O soldado Pires deve ter comido alguma coisa que lhe caiu mal

Pires de Lima, o soldado disciplinado, mandou a disciplina às urtigas e de uma penada desmentiu a ministra das Finanças e o ministro da Saúde. A taxa sobre as guloseimas, que ambos tinham admitido poder vir a existir, é pura ficção. Pires de Lima não ouviu falar dela em nenhum Conselho de Ministros e, sendo assim, não passa de especulação que só prejudica a economia.

Se calhar, termos um Governo cujos ministros passam a vida a desmentirem-se uns aos outros, publicamente, com aquela espécie de primeiro-ministro a assistir, também não faz bem nenhum à economia. Mas isto sou eu a especular, não foi nada disso que se passou.

Não tarda nada aparece um outro membro do Governo, ou o próprio Pires de Lima, a esclarecer que tudo não passou de um mal-entendido, que os jornalistas perceberam mal e que a tal taxa está apenas a ser estudada por um grupo de especialistas, que ainda por cima não fazem a mínima ideia de quando terão o relatório concluído. E não se fala mais nisso.

5 thoughts on “O soldado Pires deve ter comido alguma coisa que lhe caiu mal”

  1. Pires de Lima, o “soldado disciplinado”, não é diferente da demais tropa fandanga deste governo. Também sabe mentir, fazer contra-informação, e cuidar dos interesses da classe endinheirada. Taxar o excesso de açucar, de sal e de álcool é reduzir o negócio dos hipermercados e dos festivais Superbock. Não podemos esquecer que o ministro da Economia está no governo com licença sabática da Unicer. Enquanto isso, só lhe resta recomendar aos portugueses que bebam cerveja isenta de taxas, até ficarem grogues… Todos bêbedos.

  2. Tudo isto passou a ser normal. De manhã alguém do governo diz algo, à tarde outro diz o contrário e depois mais tarde outro diz talvez. O pior mesmo é… «E não se fala mais nisso.» é a aceitação acrítica de todos estes desvarios, como se se tivéssemos de estar sujeitos a uma condenação, é isto que temos, é isto que merecemos, é o nosso destino…

  3. discutir o diz-que-não-disse é uma técnica de manter a oposição ocupada a dizer aquilo que o governo quer. fónix! até parece um pinsamento profundo da bécula.

  4. O possível agravamento da carga tributária sobre determinados produtos, considerados perigosos para a saúde, anunciado pela Ministra das Finanças como medida de redução do défice das contas públicas, constitui, nos moldes em que foi anunciada, uma medida hipócrita e perversa.

    Creio eu, porventura na minha ingenuidade, que uma medida daquele tipo deverá ter como objectivo desincentivar, penalizando fiscalmente, o consumo dos ditos produtos perigosos. Trata-se, assim, de uma medida de saúde pública, a promover pelo Ministério da Saúde, para cuja tomada deverá ser ouvida, entre outras, a classe médica. Financeiramente, se bem sucedida a medida poderá, a prazo, permitir poupanças ao serviço nacional de saúde, em resultado da menor incidência de doenças provocadas ou potenciadas pelos produtos penalizados. Contudo, se bem sucedida, a medida não deverá, em princípio, gerar para o Estado receitas fiscais acrescidas, bem pelo contrário, já que a maior receita por unidade consumida deverá ser largamente compensada pelo decréscimo de receita provocado pela pretendida redução no consumo do produto penalizado.

    Já o aumento da carga fiscal sobre produtos alegadamente nocivos para a saúde para, como anunciado pela Ministra das Finanças, reduzir o défice, será uma total subversão da lógica de protecção da saúde pública. É que, então, para a medida ser bem sucedida, ela terá de implicar a arrecadação de receita fiscal acrescida, que só poderá resultar da manutenção (pelo menos) dos níveis de consumo do produto penalizado. Na prática, para a Ministra a medida será tão mais bem sucedida quanto maior for o seu fracasso em termos de saúde pública.

    Estarei a ver mal a coisa? É que se não estou, então permito-me sugerir que, ao anunciar uma medida deste género para redução do défice, o Governo aposte simultaneamente em alguma publicidade institucional, de forma a assegurar a manutenção dos níveis do consumo dos produtos putativamente nocivos para a saúde.

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