A aldeia global entrou em órbita

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Há dois meses, um astrónomo amador, entusiasmado com o Google Earth, decidiu usá-lo para procurar crateras de meteoritos ainda desconhecidas. Ou seja: munido de uma ferramenta ao alcance de todos, Emilio González teve a ousadia de se imaginar capaz de encontrar estruturas geológicas ignotas. Fenómenos com dezenas de quilómetros que tivessem escapado aos argutos olhares de incontáveis especialistas, debruçados sobre fotografias colhidas por enxames de satélites. E, em meia hora, fez precisamente isso. Descobriu, algures na fronteira entre o Chade e a Líbia, uma cratera em que ainda ninguém tinha reparado.
Que dizer quando a informação que qualquer um de nós tem na secretária pode conter o mapa para descobertas científicas? A infosfera tornou-se num símile tão perfeito do nosso mundo que já serve de território de pesquisa, laboratório que até dispensa de todo o contacto directo com a realidade.
Disse González, com uma candura reveladora: “é um pouco como um jogo de vídeo. Só que é real”. Mas ainda existirá mesmo essa linha de fronteira, assim tão clara, ou será que ela se está a desfocar e a afastar de nós a cada dia que passa?

7 thoughts on “A aldeia global entrou em órbita”

  1. Fotografia fabulosa. Só não se vê a escala. Qual será o diâmetro da coisa? Têm-se feito descobertas de crateras imensas, algumas em selvas, portanto praticamente camufladas.

    Há poucos dias, o senhor do Abrupto, perdidinho, como eu, por astrofísica (à medida, dum frequentador da linha se Sintra, portanto da admiração pura), colocava uma paisagem de Marte com um pormenor de uma foto de praia.

    Belos tempos vivemos!

  2. Muito bom post.
    A lembrar que a blogosfera não é feita apenas e só de opiniões inchadas (sem ofensa para o autor ou blog – quiçá seja até um tiro no pé!)
    Um abraço.

  3. Por uma rara vez gostei da prosa deste Luis. Mas se ele reparar, aquilo que permitiu a um indivíduo fazer um trabalho meritório foi criado pelo monstro gerador de todos os males do mundo, segundo a frequente prosa deste Luís, o terrível capitalismo. Repare o Luís que a Google nasce num país, onde uma empresa consegue disponibilizar um manancial de informação e mesmo assim ganhar rios de dinheiro. Se essa empresa nascesse na Europa, nunca seria a Google, pois tolhida por uma miríade de regras, regulamentos, licenças, impostos, taxas, obrigações “sociais”, etc, nunca conseguiria crescer e formar a potencia que actualmente é. Na Europa, seria criado um conselho regulador para estudar qual a informação que o cidadão precisa, seria publicado um livro branco da informação e seria disponibilizada a informação que o tal conselho de sábios definiria como estratégica para o desenvolvimento sustentado das regiões, dos jovens e dos info-excluídos. Tudo isto, pago pelos impostos pois a comissão de sábios seria formada pelos mais reputados catedráticos, por uma quota de mulheres, por um representante dos sindicatos, por um defensor da minorias e por 25 sociólogos e estudiosos da problemática de info-exclusão de cada um dos países membros.

  4. esse senhor não precisava de se esforçar tanto. passava ali para os lados do terreiro do paço e logo dava com uma data de buracos e crateras ruidosas.
    mas k maçada! agora pode-se ver tudo, tudo, pelo computador e sem sair de casa? esse senhor pode também espreitar o meu quintal e os infindáveis buracos que os cães por lá fazem? que horror! já não há direito à intimidade? onde é que eu hei-de pôr a secar a minha roupa interior?

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