A Sé de Leiria ou 16 fragmentos de um esquecimento

Não vejo nesta Sé a caixa com os ossos do meu bispo
Nem hoje nem em Agosto de 1961 quando aqui rezei
Pelos exames de admissão ao Liceu e Escola Técnica

Estranhei os sinos da Sé e os galos madrugadores
Mais que o colchão de palha tão igual ao do quartel
Que iria ter anos mais tarde nas Caldas da Rainha

Comecemos: nasci numa terra de escritores esquecidos
José António da Silva Rebelo não é só bispo de Bragança
Também é autor dum livro hoje na Biblioteca da Ajuda

Lembranças sobre a felicidade de Portugal foi escrito
No seu tempo de administrador da Casa Pia de Lisboa
E foi sem surpresa dedicado a D. Miguel no ano de 1828

Faustino do Rego em 1525 escreve sobre Ordem de Cister
E Manuel de Moraes sobre Francisco de Assis em 1735
Perdendo-se de seguida nas emboscadas do esquecimento

Na sacristia de Santa Catarina existe um retrato do bispo
Repousam os seus ossos na capela-mór de Almagreira
Onde terá morrido em 1846 à beira de completar 67 anos

Tudo começou no castelo de Leiria, no rei Afonso IV
Por isso a torre da Sé assenta numa sua velha porta
De onde se faz ouvir o som feliz dos seus oito sinos

Foi desviado o rio que passava dentro do claustro da Sé
Onde os cónegos pescavam os peixes do seu escabeche
E hoje há descargas da ganância das pecuárias sinistras

O pau-santo da sacristia veio de Belém do Pará, Brasil
Nos barcos vagarosos que levavam cantores de ópera
Músicos e guarda-roupa dos romances ainda por cantar

Há hoje a força do silêncio do Grande Órgão de 1997
Para dar mais realce aos painéis de Simão Rodrigues
E à sua Assunção de Nossa Senhora, nossa padroeira

E minha padroeira mesmo sem ter sido baptizado
Na capela do baptistério da nave lateral esquerda
Nem ter lavado as galhetas no fontanário da sacristia

Estas naves e capela são meu lugar de oração teimosa
Que a morte dos nossos parentes sabe sempre a injustiça
Ou antecipado ajuste de contas entre pecado e perdão

Em 1961 no Verão já se falava aqui nas três guerras
E grupos de mães procuravam favores de sargentos
Numas oficinas de Alverca, lá mais perto de Lisboa

Passei nos dois exames mas já estava no Comércio
Ouvi muitas vezes murmurar como quem censura
Os filhos dos motoristas não vão para o Liceu!

A luz de Deus entra nos vitrais, forte, justa, solene
Hoje como já em 1570 as naves gritam às capelas
O fervor da futura sagração quatro anos mais tarde

Entre as pedras e os sinais há um tempo que resiste
Forma-se uma procissão solene à porta da sacristia
O meu bispo vence as emboscadas do esquecimento

15 thoughts on “A Sé de Leiria ou 16 fragmentos de um esquecimento”

  1. oh xóriço! já sabemos que és o maior por teres nascido numa aldeola da benedita, onde por acaso nasceram outros gajos não menos ilustres, mas que não tiram o brilho às tuas catastrofes poéticas maneiro-bacocas, mas poupa-nos às tuas frustrações. ninguém tem culpa de seres filho de um motorista do estado novo, tirando a tua mãe e eventualmente o teu pai, portanto vai dar de beber à dor na ribeira dos milagres que, em dia de descarga, resulta. o resto é encher fumeiro com caldeirada histórica mal amanhada, o hermano que se cuide com a concorrência.

    “E grupos de mães procuravam favores de sargentos”
    consta que era ao contrário, mas se foi a tua mãe que te disse, entende-se.

  2. Sinhã – Sim, em Manaus havia uma companhia residente de ópera italiana. Deve ter sido espantoso: os barcos levavam músicos e cantores e no regresso traziam madeira de pau brasil.

  3. Dizes tu «lavar as galhetas». Mas eu diria, após ter lido esta bagunça de tragédia poética, que, melhor ficaria assim: «depois de ter levado as galhetas» – se não as levaste, olha que bem as mereces, quando nos dás a ler este horror de título pomposo. Aconselho-te, com urgência, uma ida ao médico – de preferência a um psiquiatra. Tás xoné, meu, completamente! Metes as mãos pelos pés, os pés pelas mãos, tudo ao molho e fé em Deus! Caraças, pá, tás bem mal. A mania das datas e as peneiras de que sabes escrever, deram-te a volta ao miolo. Chiça!

  4. e até os bichos da madeira haviam de andar consolados – é que as coisas boas entranham-se também nos sitios e nas coisas: ficam. penso que é uma boa definição de ficar. :-)

  5. Sinhã – Essa memória pode ser conjugada com uma outra – os barcos grandes que iam da Ericeira para Manaus quando a Ericeira era uma das quatro maiores alfândegas de Portugal a seguir a Lisboa, Porto e Setúbal. Mais ou menos quando Elvas tinha 17 mil habitantes e um bispo residente.

  6. O que mais me choca, repulsa e enoja não é a provocação miserável mas o facto de alguém se permitir usar o nome de uma notável atleta do Sporting Clube de Portugal e uma competente funcionária do Diário Popular. Esta gente não respeita nada nem ninguém – para eles e elas a Net é tudo uma rede de esgotos.

  7. Já sabia pelos seus posts que você não prima pela inteligência. Mas daí a supor que meu nome é uma provocação! Você é burro mesmo! Não conheço a atleta do Sporting nem a funcionária do Diário Popular (a propósito: o DP ainda existe?). Só no Facebook encontra mais de 50 pessoas com o nome de Rita Faria. Não vi mais porque não estive para me incomodar. Quem quiser vá lá e comprove. Você além de burro é louco, só pode ser. Já nasceu burro e não pode mudar. E se a NET é uma rede de esgoto porque você está lá? Responda. se puder!

    E tem mais: já tentei várias vezes colocar este comentário e me é dito haver erro de email. Como isso é possível se coloquei meu anterior comentário e deu certo? Mentira. Você está a interceptar o meu novo comentário. Mas eu vou colocar ele tenha a certeza. Você é burro maquiavélico. E faz censura. Dizem-me que você deve ser do tempo da pide. E deve ser!

  8. diria mais, deve ter sido informador da pide. havia bués infiltrados nos sindicatos bancários, delatores dos colegas a troco de umas gratificações. ainda hoje há disso, especialmente na fiscalização dos blogues de esquerda, dão muito nas vistas por serem altamente toscos, tal como o exemplar em causa.

  9. Grande maluca, grande cabra, grande doente mental. Eu não interfiro em nada, se não consegue colocar textos é por razões técnicas. Vá morrer longe!

  10. Além de louca é analfabeta – eu não escrevi isso que você não leu. Eu escrevi «para eles e para elas a Net é uma rede de esgotos». Para você e outros malucos, percebe?

  11. É, você é mesmo burro! Então você não está na NET????? E como você é malcriadão!!! Quem é o macho da cabra? Você não sabe, não? Pois é cabrão. E maluco você me parece ser desde o início de ler seus posts. Não lhe dou mais trela por hoje!

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