Como é simples o mundo de quem vive entre estereótipos…

Luciano Amaral continua a partilhar connosco a sua singela visão do Mundo. Para ele, qualquer um que não partilhe a sua sageza, além de por certo pertencer à Esquerda, essa infame turba, é um néscio incapaz de largar «o keffieh (sabem, é o lenço palestiniano) e a boina do Che, para além dos cartazes habituais: “Bush=Hitler”, “Bush Go Home”, “Terrorista Mundial n.º 1”, “Assassino em Massa” e restantes mimos da ordem»; um dos «guevaristas e racistas» que poluem as ruas europeias a cada visita de George Bush.
Este intelecto ponderoso explica-nos hoje que antes de se fechar a vergonha de Guantánamo será «preciso saber o que fazer com aqueles 500 prisioneiros, que ninguém quer propriamente ver por aí à solta.» Ou seja, mesmo sem julgamentos, culpa formada ou grande informação sobre eles, o bom do Luciano já os sabe armados com os chifres do demo. E, para a sua mente iluminada, haveria uma saída bem desejável: «porque não deixar a Europa tratar do assunto?» Mas claro: os EUA que os detenham e sujeitem sabe lá Deus a quê, em flagrante fuga a todas as disposições legais americanas e internacionais; agora, o mais lógico seria a Europa tomar conta da ocorrência e limpar o lixo. Claro.
A teoria geral deste colunista é que mais vale fazer qualquer coisa, mesmo que às cegas e à bruta, do que investir em maltosa como a da ONU, ineficaz no «Ruanda, no Congo, no Darfur ou em Timor.» Como se estivéssemos na presença de dois blocos antagónicos e mutuamente exclusivos: os EUA e as Nações Unidas. Como se os primeiros não fizessem também parte dos problemas (e das parcas soluções) da ONU.
A derradeira frase deste texto é uma definição lapidar deste pequeno mundo a preto-e-branco: «É fácil e sempre dispensa de se pensar e fazer qualquer coisa.»

PS: nem de propósito. Hoje mesmo, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos tratou de demonstrar qual será o caminho para Guantánamo: a sujeição às leis americanas e às garantias constitucionais, escapando aos inflacionados e auto-atribuídos superpoderes de Bush II.

2 thoughts on “Como é simples o mundo de quem vive entre estereótipos…”

  1. A ineficácia da ONU em Timor? Essa é nova. Luciano Amaral continua alegremente a dizer bujardas ao sabor do tempo. Como ainda lhe dão crédito, a um autodenominado “liberal” que defende Guantánamo e o Senador McCarthy, é coisa que eu não entendo.

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