te ó trambolho?já vi a tua cara na internete pá, mas o curriculum, ai minha santa bárbara, não é nada de especial, fogo, e vens práqui lançar areia nos olhos dos outros, ó pá, vai cagar longe pra não cheirares mal,chiça penico, pá.é verdade, tu tens mesmo cara de manga de alpaca, eehehehehe, manda aí um cuema.

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