What’s in a name?

F97-a14.jpg

O acesso aos cafundós do Aspirina – acesso que não é só feito de alegrias – permitiu-me achar um recente comentário a um «post» já de Setembro de 2006. Tratava este (pode ver) uma questão anódina, um fait-divers sobre Vasco Pulido Valente. Mas a discussão derivou para o nome do historiador, e é ainda a esse propósito que Francisco M. Pulido Valente Pena agora escreve:

«Quanto às “tristes” cenas e outros tantos “tristes” comentários acerca do “verdadeiro” apelido do meu Primo Vasco Valente Corrêa Guedes, gostaria que, e não me tendo sido solicitado qq pedido pelo próprio, deixassem o Grande Historiador sossegado pois estes Srs. que aparentemente se “preocupam” com o verdadeiro apelido do Grande Historiador, pelos vistos não têm mais nada que fazer ou em que pensar senão nesse pouco (a meu ver) importante facto dele, o Grande Historiador e meu Primo utilizar os apelidos do nosso Avô Materno, Prof. Dr. Francisco Pulido Valente, verdadeiro Democrata mas não comunista como alguns insistem. Vão mais além nas vossas considerações e, deixem-se de mexeriquices que mais parecem, essas sim, conversas de mulheres.»

Aquando da saída do «post», comentara «jcfrancisco»:

«A propósito… Para quando a decifração do facto de esse senhor se chamar Vasco Correia Guedes e não Pulido Valente? Será que não é prioritário?»

A isto respondi eu na altura:

«Caro jcfrancisco. É já a segunda vez que te vejo afirmar, ou insinuar, que Vasco Pulido Valente se chama, na realidade, Vasco Correia Guedes. Deixa-me ser sincero: o facto de essa questão te preocupar é, para mim, mil vezes mais interessante do que estar informado do nome autêntico do grande historiador.
Todavia, sem descentrar o meu verdadeiro interesse, apreciaria saber:
– terá VPV razões (razões públicas, de imagem) para usurpar um nome, e concretamente esse?
– a patronímico Correia Guedes (que nada me diz, mas eu sou em questões de sociedade um cavernícula) é algo que, patentemente, apeteceria escamotear?
Aqui tens duas perguntas altamente… prioritárias.»

Estas perguntas estão, ainda hoje, por responder. A minha precisão de resposta é muita? Nem por isso. Mas as obsessões alheias fascinam-me.

E, entretanto, a questão – vê-se agora – ainda mexe.

14 thoughts on “What’s in a name?”

  1. Não se trata de uma obsessão mas sim de uma chamada de atenção para aquilo que se pode definir como discrepância. Na altura falei no assunto porque vinha a propósito. Sou amigo de condiscípulos do Vasco e sempre ouvi dizer isso. Não andei com ele no Liceu porque o meu caminho foi outro. No meu tempo de criança dizia-se «Os filhos dos motoristas não vão para o Liceu.» Por isso fui para a Escola Técnica e tirei o Curso Geral do Comércio. Cruzei-me com ele uma vez na Revista Ler, nada mais. Não é amigo nem inimigo. Só chamei a atenção, nada mais.

  2. JCFrancisco,

    Chamaste a atenção, dizes. Isso é perfeitamente visível. Para uma «discrepância», dizes também. Isto já é menos inteligível. Tudo o que se percebe é que, da tua perspectiva, há uma discrepância para que vale a pena chamar a atenção.

    Tudo somado, continuamos, desculpa, muito circulares.

    Ana Cristina Leonardo,

    Posso sossegar-te: o Vasco chama-se mesmo Vasco. Não o conheço, nunca o vi mais gordo – só escrevi algumas coisas sobre ele.

    Mas há um limite para as incertezas. Mesmo neste Universo.

  3. Chama-se Vasco, mas não de chama Pulido nem Valente, é isso?
    Às vezes acho-o pouco polido (no sentido de cortês, delicado) quase sempre o acho valente, muito valente.

  4. Vasco Pulido Valente é filho de uma Pulido Valente, embora, como de uso em Portugal, tenha no BI o nome do pai: Correia Guedes. Desse avô mítico (Dr. Pulido Valente) já ele falou em mais de um artigo. Desse modo, «Vasco Pulido Valente» será um semi-pseudónimo. Tão legítimo como «Miguel Torga» (Adolfo Coelho) ou «Adília Lopes» (Maria José Oliveira). Qual o problema de alguém usar como pseudónimo o nome de baptismo da mãe?

  5. Antenor Patena,

    Exacto, nenhum problema. E mais genericamente: nenhum autor tem contas a dar do nome que escolher para assinar o que publica.

    Do que se trata é tentar diminuir VPV porque teria na cédula «Correia Guedes», ou porque não se chamaria propriamente «Pulido Valente». É uma lamentável falta de frontalidade.

    O frontal (e azedo, e bruto, e desapiedado) Vasco Pulido Valente merece melhores inimigos.

  6. Miguel Torga = Adolfo Coelho?
    Permito-me corrigir valendo-me dum exemplar de “Rampa” (1930) assinado por: Adolpho Rocha.
    Adolfo (ou Adolpho?) Correia da Rocha nasceu a 12 de Agosto de 1907…

  7. não percebi o interesse ou relevância do assunto. estará a escapar-me alguma coisa? mas fico mais descansada por ele se chamar mesmo Vasco. Afinal, é um nome muito bonito.

  8. Ana, escapa-nos sempre qualquer coisa. Já pensaste o que seria – pobres de nós – percebermos tudo?

    Mas, se releres o post, as chances aumentam imensamente.

  9. Prof. Dr.Francisco Pulido Valente verdadeiro democrata mas nâo comunista.Mas depois que os comunistas iam presos pela pide,toda a gente tinha pena!Quando José Saramago ganhou o Prémio Nobel,vi uma vélha histérica desdentada a gritar contra os comunistas-vi de seguida que o Portas nâo estava longe

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.