19 thoughts on “Calicracia II”

  1. Triunfou a Grande Loja Alpina, paciência. Para a próxima será outra. Estas coisa têm que se alternar, senão isto não era democracia nem nada. Não desanimenos, raspazes!

  2. La France à droit tout.
    Yes mister Bush.
    O Portugues que fazia trabalhar sem pagar os conterraneos vindo da térra com falsas promésas:éla vai pagar càro a viragem que fêz,oh ya!

  3. Hoje, no «Público», Rui Tavares. Indispensável.

    A estética da “escumalha”

    Vejo que, no PÚBLICO de ontem, Helena Matos atribui a vitória de Sarkozy ao momento em que este chamou “escumalha” (racaille) aos jovens negros e árabes dos subúrbios parisienses. Vejo também que Helena Matos acha que só as “cabecinhas bem-pensantes” se escandalizaram. O que nos leva à questão: é esta a mesma Helena Matos que esteve na primeira linha do escândalo quando o ministro Augusto Santos Silva disse que se fazia “jornalismo de sarjeta” em Portugal?
    Bem vejo, há uma diferença! Sarkozy apenas chamou “escumalha” a “quem se porta como tal”. Mas Augusto Santos Silva também se referia apenas aos maus jornalistas e não aos bons. Talvez Helena Matos tenha então achado que a distinção era irrelevante, porque estes insultos dirigidos ostensivamente às ovelhas negras se destinam em geral a coagir todo o rebanho, a estigmatizá-lo e retirar–lhe liberdade. Eu concordo que assim é. E também me reservo o direito de achar escandaloso.
    O preconceito é assimétrico. Para a maioria nunca é um tema assim tão importante. Quando a minoria somos nós, a coisa é diferente. Não há nada que não tenha sido contaminado. Os jovens da banlieue não entraram em combustão espontânea. A coisa começou com a morte de dois deles no seguimento de uma perseguição policial. E não acabou enquanto Sarkozy não espremeu o espectáculo da repressão até à última. Toda a imprensa internacional notou então o prolongamento propositado do conflito. Que apenas as “cabecinhas bem-pensantes” achem isto uma forma indesejável de campanha eleitoral diz muito sobre o nível a que agora desceu a fasquia.
    Na altura dos motins foram bem divulgadas as pesquisas oficiais sobre a prevalência do racismo latente. O mesmo currículo tem três vezes mais hipóteses de ser aceite quando o nome é Jean-Claude Dupont em vez de, digamos, Ibrahim Yassin. Muitos patrões franceses preferem deixar uma vaga por preencher do que contratar árabes ou negros. Depois de não os contratar, é só pedir a Sarkozy que venha metê-los na ordem. A direita exige respeito ao Estado. Pois bem, a esquerda exige também que nos deixem respeitar os outros. Onde estava o respeito que o Estado devia a estes jovens franceses, cujos pais ajudaram a construir a França?
    Sarkozy achou que o racismo latente poderia ser reconvertido em votos e ganhou. Ao contrário do que supõe Helena Matos, não foram as vítimas da criminalidade que correram para os seus braços: em Paris e nos subúrbios os votos em Sarkozy foram abaixo da média, ao contrário de zonas onde a criminalidade é baixa, como a Sabóia, o antigo Franche-Comté e, em parte, a Alsácia. Aqui Sarkozy teve votos acima da média porque a direita francesa está naturalmente enamorada por um proteccionista, nacionalista e cultor da lei e da ordem, ao qual não se ouve uma palavra sobre a liberdade que não seja a liberdade de trabalhar mais ou ser despedido facilmente.
    Já mais curioso é ver que a direita internacional também o adora. A mesma direita que não perdoou que Chirac tivesse razão na guerra do Iraque ama Sarkozy porque ele teria sacrificado alguns jovens para evitar que as petrolíferas francesas fossem “castigadas”, como aconselhou Condoleezza Rice a George Bush. A direita que reclamou o referendo europeu está feliz por Sarkozy ter arranjado um truque para que a Constituição não vá a votos. A direita que vê o nazismo na lei do tabaco não encontra nada de mal na estética do líder autoritário, duro e carismático. Pensando bem, aliás, só pode mesmo ser por uma questão de estética.

  4. Dispensável.

    As dicotomias marcantemente ideológicas não fazem mais sentido em sociedades modernas, cada vez mais abertas, exigentes e plurais. A escolha só pode ser um estado de alma, e a negociação terá de ser sempre o caminho, ou não será uma sociedade livre, de facto. Farto estou das insuportáveis e miméticas teorias da conspiração, tentando vender profecias e mundos perfeitos.

    Ou pensaremos nós, que hipócrita será apenas o Sarkozy.

  5. Nâo vou correr os decionàrios para escrever as lindas palavras,que nada quérem dizer,prefiro o dialogo que é enpregado pelas ”escumailas”.O que eu adoro é quando os vejo cair.Portanto éra um intelectual talentoso:tinha um futuro glorioso,quase que nâo creio que ele fosse pedofilo,ou que ele fosse apanhado a roubar a companhia que tanta confiança tinha nele.Género Conrad Black.A direita nâo é mais mais que um amontuamento de indeviduos,que espéra a opurtonunidade para roubar o povo em toda a imunidade,Berlusconi é a prova vivante,Bush é a par d’ele a icar vê nisso aprova de ”deus”Portugal e os seus jornalistas que se tomam por grandes escrivâos,mas que sâo desprezados pela comunaudade internacional jornalistica,nâo se rendem conta tal é o seu pédantismo

  6. Fernando,

    Obrigado pelo texto. Sem dúvida, uma leitura interessante.

    Para mim, a matriz conceptual do Rui Tavares é infantil. Tal como Mao assinala acima, a bipolarização do mundo é chão que não dá mais uva. Claro, continuam a reconhecer-se territórios simbólicos, mas já não são facilmente reconhecíveis os territórios ideológicos, dada a miscigenação de tantas zonas de intervenção.

    Para Rui Tavares, o mundo só é inteligível em dois blocos. Desse pressuposto nascem as suas hipóteses explicativas para os fenómenos sociais e políticos. Logo, a sua visão torna-se apenas a expressão dos seus critérios primários, não um olhar capaz de descobrir a novidade.

    E, neste caso, a novidade foi a de que Ségolène esteve quase a ganhar. Esse o fenómeno que importa pensar.

  7. Valupi,

    Admito que o Rui Tavares exagere o maniqueísmo.

    Mas é-me impossível dissociar Sarkozy da repressão nas banlieus, que terão sido inflamadas, acredito, em comando à distância, não decerto pelo mesmo Sarko (não o acho perverso a esse ponto), mas por ele decerto exploradas até darem o máximo de crédito ao ministro.

    E é-me também difícil dissociar o massiço voto nele do seu mediático exploit. É esta contaminação que eu espero Sarkozy depressa sacuda.

    Quanto a Ségolène: creio que me admiraria menos de ela ganhar do que me admiro de ter perdido por tão pouco. A derrota dela lembra-me os seus pontos fracos. Uma vitória ter-me-ia feito esquecê-los. Estarei nisto sozinho?

  8. “Para Rui Tavares, o mundo só é inteligível em dois blocos. Desse pressuposto nascem as suas hipóteses explicativas para os fenómenos sociais e políticos. Logo, a sua visão torna-se apenas a expressão dos seus critérios primários, não um olhar capaz de descobrir a novidade.”

    Nem mais, Valupi.

  9. Ah, Mlle. Merde, é o predomínio americano, é o avanço para Norte da malária, é a Opus Dei, é a Maçonaria.

    Você sabe onde há bilhetes para outro Planeta?

  10. Fernando,

    Muito bem observado. Não esquecer que Ségolène começou à frente nas sondagens. E que Sarkozy parecia condenado no rescaldo da sua intervenção nos distúrbios. Ele correu o risco, na altura parecendo apenas um deslize inábil, de surgir como figura odiosa, na margem dos valores democratas e humanistas.

    Depois, Ségolène cometeu uma série de erros, por um lado, e não encontrou um terreno sólido, por outro. A enorme afluência às urnas diz bem do disparate de interpretar dicotomicamente o fenómeno e o sentir profundo do povo francês.

  11. “Farto estou das insuportáveis e miméticas teorias da conspiração”.

    Ah, senhor Mao, que lindo anaconquilismo com borato de soda e vinagre! E não estamos todos fartos delas teorias nos escritos do Lhui Tavalhes e no resto das cantilenas muito sabidas, pouco metidas e esclarecidas?

    Mande-nos mais uns versinhos tirados do book das suas avé-marias sem teorias.

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