“Marinho Pinto ao natural”

“Peço desculpa por regressar a um tema que abordei há uma semana, mas na segunda-feira cometi o erro de assistir ao Prós e Contras sobre a co-adopção, e às tantas já me estava a sentir tão de esquerda que se tivesse um Palácio de Inverno ao pé de casa tê-lo-ia assaltado nessa mesma noite. Embora tenha muitas qualidades e belos princípios, certa direita (e certo Direito) não se consegue livrar do espectro do fariseísmo, insistindo em fazer da obediência à lei — neste caso, à Lei Natural — um desígnio superior da humanidade.

Não quero estar aqui a repisar os argumentos sobre a coadopção, nem as razões que me levam a considerá-la um caso elementar de direitos humanos, mas interessa-me discutir a questão da Lei Natural, porque é ela — e só ela — que estrutura toda a argumentação dos opositores da co-adopção. Em pleno debate, o bastonário dos advogados, António Marinho Pinto, ao defender que toda a criança tem direito a um pai e a uma mãe, resumiu o seu pensamento desta forma: “é assim que a Natureza organizou as coisas”.

Nesse mesmo dia, Marinho Pinto publicou um artigo no Jornal de Notícias onde desenvolvia a sua tese: “A única coisa perfeita que existe é a Natureza; a única coisa verdadeiramente harmoniosa é a forma como a Natureza ordenou as coisas e os seres; a única coisa verdadeiramente bela é a Ordem com que a Natureza se rege.” Não é difícil descortinar a agenda política por detrás deste singelo momento trovadoresco: Marinho Pinto quer manter as criancinhas longe dessa coisa contranatura que é a família homossexual.

Este é um argumento muito antigo, que foi discutido ao longo de séculos, mas que tem um grave problema numa sociedade laica: ele pressupõe ou a existência de Deus, que, como criador da Natureza, a fez naturalmente boa; ou, pelo menos, a aceitação da Lei Natural como um princípio supremo. O problema é que querer transformar as leis da natureza em categorias morais — ou seja, dizer que determinada coisa está errada por ser nãonatural — é um abuso lógico, que por sinal causou inúmeras barbaridades ao longo da História.

Esse abuso foi muito bem detectado por David Hume no século XVIII, ao contestar a transformação de factos empíricos em valores normativos. Tal constatação ficou conhecida pelo nome de “guilhotina de Hume”, e diz-nos que nos assuntos humanos não se pode concluir o que “deve ser” com base naquilo que “é”. Se Marinho Pinto colocasse o seu pescoço debaixo desta guilhotina, teríamos neste momento em exibição A Lenda do Bastonário Sem Cabeça, porque com todo o seu amor à Natureza ele está, de facto, a confundir a fecundação (um facto) com a paternidade (um valor), e a misturar uma descrição (para haver criança, é necessário um óvulo e um espermatozóide) com uma prescrição (se não houver óvulo nem espermatozóide, não pode haver co-adopção).

Ora, isso faz tanto sentido quanto a intervenção de Pedro Madeira Rodrigues no programa. Contou ele que o seu filho adoptivo, confrontado com a possibilidade de ser criado por duas mães ou dois pais, exclamou: “Ó pai, mas isso é uma estupidez!” Já eu, devo confessar que ontem os meus filhos apanharam-me a beijar a mãe e exclamaram em coro: “Que nojo!”. Preferisse eu Pinto & Rodrigues a David Hume e, diante de uma reacção tão natural de três ex-espermatozóides, estaria agora condenado a defender a ilegitimidade da família heterossexual”.

João Miguel Tavares, hoje, no Público

37 thoughts on ““Marinho Pinto ao natural””

  1. A pachorra para aturar esta conversa começa a escassear.
    Parece que a sociedade de divide em os que NORMALMENTE gostam do sexo oposto e os outros.
    Que chatice!!

  2. Mais alguns elementos de filosofia moral aqui:

    “On the principle the challenger is correct in describing the is-ought fallacy. But rather than working against the teleological argument, that principle works against a common argument in favor of homosexuality, which is, if homosexual interests are natural to someone, they are therefore morally acceptable. That is an example of an is-ought fallacy.

    “The is-ought fallacy, first articulated by David Hume is put simply as you can’t get an ‘ought’ from an ‘is.’ The more precise way of characterizing it is this; You cannot have a syllogism that has a moral term in the conclusion if there is no moral term in the premises. To be a valid argument, the conclusion has to follow from the premises. You can’t have anything in the conclusion that isn’t already set up in the premises. Hume identified this particular fallacy in arguments that were based on mere descriptive elements but had a conclusion with moral terms in it. That is the is-ought fallacy.

    “People sometimes argue in favor of homosexuality by arguing that their inclination is natural, and if it’s natural, then we shouldn’t be making any moral objections about it. If that is their argument they are guilty of is-ought.”

  3. Ora na impossibilidade de obter algum «deve ser» a partir do «é» do Marinho e Pinto, e evitando inquirir junto da sociedade as normas por que ela se pretende natural ou artificialmente reger, como obter então um «deve ser» aceitável sem recorrer aos filhos do Pedro Madeira Rodrigues ou do João Miguel Tavares?

    Não digam, deixem-me adivinhar. Na ausência do David Hume, pergunta-se ao Bruno Nogueira que tem a vantagem de estar muito mais próximo dos faróis que nos iluminam:

    «Marinho Pinto: ‘nunca negar o que a natureza dá, um pai e uma mãe’. Marinho, nunca negar tambem a sida e o cancro, foi a natureza que deu».

    Assim já está bem. Papás, mamãs, sidas e cancros: dádivas da natureza que não se devem negar.

  4. Muito bem dito, João Miguel Tavares.

    Grassa por este debate irracional uma onda de imbecilidade e estupidez tal, que os paladinos do “natural” se esganiçam em contradições insanáveis e em confusões estapafúrdias, tentando despertar a besta que há em cada um de nós, em vez de elevar a mente e a sensibilidade que há em cada pessoa, mesmo que básica, ou ignorante.

    Experimentem perguntar a uma pessoa “normal” (no sentido estatístico, apenas), ou seja “média”, ou mesmo “módica” (esqueçam, os que não sabem Estatística), sem a tentar influenciar, o que pensam da co-adopção, esclarecendo bem o conceito e sublinhando que a questão nada tem a ver com a questão do casamento homo-sexual – precisamente porque é outra questão -, e verão que a maioria delas não vai achar nada de mais, sabendo que já é permitido adoptar legalmente, quer por casais, quer por solteiros.

    A única questão que se coloca e que deve ser discutida é a dos cuidados que se deve ter em QUALQUER processo de adopção, primeiro para assegurar a idoneidade do pretendente a adoptar, quer a celeridade do processo – aspectos fulcrais para defender o interesse da criança institucionalizada, ou em vias de o ser. Nada mais.

    O problema é que o ruído ensurdecedor à volta deste tema, misturando-o demasiado com preconceitos e questões do foro pessoal mal resolvidas, inquina perversamente a discussão e conduz a uma inútil e estéril emotividade.

    Crianças adoptivas é um facto da vida, desde o início dos tempos e sob as mais variadas formas, e o Povo, na sua grande sabedoria, aparentemente ingénua, mas muito profunda e testada empíricamente ao longo de séculos e gerações sucessivas, tem um provérbio simples, mas bastante elucidativo sobre o valor afectivo da adopção bem sucedida, independentemente dos motivos ou dos contextos em que a mesma se processe, e que reza singelamente assim:

    OU SANGUE, OU CRIAÇÃO.

    E é mesmo.

  5. O problema de colocarmos o «deve ser como é» de lado — Homo sum: nihil humani a me alienum puto, já lá dizia Terêncio — é que o casamento para casais do mesmo sexo não parece ser mais lógico do que o casamento à la carte para quem quiser casar, seja a comuna sexual desregrada, sejam os pais com os filhos ou os irmãos uns como os outros, sejam os rudes pastores com as ovelhas que são as meninas dos seus olhos ou as melhores tias de Cascais com os seus irrequietos poodles, sejam… e a coisa nunca mais acaba.

    O horror patente no «nós não somos desses!», célebre número de cabaret de Lydia Barlavento, a transsexual algarvia, pode ser inteiramente sincero, mas será mais lógico do que qualquer outro horror que não apele ao «natural»?

    Isto quanto ao casamento em si próprio, a que nenhum espírito tolerante deveria em princípio objectar, porque quanto à adopção, o que fica amplamente demonstrado é que as vanguardas homossexuais da revolução, como os antigos frentistas moscovitas, são exímias consumidoras de salame.

  6. & remeteu para aqui: “The birds and the bees may be gay, according to the world’s first museum exhibition about homosexuality among animals. With documentation of gay or lesbian behaviour among giraffes, penguins, parrots, beetles, whales and dozens of other creatures, the Oslo Natural History Museum concludes human homosexuality cannot be viewed as ‘unnatural’.”

    Típico red herring. Nada de mais natural do que a homossexualidade, ou o sexo entre pais e filhos, hetero ou homossexual: basta visitar a aldeia dos macacos para se perceber isso.

    Mas o que se discute não é o conceito de «natural», é o conceito de «normal». E a partir daí os conceitos de «normado» e de «normado desejável», coisa impossível de fazer, ao contrário do que o J. M. Tavares parece pensar, de forma unica e exclusivamente lógica, sem recurso a referências de tipo moral.

    E porquê «moral», sem recurso ao étimo «ethos» que nos remeteria, por assim dizer, para os simples usos e costumes? Porque o cerne da questão é justamente esse: o que é moral, numa socidedade (ainda) maioritariamente heterossexual, onde se deseja a felicidade das crianças, é entregar as crianças desprovidas de pais a pais substitutos normais e não a pais substitutos anormais.

    Note-se que a escolha moral não acompanha uma normalidade específica: numa sociedade humana predominantemente homossexual a escolha moral deveria ser a oposta, mas quanto tempo duraria uma tal sociedade, a menos de se tranformar num Brave New World de reprodução in vitro?

    A melhor solução para estes problemas de tipo institucional — em oposição aos do foro individual que só ao indivíduo devem dizer respeito, nunca será demais repeti-lo — parece ser aquela que, curiosamente, mais resistência suscita junto da vanguarda homossexual da revolução: ouvir a sociedade em plebiscito.

  7. Anel de Soturno disse: O problema é que o ruído ensurdecedor à volta deste tema, misturando-o demasiado com preconceitos e questões do foro pessoal mal resolvidas, inquina perversamente a discussão e conduz a uma inútil e estéril emotividade.

    Anel, a ideia de que questões como esta devem ser resolvidas em silêncio por pequenas vanguardas iluminadas é muito perigosa. Igualmente perigosa é a ideia de que práticas sexuais anormais, como a homossexualidade, o incesto ou a pedofilia são necessariamente preconceituosas ou advêm de foros pessoais mal resolvidos.

    Vamos ser um bocadinho mais tolerantes da sexualidade alheia que não pressupõe nem adopta a violência, okay?

  8. Baralhoco,

    o teu cérebro é uma meada impossível de desenovelar e mergulhado numa noite escura, dentro da caixa preta do «Airbus» que fazia o voo 447 da «Air France», antes de ter sido retirada das profundezas do Atlântico.

    Lamento imenso, caro patusco, mas nem o Dr. Júlio de Matos poderia fazer alguma coisinha por ti. Só tu. Mas primeiro tens de querer, sabes?

  9. Caríssimo Anel,

    Como resposta, convenhamos que é pouco, mas ajuda a perceber o tal «horror ao ruído», lá isso ajuda…

  10. li hoje num sitio qualquer que a lógica do gungun não se pode aplicar da forma que ele faz. tento explicar, não é “se estes podem então podem todos”, porque o “podem todos” deve opor-se na lógica a um “não pode nenhum”. se já há uns que podem e outros que não como no caso da adopção, que pelo que me dizem é um processo exaustivo de averiguação da capacidade do casal adoptante e da aceitação deste pela criança, então pode-se sempre alargar o ambito “dos que podem” sem obrigatoriamente termos de aceitar a universalidade da lógica aplicada, ou seja “então podem todos”.
    como neste caso nem sequer falamos de adopção mas apenas de co-adopção que é basicamente dar o direito a uma criança que vive e é educada por duas pessoas homossexuais a ter a segurança que representam 2 “pais” legalmente reconhecidos, parece-me do mais elementar bom senso a aprovação desta lei e que é a quem a contraria que cabe o ónus de provar as suas consequências nefastas.

  11. o problema é e será minorias quererem impor regras com excepções. prá semana é outra paneleirice qualquer para distrair do que é fundamental.

  12. Ena pá, um argumento lógico, tranquilamentre apresentado. Foguetes!

    Vou Ver Se Encontro disse (negrito): li hoje num sitio qualquer que a lógica do gungun não se pode aplicar da forma que ele faz. tento explicar, não é “se estes podem então podem todos”, porque o “podem todos” deve opor-se na lógica a um “não pode nenhum”.

    Certo. Mas nunca escrevi o que colocou entre aspas. A lógica não é a que o meu amigo julga. Não é «um belo engenheiro de olhos verdes engata um marujo búlgaro num fim de semana, casam-se na segunda feira, vão os dois ao juiz do tribunal arbitral de adopções e adoptam aquele puto com um escorpião tatuado no pescoço que dizia que o Herman que estava no Brasil o tinha papado à traição no Cais do Sodré, e depois zangam-se todos e lá temos mais um lar desfeito».

    Não, Vou Ver Se Encontro, não é bem isso. Vou ver se explico.

    É apenas um início ainda afastado de coisas caricatas talvez um bocadinho como essa, mas sobretudo, sobretudo, é um início do fim nada caricato de outra coisa muito diferente conhecida como «a família ocidental». E não estou a falar da máfia nem de nenhuma comédia de situação televisiva. Parece estranho, mas estou a falar do advento de inseminações por espermatozóides «que não são pais» reduzidos à condição de isqueiros de esquentador, de casais do mesmo sexo a proporcionarem as primeiras luzes sexuais progressistas aos seus rebentos e de confusos Big Brothers televisivos por agora; mas também de óvulos anónimos à venda em viveiros biológicos do terceiro mundo, dentro em breve; de fetos em frascos com descontos de fim de estação nos Pingos Doces do médio prazo etc..

    Mas por agora, concordo, é só a co-adopção, porque o casamento unisexo já está e a adopção tout court é só para amanhã de manhã.

    se já há uns que podem e outros que não como no caso da adopção, que pelo que me dizem é um processo exaustivo de averiguação da capacidade do casal adoptante e da aceitação deste pela criança, então pode-se sempre alargar o ambito “dos que podem” sem obrigatoriamente termos de aceitar a universalidade da lógica aplicada, ou seja “então podem todos”.

    Claro. Mas porque não alargar o «ambito dos que podem» a todos menos um, digamos um determinado pedófilo fetichista casado com uma chucha de borracha seleccionado no Big Brother (para ninguém discordar senão ele), continuando assim a não aceitar a universalidade da lógica do “então podem todos”? Assim ainda fica mais democrático e depois os nossos juizes — famosos pela sua perspicácia, como o processo Casa Pia demonstrou — decidem.

    como neste caso nem sequer falamos de adopção mas apenas de co-adopção que é basicamente dar o direito a uma criança que vive e é educada por duas pessoas homossexuais a ter a segurança que representam 2 “pais” legalmente reconhecidos, parece-me do mais elementar bom senso a aprovação desta lei e que é a quem a contraria que cabe o ónus de provar as suas consequências nefastas.

    Nomeio o Daniel Oliveira a quem já ouvi dizer algures que é claro que a co-adopção é, e deve ser, apenas o primeiro passo para a adopção tout court(para ele desejável).

    Mas ainda há mais grave, ó Vou Ver Se Encontro; é que estou em crer que nestas coisas de revoluções institucionais dos caras-pálidas que nada têm a ver com os direitos individuais outorgados pelo grande manitú (não existe nenhum direito à adopção), a grande maioria votaria contra, mas a pequena minoria iluminada acha que a pode dispensar, e isso também é muito perigoso.

  13. concordo que é preciso fundamentar objectivamente a oposição ao direito da co-adopção ou da adopção, porque também essa é contestada pelos mesmos. . O não porque não ou porque é coisa de paneleirices levar-nos-ia a termos ficado no neandertalismo forever.

    O fundamental é fundamntar, ignatz. E dizer que é só uma questão de paneleirice é um fundamento a favor da parte contrária à tua.

    E abençoadas minorias, são elas que levam a História para a frente. O instituinte, em sociologia, é o motor da sociedade. O medo reside no facto histórico de que a minoria instituinte se poder tornar uma instituída. E o que já está instituído resiste a trocar de lugar.

    é a dinâmica habitual mas inevitável. É melhor começarem a habituar-se, mas respeito a reacção. Não respeito é a reacção que não respeita. Para reaccionários parvos já tivemos a nossa dose. E quando dizem que os paneleiros não defendem o direito das crianças, tornam-se reaccionários hipócritas. Até parece que se preocupam com outra coisa que não seja a defesa opinião egocêntrica. Poupem-me, pás.

  14. O não porque não ou porque é coisa de paneleirices levar-nos-ia a termos ficado no neandertalismo forever.

    Hmmm, sabe por acaso a que se deveu a extinção dos ditos? Olhe que às tantas aquilo de pelos por todo o lado, e brutas arcadas e queixadas pode não querer dizer nada…

    O instituinte, em sociologia, é o motor da sociedade.

    Mais democrático como justificação para os casais unisexo, só mandado fazer à loja.

  15. quanto a comparar violadores pedófilos com homossexuais, nhanha, só posso dizer que tens um ódio imenso e uma falta de moral que tentas maquilhar com racionalismo. Que se foda o teu racionalismo psicótico. É um nazi perfeiro e devias lamber o rabo do valupi por te dar tempo de antena. O nazismo é crime.

  16. E onde raio é que eu falei em «violadores pedófilos», ó suprema tresleitora?!

    E depois sou eu que estou cego pelo ódio…

  17. já dei para isso, nhanha. falaste em pedófilos (sem adicionar a palavra violadores) mil vezes, partindo do princípio, portanto, que as crianças são todas colaboradoras entusiásticas. Na volta elas é que são as depravadas contra-natura. Estás cego pelo ódio . Direi mil vezes o mesmo. A ideologia em que te apoias é uma ideologia de ódio. Tás com o rabo de fora, meu caro. És uma aberração contra-natura. Uma coisa anormal, tal como algumas classes a que te tens referido indiscriminadamente. Numa coisa te dou razão, se uma parte delas tem direito, na tua magnânime “condescendência”, a existir, tu também o tens. Mas com os mesmo direitos limitados. Não percebo é porque é que não tos limitaram ainda aqui. Sobretudo porque o patrão já está farto de dizer que vale tudo aqui menos nazismo e racismo. Tás cheio de sorte: eu, só por atacar a isabel senhora deputada, calaram-me o pio.

  18. “concordo que é preciso fundamentar objectivamente a oposição ao direito da co-adopção ou da adopção, porque também essa é contestada pelos mesmos. . O não porque não ou porque é coisa de paneleirices levar-nos-ia a termos ficado no neandertalismo forever.”

    existe há bués uma lei da adopção que prevê as condições necessárias para ser adoptante, cumpra-se a lei e deixem-se de folclore.

    “O fundamental é fundamntar, ignatz. E dizer que é só uma questão de paneleirice é um fundamento a favor da parte contrária à tua.”

    paneleirice é o folclore à volta da questão, opções sexuais à parte

    “E abençoadas minorias, são elas que levam a História para a frente. O instituinte, em sociologia, é o motor da sociedade. O medo reside no facto histórico de que a minoria instituinte se poder tornar uma instituída. E o que já está instituído resiste a trocar de lugar.”

    não tenho medo porque a coisa não se pega e tamém não sou dirigente instituído ou a instituir. não vou à bola com a irracionalidade cromagnosa de uns e o oportunismo folclórico de uma minoria fundamentalista armada em pugressista, que de tão prá frentex que é, fez o cagarim que fez, vejam bem, para se poderem casar e imitarem os atrasados que tanto criticam.

    “é a dinâmica habitual mas inevitável. É melhor começarem a habituar-se, mas respeito a reacção. Não respeito é a reacção que não respeita. Para reaccionários parvos já tivemos a nossa dose. E quando dizem que os paneleiros não defendem o direito das crianças, tornam-se reaccionários hipócritas. Até parece que se preocupam com outra coisa que não seja a defesa opinião egocêntrica. Poupem-me, pás.”

    não percebi peva, mas acho respeitável como argumento.

    quanto ao gugu e por falares em pás, recomendo o pasolini
    http://www.youtube.com/watch?v=R7GKRaR390k

  19. Edie disse (negrito): já dei para isso, nhanha. falaste em pedófilos (sem adicionar a palavra violadores) mil vezes, partindo do princípio, portanto, que as crianças são todas colaboradoras entusiásticas.

    Gentil interlocutora, e que permite esse prodígio de imaginação a não ser uma reacção pavloviana a uma simples palavra, 180 graus ao arrepio do seu significado semântico e de todos os contextos em que ela foi usada? Estás a ver o que quero dizer quando falo em condicionamentos irracionais…

    Na volta elas é que são as depravadas contra-natura.

    O quê, queres dizer de origem? Bem algumas talvez, pode não ser impossível. Francamente não sei e não o vou negar a pés juntos, mas mesmo assim parece-me que transformar a tábua rasa moral — nem boa, nem ná — numa espécie de tábua podre à partida, antes de qualquer processo de aprendizagem, parece-me muito arriscado, mesmo para uma pequena minoria.

    Estás cego pelo ódio.

    ???

    Direi mil vezes o mesmo.

    Uma… (isso já não me custa acreditar porque sei que o amor também cega).

    A ideologia em que te apoias é uma ideologia de ódio.

    Ideologia? Qual ideologia?

    Tás com o rabo de fora, meu caro.

    De facto não é nada recomendável nos tempos que correm. Obrigado.

    És uma aberração contra-natura.

    *snif*

    Uma coisa anormal,

    *snif*

    tal como algumas classes a que te tens referido indiscriminadamente.

    Mas então a indiscriminação positiva não é boa?

    Numa coisa te dou razão, se uma parte delas tem direito, na tua magnânime “condescendência”, a existir, tu também o tens.

    Obrigado. Já fico um pouco mais consolado.

    Mas com os mesmo direitos limitados.

    Ah bom, ainda bem que ficam alguns.

    Não percebo é porque é que não tos limitaram ainda aqui.

    Devo confessar que também me causa alguma estranheza. Se calhar estão distraídos.

    Sobretudo porque o patrão já está farto de dizer que vale tudo aqui menos nazismo e racismo.

    Mas que grande parvoice. Não sei quem é, mas esse gajo devia ter juizo. Os pontos de vista que mais interessa ouvir são justamente os oficialmente perseguidos. Senão estamos só a brincar às liberdadezinhas.

    Tás cheio de sorte: eu, só por atacar a isabel senhora deputada, calaram-me o pio.

    Qual Isabel, a Moreira? Se calhar exageraste nos insultos patarecos em vez de argumentar como as pessoas decentes, e depois, olha…

  20. ignatz e nhanha,

    vejo que estão sintonizadassímos na táctica: cortar o argumento contrário aos bocadinhos, (des)responder aos ditos bocadinhos descontextualizados e aproveitar para mandar umas bocas jeitosas de afago ao ego (ai que giraços que somos a desconversar) e não responder, no fundo, a nada. às vezes estou para aí virada, daí perceber a táctica.

    Isto é a argumentação das pessoas decentes (nhanha). Pois…

  21. Ó Edie, essa do «vale tudo aqui menos nazismo e racismo» é que me deixa mesmo de cara à banda. Mas que colossal baboseira! Isso é exactamente o mesmo que plasmar as directivas do Ministério Global da Propaganda direitinhas na nossa cartilha privada! «Vale tudo menos isso e aquilo» é o ponto de vista oficialmente reconhecido, exigido e sujeito a condecorações. É como dizer «pázinho, não vás mais longe, que isto aqui é mais do mesmo a perder de vista».

    Só por causa disso, decreto-me ofendido e censurado e vou zarpar para o Shangri-la de vale de lençois. Mas hei-de voltar, como o general MacArthur e então é que vai ser o bom e o bonito!

    Até amanhã.

  22. Entretanto, no seu Shangri-la de vale de lençois, Gungunhana é assaltado
    por sonhos eróticos impróprios de uma caixa-de-comentários…

    Mas de manhã regressará para dissertar sobre a previsível extinção da família
    heterossexual e os perigos para a humanidade de uma mutação da “normalidade
    definida por eões de reprodução sexuada e organização social à sua volta”.

  23. Alguns cartoonistas não dintinguem entre moda e modernidade, até
    em França, país com responsabilidades num e noutro campo.
    Eu diria que a pobre menina se recusa a ser adoptada, mas que isso
    também poderia acontecer tendo os próprios progenitores à sua frente.
    Bastante sério, é não querer perceber que as crianças, felizmente, não
    são abertas nem fechadas à modernidade. Nem preconceituosas, como
    a maioria dos adultos, antes de alguém lhes fazer a cabeça com o certo
    e o errado.

  24. «Bastante sério, é não querer perceber que as crianças, felizmente, não são abertas nem fechadas à modernidade. Nem preconceituosas, como
    a maioria dos adultos, antes de alguém lhes fazer a cabeça com o certo
    e o errado.»

    Uau, isto é que vai ser um vê-se-te-avias assim que alguma minoria pedófila iluminada tiver poderes legislativos para decretar mais casamentos reguilas.

  25. Já cansa, forçar a ligação entre homossexualidade e pedofilia. ainda por
    cima, sabendo-se que maioritáriamente os pedófilos são heterossexuais
    (excepto nas televisões, claro).
    E o casamento alheio, diz respeito a quem? Têm medo de quê?
    Atinge-vos em quê?
    Ora, deixem-se de tretas.

  26. Roteia, a ligação entre homossexualidade e pedofilia não é absolutamente nada forçada, mas também não é do tipo que refere. É muito mais subtil: é a ligação entre as bruxas de ontem e as bruxas de hoje.

    E o mais interessante do ponto de vista antropológico e psiquiátrico é a constante necessidade que as sociedades humanas revelam de abastecer de bruxas (imaginárias) as suas fogueiras (reais). Daí essa estranha sensação de relutância e rejeição que o paralelismo lhe provoca.

  27. Capuxôna,

    Nem sequer é preciso co-adaptação. Basta medir a salivação do cônjuge adulto e o desenvolvimento sexual das crianças púberes (obviamente mais simples nas meninas, mas igualmente testável nos meninos), e pronto está a andar.

    Pelo argumento naturalista de Marinho-Tavares [1] segundo o qual o que é natural é bom, como os iogurtes e os sumos, deveríamos ter mais casamentos encantadores a caminho, de resto em consonância com as práticas sexuais históricas de quase todas as épocas e com a própria aldeia dos macacos (até se conta a história daquele macaco que a brincar, a brincar, apanhou a mãe de costas), para já nem falar nas girafas e pinguins, como no recorte do Daily Mail referido mais acima por um prestimoso naturalista da mesma escola [2].

    O problema, é claro, é que, ao contrário da multivariada actividade sexual, o casamento é uma invenção das sociedades humanas organizadas. Claro que tudo o que acontece na natureza é natural, mas se quisermos seguir critérios naturalistas no sentido de Marinho e Tavares temos que colocar o casamento ao lado dos artifícios humanos como, digamos, a máquina a vapor ou o do jogo de xadrez, e não ao lado dos vários tipos de cambalhotas sexuais das mais variadas parcerias que a história regista e volta a registar.
    ________________________

    [1] Argumento resumido: Natural = Bom.
    Marinho: parentalidade homo não é natural, logo não é boa.
    Tavares: sexualidade homo é natural, logo é boa.

    [2] Mas cuidado com a tendência excessiva para modelar as instituições humanas pela «natureza»: os macacos são geralmente fascistas, os insectos comunistas etc.

  28. Está enganado. Pedofilia é sexualidade. E é sexualidade criminosa se envolver
    um adulto, homem ou mulher, e uma criança, menino ou menina. Qualquer
    referência histórica, antropológica, literária ou estética, não atenua as feridas
    que tal forma de sexualidade implica. Não há subtileza que lhe valha, nem
    bruxas, nem fogueiras.
    O paralelismo só pode convir ao jornalismo sensacionalista ou a todos aqueles
    que pretendam estigmatizar a homossexualidade.
    O relacionamento (homo)sexual entre adultos, homens ou mulheres, é coisa
    que só aos próprios diz respeito. Na cama desses adultos vale tudo menos
    tirar olhos.
    As legislações que descriminalizam as práticas ou vivências homossexuais
    (normais) reconhecem isso mesmo. Com impacto civilizacional. E as legislações
    que possibilitam o casamento e, consequentemente, a adopção, não impondo
    a ninguém que o faça mas apenas que aceite que outros o possam fazer,
    reconhecem que discriminar por motivos de “orientação” sexual é um erro. Evidentemente, é.
    Para concluir: um dos aspectos que maior estranheza causa nestas discussões
    é ausência de referência a valores afectivos, tidos por pieguice ou coisa pior.
    Ainda que estes valores sejam secundários no que respeita às regras de um
    contrato legal, como argumento da discussão definem aspectos fulcrais que
    estão muito para lá do desejo e da carne.

  29. Roteia: «Está enganado. Pedofilia é sexualidade».

    Ah sim? Julguei que era o culto do CR7, mas lembrei-me agora que isso é podofilia! Obrigado pelo esclarecimento. Continuamos amanhã que isto faz cá uma soneira…

    Coitada da Moreira. Não sei como é que ela aguenta.

  30. O início do texto, de facto, não é claro.
    “Está enganado.” ——- refere-se à “ligação entre homossexualidade e pedofilia”
    “Pedofilia é sexualidade” —— quer dizer, que é tão homo como hetero.

  31. Ah bom. Portanto estou enganado porque dizer que as homobruxas cederam o lugar às pedobruxas implica que não há homopedobruxas. Mas que las hay, las hay…

    zzzzzzzzzzzzzz

  32. Tavares chamou “ex-espermatozóides” aos filhos.

    Gostava de os conhecer pessoalmente, para perceber se lhes falta alguma coisa, já que aparentemente foram feitos sem colaboração de óvulos. Terão sido fertilizados in sperma?

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