Mais uma campanha intolerável da CIG contra a violência doméstica

Aqui pode ver-se o vídeo da campanha “dê um murro na mesa”, essa coisa que a vítima tem certamente e sem margem para dúvidas a possibilidade de fazer.

Pelos jornais e revistas circula a fotografia da mulher marcada de nódoas negras, e – imagine-se, de culpa, porque a campanha põe o foco nas consequências que o silêncio da esmurrada tem no seu filho: cada vez que “você” apanha o “seu filho também apanha”, é a mensagem. ´

A vítima, nesta campanha, é confrontada com as “feridas” que a violência do seu companheiro deixam na criança, logo é bom que ela deixe de ser conivente com o agressor e que, se não for por ela, que seja pelo seu filho, mas que se mexa, que “dê um murro na mesa”.

Faço parte da Comissão Parlamentar para a igualdade. Tomarei medidas como outros o farão. Isto é irrealista, irresponsável e altamente culpabilizante da vítima.

4 thoughts on “Mais uma campanha intolerável da CIG contra a violência doméstica”

  1. não vejo nada disso nesta mensagem. vejo, isso sim, culpabilização do agressor face a mais do que uma vítima – vejo uma injecção potenciadora de coragem para a não permissão da violência, não fossem os filhos a maior e a mais forte razão dos pais.

    obviamente que não se trata de uma questão de fácil e linear resolução atendendo até, muitas vezes, à dependência económica da vítima directa mas o objectivo da campanha, como eu a entendo, não é focalizar a culpa na vítima mas antes sobrevoar os efeitos mediante uma só causa. dar um murro na mesa, o vai-te foder que a minha, a nossa, vida não é isto, é a melhor expressão que eu conheço para consciencializar as vítimas que a vida não acaba, não pode acabar, ali. porque é, muitas vezes, por falta de coragem e por ignorância – aquela coisa do não o vou deixar porque tenho filhos pequenos que precisam da família unida nem que seja a fingir – que o comportamento permissivo persiste.

    a não ser que alguém sugira uma campanha fortemente direccionada para o agressor: se insistes em ser violento, arrancamos-te as virtudes penduradas e verás o que é o tormento, em decreto-lei, não estou a ver outra forma de chamar a atenção para esta enfermidade que não seja pela consciencialização do poder da vítima – para lutar por si e pelas crias.

  2. Ola,

    Ainda não fui ver o filme em causa, mas lembro-me muito bem de uma discussão neste blogue sobre o mesmo assunto.

    Vamos la ver uma coisa, se uma campanha de prevenção não apela à denuncia do crime pela sua vitima principal, se necessario usando a tactica de a culpabilizar pelas consequências do seu silêncio (o que so tem sentido em relação às consequências sobre os outros, uma vez que se pode razoavelmente presumir que as consequências sobre ela mesma não chegam para fazê-la reagir), então para que serve a campanha, ao certo ?

    Como é que a Isabel Moreira concebe uma boa campanha neesta matéria : “Reza Maria que não tens culpa nenhuma e que vem ai o dia da ressureição” ?

    Esta tudo doido ou quê ?

    Boas

  3. Concordo com a Olinda e o João.

    Acrescento o que está escrito na página da campanha:
    41,5% das 28.980 participações do crime de violência doméstica foram testemunhados por crianças.

    Conheço pessoalmente casos de crianças que testemunharam agressões entre os seus pais. Uma delas, ainda na pré-adolescência, falava em querer morrer. Outra nem sequer era capaz de erguer os olhos ao pai. Outra tolhia-se mal ouvia a sua voz.

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