Da “narrativa”, segundo Poiares Maduro

Poiares Maduro teceu considerações pessoais sobre José Sócrates e depois afirmou que o ex-PM está a construir uma “narrativa”, o que por natureza é uma “ficção”, a qual, repetida várias vezes, pode passar por “verdade”.

Ouvir isto não nos faz recordar José Sócrates, mas a campanha de propaganda levada a cabo contra o anterior Governo, que passou pelo PSD e pelo PR (e não só). Isso sim foi uma narrativa descarada.

Hoje, quem tem construído uma narrativa de meses a meses é o Governo PSD/CDS, que chegou ao poder rejeitando ferozmente medidas “disparatadas” como o aumento de impostos ou o ataque a funcionários públicos e a reformados/pensionistas.

Este Governo vai levando a cabo uma agenda, que estava escondida (bom, havia aquela coisa, um projeto de Constituição que foi cuidadosamente posto de parte) anunciando, em prol de uma paz social útil, desde o início, medidas e metas, sempre com um prazo, para, de mês a mês, esmagar a segurança dos cidadãos com mais medidas de “austeridade expansionista”, novos números (resultados falhados) e novas metas.

Narrativa, pois. E medo. Viver de acordo com o anunciado e acordar para uma realidade diferente, à conta de revogações sistemáticas do anunciado (que o Governo previa desde o início), é viver com medo. E isso é ilegítimo. É, de resto, uma política de infantilização do povo.

Mas o que preocupa Poiares Maduro é Sócrates. E deve preocupar. Porque Sócrates diz coisas que têm correspondência exata com a realidade, sendo mais fácil tentar descredibilizar Sócrates, num regresso aos ataques obscuros do passado, do que referir-se, por exemplo, a Manuela Ferreira Leite.

Vamos com 8 trimestres consecutivos em que o investimento não para de cair a dois dígitos. Não sendo isto mentira, é realmente melhor atacar Sócrates e omitir instituições independentes e do Estado que andam entretidas nas mesmas narrativas que afligem Maduro.

Calha que ao fim de dois anos já não convence ninguém deslocar uma política concreta para Sócrates, fazendo mesmo piadas sobre escolhas pessoais, como ir para Paris estudar, o que não devia ser matéria de análise, não fosse uma atitude pidesca de desespero.

Podia Poiares Maduro, que no passado criticou o Governo que integra, tentar safar o Executivo culpando o triunvirato, para usar o inovador conceito do CDS. Mas isso já  PSD e CDS fizeram.

Outra narrativa? Sim.

O Triunvirato veio para Portugal à conta da verdadeira narrativa de propaganda que levou à queda do anterior Governo. E com muita utilidade  para a investida que a direita preparava.

O amor pelo memorando era tanto, que cortar subsídios e reformas foi assumir que havia um programa próprio muito para além do memorando, já revisto sete vezes. Cortes como os referidos foram sempre anunciados como provisórios, e cá estamos nós numa recessão sem memória, a qual, por este caminho, nada terá de provisório.

Vitor Gaspar anunciou à pátria uma reforma do Estado. Esqueceu-se que isso começa por repensar o aparelho governativo e por melhorar o Estado e não por despedir e cortar – o que causa mais recessão e mais despedimento – na exata medida do buraco criado pelas medidas do Governo.

Reformar o Estado também não passa por deitar fora, por mero preconceito ideológico, medidas do passado que flexibilizaram a Administração e melhoraram o Estado nas suas várias dimensões, como no ensino.

Narrativa?

Narrativa é ler a carta que o PM escreveu à Troica afirmando que a mobilização dos funcionários públicos facilita a sua transição para o privado. Isto não é despedimento, portanto. Andei anos a pensar que quebrar um vínculo laboral por iniciativa do empregador é despedimento, imagine-se.

Poiares Maduro não tem grande importância. Já se diluiu na semântica criativa de Gaspar e Passos. O que tem importância é estarmos onde estamos quando havia uma alternativa.

O que tem importância é a desesperança que encontramos a cada esquina.

9 thoughts on “Da “narrativa”, segundo Poiares Maduro”

  1. a presidenta e 4/26 dos ministros do brasil estão desde ontem em lisboa e a imprensa portuguesa acha que vieram cá para entregar uma sameira ao mia coto, mamar um jantar em queluz e ala que se faz tarde. não convidaram as visitas para irem a elvas com medo que a brazucada alinhasse nas vaias ao gerente do circo e ao palhaço.

  2. O ministro maduro é mais uma formatação feita nas escolas da JSD, com a agravante
    de saber ouvir a música … logo, não sabe dançar, assim sendo dikz o Povo é mais um
    velhaco à solta!
    Bem se pode juntar a outra “estrela” com origem nas JSD que já ascendeu a 1º vice
    do partido e que, também gosta de torcer os assuntos fazendo de todos meros baba-
    cas ou, pensa que está a falar para dentro do seu partido!!!

  3. Este Maduro também já foi ao fundo. Caiu de maduro.
    E eu que estava agora para lhe chamar filho da p. mas, lembrei-me de repente que não posso. Então se o outro chamou palhaço ao palhaço de Belém como posso eu chamar filho da p. ao Maduro? Como não posso chamar-lhe esse nome feio que era o único que lhe ficava que nem uma luva então fico-me por aqui e não lhe chamo! Foda-se! Onde é que eu estaria metido se fizesse uma coisa dessas.

  4. A “narrativa” é por natureza uma “ficção”, diz então este maduro? Coitadito…

    Onde é que se meteu a sua professora de Português do Ciclo Preparatório, pobrezinha, a borrar a cara de preto?

    Nem merece uma nova oportunidade, Seguramente!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.