Sócrates no máximo da arrogância

O nosso primeiro-ministro é conhecido pelas manifestações de arrogância, e pouco mais. Isto, segundo as bem informadas, e melhor formadas, forças da oposição; entretanto comandadas pelo poeta Alegre, dado o tilt ocorrido nas chefias dos partidos à direita. Ora, a arrogância socrática parece ter atingido um novo máximo. Ao fazer frente a Jardim na lei do aborto, podemos afirmar, com razoável segurança, ter a arrogância do nosso Primeiro chegado à Madeira. Trata-se de uma torpe ingerência num território autónomo habituado a governar-se sozinho, coitadinho, sem outra ajuda para lá das centenas de milhões de euros enviadas todos os anos pelos desprezíveis cubanos. Os propósitos de Sócrates são óbvios: asfixiar a peculiar concepção de democracia do soba das bananas. Durante 30 anos, Jardim recolheu a conivência de todos os políticos que exerceram o Poder, sem espinhas. Com que direito o arrogante do Sócrates vem agora querer aplicar uma lei da República? Acaso a Madeira é algum Charrua onde o déspota do jogging imagina que pode pôr a mão?

Quem se sabe comportar é o PSD, mantendo-se caladinho. Para quê tomar uma posição, uma qualquer, quando está em causa continuar a garantir o feudo político e os negócios instalados? Afinal, há ou não há autonomia? É que se há, o pidesco Sócrates devia ficar-se pela economia, onde consta que anda a ter ganhos como ninguém acreditava ser possível. Ou ficar-se pelas reformas, contra a maralha instalada em décadas de privilégios e incompetências. Aí é que ele está bem, pois dá para mandar umas bocas de ocasião. Agora, ir afrontar a paradisíaca Madeira? E por causa da porcaria da aplicação de uma lei?! É preciso ser-se arrogante, entre outras coisas.

18 thoughts on “Sócrates no máximo da arrogância”

  1. Se este teu post fosse ainda hoje posto à venda na Bolsa de Lisboa, tenho a certeza que o preço do sarcasmo amanhã seria reduzido em pelo menos 50 por cento, ditado pela lei da oferta e procura. Não abuses. Desta vez foste salvo pela “democracia do soba das bananas”. Mas não prometo nada para o futuro.

  2. Suspeito, sim, é cá uma coisa minha, que o Sócrates tem no Valupi o seu único, repito, único admirador desinteressado. Mas admirador. Mas desinteressado.

  3. Não é o único.
    A “pérola do atlântico” na verdade não passa de uma ostra bafienta e parasita.
    “Independentenham-nos”, já!

  4. JP,

    Se fores (numa hipótese) ‘ser humano’, o acrescento é, presumo, automático.

    Só não sei é se a nova carga de ‘desinteressado’, introduzida pelo Valupi, tem para ti efeitos retroactivos.

  5. eu também sou desinteressado. Mas o estigma da gerontocracia tem que ser ultrapassado. Entretanto o Amado posiciona-se para possível sucessor.

  6. JP,

    Detesto explicar uma boa, e até discreta, graça. Mas aí vai.

    Chamei «desinteressado» ao socratino fã. Achei que não procurava proveito próprio na admiração. Na resposta, Valupi dá ao termo «desinteressado» um valor (para mim inesperado, mas que lhe fica bem) que faz dele um fã sem interesse pelo objecto.

    Ora, eu perguntava-me se este coelho da valupiana cartola servia, também, para ti.

  7. Fui mauzinho, confesso. Mas obrigado pela explicação, Fernando. Continuo sem perceber a retroactividade da coisa a não ser como uma insinuação de que o primo possui dotes para viajar no tempo (o que teria muita pinta, sem dúvida). E não fui assim que interpretei o coelho valupiano, mas és capaz de ter razão.

  8. Terá, talvez, e então, interesse esclarecer completamente o “completamente desinteressado”. E remete ele para o facto de eu não ser votante no PS, nem me imaginar a sê-lo. Esteja lá quem estiver.
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    Esse beijo, claudia, parece-me bem interessante.

  9. «Terá, talvez, e então, interesse esclarecer completamente o “completamente desinteressado”. E remete ele para o facto de eu não ser votante no PS, nem me imaginar a sê-lo. Esteja lá quem estiver.»

    Este Fernando Venâncio é um grande malandreco! Obrigou uma pessoa a revelar as posições políticas que toma na privacidade da urna … onde é que isto já se viu?!

  10. Esse Pedro Mexia é um sonso. Cuidado. (ou descuido, pois)
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    Onde é que isto já se viu? Bom, caro Luís, deixa cá ver… Olha, em todo o lado onde eu falo do meu sentido de voto. PS e PSD, nem sob ameaça de arma. PCP e CDS, teve o seu tempo adolescente. PSR/BLoco e PPM, foi opção frequente num passado cada vez mais distante. Partido da Terra, tem sido o último reduto.

    E agora espero pelas novidades. É tempo delas, mesmo que demorem.

  11. Ai Valupi, Valupi. Bem, li o texto, após ter lido o da Duras, e nada tenho a dizer. Está muito bem.
    Eu já me apaixonei por textos corporais e dos textos imaginados passei aos escritores reais. Vale a pena por levarmos tampas literalmente literárias como a que se segue
    “Eu nunca teria perdido o meu tempo com uma pessoa que fosse literariamente má.”

    Na hora da tampa, dá mais vontade de rir do que chorar.

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