Balada da Rua de Baixo

Rua de Baixo, meu mundo

Onde eu regresso cansado

Quando o olhar é profundo

Já andou por todo o lado

São casas sem ninguém

De famílias desligadas

Não se ouve a voz da mãe

Na névoa das madrugadas

Meu berço e minha escola

Minha casa e minha igreja

O amor não pede esmola

Nas esquinas da inveja

Minha paisagem saudosa

Povoada por destroços

Duma sede mais gasosa

Que a água destes poços

Filarmónica formada

Manhã cheia de brancura

Há festa não tarda nada

Na rua desta amargura

Sete ondas repetidas

São sete beijos do mar

Na areia das nossas vidas

Já só podemos cantar

Pode-se cantar um fado

Feito só de melodia

Um homem fica calado

Ao ver a fotografia

Minha rua inicial

A vida, anos primeiros

Onde passou triunfal

A paixão dos baleeiros

10 thoughts on “Balada da Rua de Baixo”

  1. Já reparei que metes sempre um post a tapar o último do Valupi. Quando se abre o Aspirina tem que se papar JFC à cabeça, salvo seja. Fazes de propósito?

  2. Francamente … é preciso ser maldoso e mesquinho. O Valupi coloca os textos em função das suas circuntâncias. Sou um «sem-abrigo informático» e nada sei dessas coisas. Ver maldade onde há apenas cronologia é diabólico. Safa!

  3. Verso do dia: “Duma sede mais gasosa”. Metanos e anidridos carbónicos a invadirem as províncias livres dos metaplasmos não alterativos?

    No entretanto, o Portugal da indigência continua a importar 6 bilhões de Euros em comida – incluindo dois terços do peche natural e de bibeiro – única forma de garantir a todos os portugueses o direito de largarem o peidito gasoso matinal para começar o dia em beleza.

  4. Meu Caro, José do Carmo:
    Se tirares as referências marítimas ( de mar, nós só temos o rio Torto) essa rua é uma rua dos Pereiros, uma rua da minha terra. E o Estaca já não é do tempo das gasosas,menos ainda dos pirolitos, sorte dele que é jovem ou sempre bebeu champanhe.
    Jnascimento

  5. Aquilo do Estaca está na massa do sangue. Será que ele é agente da ASAE que (como os fogos florestais) queima tudo á sua volta?

  6. JNASCIMENTO,

    Só não te digo que te enganaste redondamente em relação à minha idade porque a minha disciplinada educação e altos padrões de civismo me impedem disso. Mas não achas que se fosse como tu dizes eu nunca teria falado em anidrido carbónico e teria optado antes por dióxido de carbono?

    E para que não digas que vais daqui de mãos a abanar e a chorar que não aprendeste nada, fica-te com esta: se és gordo e sofres do coração tem sempre um pirolito à mão.

    Mas como já não há pirolitos….

  7. Óh Estaca é preciso sentido de humor… já agora. Às vezes brinco com o teu pseudónimo e falo em estacas queimadas. Mas olha vivi no Montijo entre 1957 e 1960 ao lado de uma fábrica de pirolitos que eram distribuídos numa carrroça puxada por uma mula. Ai que saudades, ai, ai.

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