E quando todos pensavam que era limpinho, eis que a direita vota contra. Deprimente.

“PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 120/XII (1.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO MEDIDAS QUE DESENCORAJAM PRAXES VIOLENTAS E QUE APOIAM OS ESTUDANTES VÍTIMAS DESSAS PRAXES
Todos os anos assistimos em muitas instituições de ensino superior, público e privado, a praxes violentas, como se o momento de entrada no ensino superior fosse um momento de excepção, onde tudo é permitido.
Nos últimos dez anos multiplicaram-se os casos de violência associados às praxes de Norte a Sul do país. Alguns destes abusos chegaram mesmo às páginas dos jornais, oferecendo visibilidade a uma realidade que vai muito para além dos casos conhecidos.
De facto, em 2003, a aluna do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros, Ana Sofia Damião, denunciou as agressões a que havia sido sujeita durante as praxes. A instituição de ensino decidiu na altura defender os agressores e, posteriormente, sancionar tantos os agressores como a agredida de igual forma, defendendo corporativamente a violência.
Em Março do mesmo ano Ana Santos, da Escola Superior Agrária de Santarém, também denunciou a violência das praxes a que foi sujeita, realizando uma queixa na polícia e escrevendo uma carta ao Ministério Público. Neste caso, o presidente do Conselho Directivo abriu um inquérito sobre o sucedido mas, simultaneamente, deu uma entrevista à revista Visão onde defendia que também ele tinha recebido bosta no corpo e que era essa a tradição daquela escola agrária.
Já em 2004 veio a público um caso bastante mais grave. Diogo Macedo, aluno da Universidade Lusíada de Famalicão, faleceu no hospital após uma praxe da tuna daquela instituição. A Universidade Lusíada de Famalicão não abriu qualquer inquérito e fez saber que qualquer aluno que prestasse declarações à imprensa sobre o sucedido seria expulso. Nunca se veio a conhecer o que aconteceu naquela praxe e o processo judicial foi arquivado. A família do Diogo Macedo até hoje não teve respostas das autoridades.
A 28 de Novembro de 2006, um estudante da Escola Superior Agrária de Coimbra ficou paraplégico como resultado de uma praxe. A escola lamentou o sucedido e o Ministério com a tutela do Ensino Superior na altura apelou à responsabilidade das instituições, mas nunca foi aberto nenhum processo judicial ou cível e a culpa morreu, de novo, solteira.
No mesmo ano em Elvas, um outro aluno ficou também paraplégico depois de um acidente numa praxe académica. Neste caso os organizadores da praxe alegaram que o aluno tinha participado de livre vontade e a faculdade rejeitou qualquer responsabilidade, apesar do acidente ter ocorrido nas suas instalações.
Já em 2011, os jornais deram conta de uma aluna do primeiro ano da Academia Militar do Exercito que foi internada devido à violência de uma praxe nas instalações da Escola, na Amadora.
Os exemplos repetem-se e são a face visível de que não se tratam de casos ou abusos pontuais, mas sim de uma cultura de violência inerente à prática da praxe. Subjacente a estas práticas detectamos uma hierarquia inventada e arbitrária, que se instala entre alunos e alunas duma mesma escola, alimentando todo um sistema de obediência de uns mais fracos para com outros mais fortes.
Durante vários anos as instituições de ensino superior, públicas e privadas, contribuíram para a banalização das praxes, incluindo-as nas cerimónias oficiais, dando relevo às chamadas Comissões de praxe ou Conselhos de Veteranos e referindo-as na sua propaganda destinada aos alunos.
Em Abril de 2008, na sequência de um conjunto vasto de requerimentos do Bloco de Esquerda a instituições do ensino superior, bem como da discussão do Projecto de Resolução n.º 254/X (3.ª), que o mesmo partido apresentou, no sentido de recomendar a criação de gabinetes e linha verde de prevenção da violência das praxes e de apoio às vítimas dessas práticas, a Comissão de Educação e Ciência aprovou o relatório intitulado “As praxes académicas em Portugal”. Este relatório, que recebeu 38 contribuições de instituições do ensino superior de todo o país, realizava a resenha histórica da praxe e propunha medidas de apoio aos estudantes vítimas de praxes violentas e de responsabilização das Universidades.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior da X Legislatura, observando as propostas da Comissão de Educação e Ciência, enviou às instituições de ensino superior um memorando onde informava os Conselhos Directivos que seriam responsabilizados caso ocorressem problemas na sequência de praxes nas suas escolas. Em resposta, muitos Conselhos Directivos decidiram proibir as praxes académicas no interior das universidades e politécnicos.
Assim, as praxes académicas mantêm hoje os moldes autoritários e potencialmente violentos mas ocorrem na via pública, fora das instalações das universidades e politécnicos. Esta mudança do local onde ocorre a praxe não solucionou nenhum dos problemas que foram apontados pela Comissão de Educação e Ciência em 2008, não ajudou a proteger as vítimas de praxes violentas, desresponsabilizou os Conselhos Directivos das escolas e aumentou a insegurança a que os alunos que participam nas praxes estão sujeitos.
Deste modo, o Bloco de Esquerda considera que se devem retomar as propostas apresentadas em 2008, de forma a evitar que, de novo, aconteçam casos de violência nas praxes, com prejuízo dos alunos e alunas do Ensino Superior.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
4 DE NOVEMBRO DE 2011
1. A realização de um estudo nacional sobre a realidade da praxe em Portugal, levado a cabo por uma equipa multidisciplinar de uma instituição de ensino superior pública, financiado pelo Ministério da Educação e Ciência e cujos resultados sejam públicos e tornados acessíveis on-line.
2. A produção e divulgação pelo Ministério da Educação e Ciência de um folheto informativo sobre a praxe no meio estudantil, a ser distribuído no acto das candidaturas em cada instituição de ensino superior do país.
3. A criação de uma rede de apoio aos estudantes do ensino superior que permita acompanhamento psicológico e jurídico aos estudantes que solicitem apoio e que denunciem situações de praxe violenta ou não consentida, disponível no sítio da internet do Ministério da Educação e Ciência.
4. Uma recomendação por escrito dirigida aos órgãos directivos das escolas no sentido de estes assumirem uma postura que não legitime as práticas de praxes violentas no interior ou no exterior das instituições de ensino superior, nomeadamente em todas as cerimónias oficiais das escolas.
Assembleia da República, 2 de Novembro de 2011.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda: Ana Drago — Luís Fazenda — Cecília Honório — João Semedo — Francisco Louçã — Catarina Martins — Pedro Filipe Soares — Mariana Aiveca”.

15 thoughts on “E quando todos pensavam que era limpinho, eis que a direita vota contra. Deprimente.”

  1. tá bem, vai botando mais uns lençóis desses que o maralhal esquece aquela merda sobre o bastonário. ganha juízo e já agora vergonha.

  2. Mai um post de democrático descontamento da militantíssima Isabel M. Moreira, digna representante da maçónica socialista, ainda que constituido por uma citação das alforrecas do Bloco de Esquerda. Com uma guerra generalizada que pode começar a todo o momento lá prá terra dos árabes e judeus, não se pode dizer que a senhora tenha feito um grande esforço para encaminhar os cérebros de leitores e colaboradores deste blogue para as coisas que realmente interessam: as a nível planetário e longe das paneleirices de conversas de prostitutas intriguistas da cena lusa de muitos carneiros políticos obedientes aos mandarins do poder político internacional mantido a poder de grande dinheiro.

    Enfornar assim como a Isabel, não é bastante para lhe chamarmos burra, e ainda menos para a acusarmos de estar bêbeda*. É praxe o que a motiva, não há outra explicação de maior agrado do maior número de pessoas.

    *Ofensa ligeiramente ofensiva inspirada na cana de pesca internacional do Valupi num dos seus dos últimos posts.

  3. Haverá, neste país, praxe mais violenta que a praticada pela nossa magistratura no exercício fraudolento da justiça? Essa que se passa nas universidades é uma brincadeira de garotos, se comparada com a tortura de inocentes e protecção dos crápulas dos nossos juizes e procuradores. E agora têm a ministra que lhes enche as medidas. Andam babadinhos. Ainda mais que a Isabel deputada independente PS.
    Estamos mais fodidos do que eu sopunha.

  4. Obrigado, já desconfiava que iria ser assim, pois na comissão os meninos da maioria já andavam com desculpas sem pés nem cabeça para chutar para canto a proposta.
    Sabendo que a maior parte das vezes os mais violentos praxistas são os filhos de patos-bravos e dos chico-espertos que tem a bolsa cheia de dinheiro mas que não mamaram a educação deste tenra idade, não é nada de espantar.
    Depois fazem aquele ar compungido e de olhos no chão lamentam as cenas tristes que em matilha praticam a coberto de uma tradição que não respeitam, nem sabem respeitar.

  5. parabéns por este post informativo e pela votação, desta vez normal, do ps.
    e não ligue às bocas dum tal ‘kalimatanso’ foleiro e mal-criado: é sempre assim!
    mas… sobre o seu post anterior, isabel, isabelinha, meu (ex?) amor! passei aqui, li aquilo e nem pude acreditar. mas que raio é que lhe deu? foi mesmo a autora daquelaa coisa? insiste em insistir num desbragado ‘tanto, mas tanto ÓDIO ao presidente da minha ordem’? será que estamos a assistir em direto a um suicídio de caráter? será já a prematura queda de um anjo, ó meu (ex?) anjo?
    sabe, eu não sou da escola do retrovisor. numa atitude que creio ser a do povo portugês, sou assim mais como o senhor dos passos: cá vou sendo levado – e vendo, lendo e (des)confiando – , mas sempre, sempre, de pé atrás. com o pé atrás agora mais fincado, espero ainda, no entanto, que uma tão jovem e promissora personalidade como é (era?) a sua se não deite a perder em batalhas indignas e inglórias quando tanto há a fazer neste momento crítico da nossa história e da história da europa.

  6. brrr,

    Se a Isabel fosse Moi, ou se Moi fosse a Isabel, mandava-te levar na Real Pídea ou então submetia-te a torturas “anacrónicas” na presença dum representante da tua Ordem de parasitas, para evitar certas merdas.

  7. KALIMATANSO, tens uma tendência irreprimível para falar de cu e de merda, até o anonimo já deu pelo cheiro a metano. A tua tola está a precisar de WC Pato, vassourinha de piaçaba e autoclismo.

  8. brrr,

    Talvez o grunhito (possivelmente de merda civil enriquecida com vitamina artificial) que és me possa curar da má-educação que te incomoda. Olha, num primeiro esforço educacional podes espetar aqui uma lista do “tanto” que falta fazer na situação histórica muito crítica de Portugal e do resto da Europa, que era afinal o que devias ter feito quando deste o raspanete de roçar cu por esquinas à Isabel.

    Se tiveres problemas (por exemplo, em enxergares o dedo maçónico nas constituições políticas da Europa) vai ao manual e vê como é que isso se faz. Ou pede à Isabel, especialista nessas coisas.

  9. É muito bem feito, para os palerminhas do Bloco de Esquerda perceberem o que deitaram fora a 24 de Março, amancebando-se vergonhosamente com os defensores, entre muitas outras coisas, do vale-tudo nas praxes académicas! Mas nem sei se eles conseguem atingir isto.

    Agora deleitem-se a fazer projetos de lei para o arquivo redondo, aliviem as suas consciências, sejam efetivamente muito burros, mas não nos queiram fazer de asnos a nós. Lançaram a anterior Assembleia da República pela pia abaixo, coitados, sem fazerem a mínima ideia da que iam ajudar a eleger. Uns perfeitos inúteis…

    Por mim, escusam de voltar a bater-me à porta. É peditório para o qual nunca mais darei. Contentes?

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