Post para o José Tim (aka Brigada Bigornas)

Meu amor.

Já era para te escrever há algum tempo, mas só hoje é que consegui reunir a predisposição e o tempo necessário para alinhavar estas palavras. Como com certeza sabes, a tua aparição inicial na caixa de comentários da Aspirina foi, para mim, motivo de orgulho e diversão. Sou muito sensível à pachorra dos «pequenos Sísifos» e não me custa nada confessar que, todos os dias, quando acedo ao blog e invariavelmente verifico o teu labor frenético, fico sempre, como direi?, «deslumbrado» com a tua persistência. Nesses momentos, imagino-te sempre em casa todo nu e suado, a fumar cigarros de menta enquanto vais fazendo copipeistes nas caixas de comentário do Aspirina. Já não sei muito bem quando me apaixonei por ti. Sabes muito bem como são estas coisas do amor: é um bicho que vai crescendo a gente não sabe muito bem quando, como, e não raras vezes porquê, e, quando damos por ela, já estamos reféns da sua condição. Meu amor. Se tivesse escrito esta carta ontem, estaria neste momento a suspirar pela tua boca imunda e pelos teus olhos que imagino de lince. No entanto, hoje, quando entrei na área privada do Aspirina, reparei que, durante a tua noite de insónia, tinhas publicado qualquer coisa como uma centena de comentários. E tu sabes o trabalhão que dá apagar uma centena de comentários? Eu explico. Se tiveres um PC manhoso como o meu e um acesso à Internet comparável à velocidade de um veículo em hora de ponta na Rotunda de Santo Ovídio, apagar um comentário demora, vá lá, uns bons trinta segundos. Multiplicas isto por cem, adicionas o tempo necessário para carregar cada página de comentários e eventuais bloqueios do meu computador e facilmente chegas a algo que se aproxima perigosamente dos sessenta minutos. Meu amor. Eu não sou nenhum José Matias. Não me importaria de gastar diariamente ainda mais tempo contigo, se esse tempo significasse passearmos de mão dada pelas planícies do Alentejo ou pelas estradas sinuosas do Minho à procura de ocasos que de certa forma reflectissem a paixão que nos engrossa o sangue e nos dilacera as vísceras. Agora, passar diariamente uma hora a apagar os teus comentários, convenhamos, é algo que põe em causa as definições enciclopédicas da monotonia. E é por isso, meu amor, que te escrevo num tom lilás. Eu tenho amigos, conheço imensa gente. Amigos que ocupam os cargos mais altos dos serviços de informação de vários países e gente que trata o Bill Gates por «tu» e aqueles moços do Google por «queridos». Há cerca de uma hora, forneci-lhes o teu IP e já recebi entretanto meia dúzia de e-mails com informações precisas sobre a desgraça comovente da tua pessoa. Sei a cidade onde vives, por exemplo. A loja onde compras as saias de bombazina e as blusas de cetim que vestes para sair à noite movido pelo desespero branco da insónia. Já sou senhor de sete dígitos, devidamente ordenados, do teu BI e de um gráfico colorido onde figuram os ramos circundantes da tua árvore genealógica. Meu amor, meu amor. Fica aqui o aviso: mais um ataque de comentários teus como o da noite passada e garanto-te que irei à tua procura. Não para consumarmos a nossa paixão (infelizmente, foste tonto, e já é tarde de mais para isto), mas para te dar a maior salva de palmadas que este teu traseiro que presumo liso, róseo e rechonchudo já alguma vez levou na vida. E blogar de pé, pois é, é uma verdadeira chatice.

Beijos muitos

36 thoughts on “Post para o José Tim (aka Brigada Bigornas)”

  1. aleluia q há uma respostazinha a esse gajo…mas prometer-lhe palmadas no traseiro é arriscado, pois ele adora e assim é q n desampara a loja mesmo!

  2. “em causa”. :)

    já percebo o dia longo e árduo. a culpa é tua, é da tua volatilidade: o tim, coitadito, acreditou no teu amor. não percebeu que só estavas interessado no corpo dele e some hanky panky.
    agora aguenta.

  3. Não chega combater o crime, é preciso combater também AS CAUSAS do crime: queremos também o IP da MÃE do José Tim (“queremos o artista, queremos a mãe do artista”).

  4. faz sentido, unreconstructed: sempre que te apaixonas, culpas a tua mãezinha, não é?

    joão pedro, quem brinca com a nobreza dos teus sentimentos és tu.
    devias dar mais uma oportunidade ao tim. afinal ele não tem culpa que o tenhas confundido com a BB. tu é que estavas pouco atento.

  5. Eu bem vos disse para fazerem o LIVRO NEGRO DO JOSÉ TIM, mas ninguém me quis dar ouvidos. (Porque é que nunca dão ouvidos aos unreconstructed, mesmo quando eles têm boas ideias? Porque é que o Zé Tim escrevia sempre em MAIÚSCULAS?)

  6. Malta: vocês já viram o que podem perder? O Zé Tim é um ícone deste blog! Eu próprio já sei palavras do Livro Negro de cor: “Como foi possível que um ideal de libertação se transformasse…” (não sei o resto) e: “a Lubianka, símbolo da crueldade do regime”! Vá lá, dêem lá mais oportunidade ao gajo!… (eu acho um piadâo quando o gajo me chama PANELEIRO com maiúsculas e tudo, é ternurento, faz-me pensar que estou outra vez no ciclo preparatório, que era onde isso se dizia…)

  7. Confirma-se, é nosso homem: evacuem as mulheres e as crianças e vão buscar o Padrrre Dâmaso (vamos seviciá-lo, à la Lubianka, à vista do Tim, para ver se a besta se entrega).

  8. és indecente. distraí-me aqui com um sms e perdi a oportunidade de ler aquele exemplar extenso da tua correspondência amorosa. a isso eu chamo falta de abertura e egoísmo.

  9. Boa tarde. Leio muito (e comento pouco ou nada) o Aspirina B, como sempre tive a sensatez de ler outros blog’s em que os respectivos membros “postavam”. Mas leio atentamente. E este senhor BB sempre apareceu a comentar tudo e mais alguma coisa de uam forma que por vezes me incomodava. Já estava na altura de alguém o pôr na linha. Tem piada, tal como qualquer putito, respondeu! BB, um conselho: tem vergonha na cara!

  10. É. Faço minhas as palavras do último comentador: o BB escreve buçal com u mas eu, que não sei se ele usa buço, acho mesmo é que ele é boçal tout court e que já era altura de alguém o mandar para a puta que o pariu (sem ofensa, claro).

  11. Agradeço ao senhor “mário” que não use linguagem de carroceiro. Se desejar fazer comentários vá ao site da RIAPA.

    (Olha: tenho um homónimo. Mas não parece lá muito esperto. LR)

  12. Ó BB, eu normalmente até me contenho, mas não me parece que quem escreve as javardices racistas (entre outras) que tu escreves tenha direito a vir-se armar em flor de estufa. (Quanto a ir ao site da RIAPA ou lá o que isso é, antes para o caralho – palavra de carroceiro).

  13. 38 comentários ? É o momento de glória do senhor(a) João Pedro da Costa. Para a merda que costuma escrever e que poucos comentários recebe, desta vez esmerou-se e tudo graças à Brigada Bigornas e ao Tim !

  14. Ó Claudinha, também não exageres, desses 38 comentários, metade era do próprio Tim, ou do BB, tanto faz, e a outra metade a rir-se deles…

  15. Excepcionalmente, decido comentar dado que os disparates continuam supostamente em meu nome. Aliás, nem me sabem imitar dado que põem acento no meu nome. Comentário de mau gosto o de cima e a resposta da má é uma resposta a uma “cláudia” que não existe. Vantagens deste mundo virtual. Desde o dia 30 ou 31 que não comento em nenhum blog e, após este breve comentário, persistirei nesta minha decisão. Portanto, nos próximos tempos, mesmo que apareça uma “claudia”, não serei eu, a verdadeira. Lamento. Continuem a divertir-se.

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