O erro, à nossa custa, sempre a confirmar-se

E o Governo em frente até ao desastre final. Explicar isto deixou de poder ser feito com apelo à racionalidade.
Vivemos tempos de patologia crescente no modo de fazer política. Explicar isto, portanto, atira-nos para hipóteses do domínio da personalidade de quem não ouve, não vê, não lê, não prevê e continua. Porque é o “seu” projeto. E assim se vai. Em frente, até ao desastre final. Como num pesadelo auto-reclamado do qual não se quer acordar, porque é o “seu” pesadelo.
Os dados mais recentemente conhecidos sobre a execução orçamental deste ano apresentam um desvio no mínimo de 1, 5 por cento do PIB e confirmam que Portugal se encontra numa espiral recessiva (mas que grande novidade …).
É a DGO que afirma isto: as receitas fiscais nos primeiros 7 meses do ano estão 4,9% abaixo do arrecadado pelo Estado em igual período de 2011, menos 1.236,8 milhões de Euros, com apenas 3 das 11 classes de impostos a aumentarem.
Ou seja e repetindo e repetindo e repetindo: Portugal vive há meses numa espiral recessiva; as medidas de austeridade escolhidas pelo do Governo agravam violentamente a espiral recessiva;assim sendo, é impossível cumprir os objetivos orçamentais; o desvio do défice em 2012 (cerca de 1, 5 por cento do PIB) é da exclusiva responsabilidade do Governo.
Que fazer para 2013?
O mesmo, com mais força.
É uma patologia.

3 thoughts on “O erro, à nossa custa, sempre a confirmar-se”

  1. Adorei a forma como coloca a questão em termos de patologia, Pois de fato se trata de uma atitude patológia que o ser humano em geral tem de tirar até um certo prazer com a desgraça e o sofrimento. Não é apenas os políticos mas todos. A única forma de sair dessa situação é a de admitirmos isso. Gostaria de citar o ultimo livro do cientísta social Norberto Keppe, no seu último livro Escravidão e Liberdade, onde fala que “O que o ser humano mais teme é verificar o que ele é realmente” e ainda “Todo o erro em que o ser humano deseja permanecer, ele o conserva esquecido, para não ter que mudar- criando um confronto entre o bem e o mal em seu íntimo- esse é o motivo da existência da neurose, psicose ou doença física” e para terminar “Não existe maior bem senão aquele, quando o ser humano percebe seu mal, deixando que o bem prevaleça em sua existência”.

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