Uivos

Este momento — da selecção nacional de rugby no jogo inaugural do Campeonato do Mundo, contra a Escócia — gerou um fenómeno de comoção generalizado, levando homens de barba rija e mulheres de penugem suave a igual entusiasmo lacrimoso. O que permite concluir pelo estado de privação de alimento simbólico e comunitário que assola a Pátria. Mas não se espere que os actuais políticos compreendam, sequer entendam, o que significam as lágrimas que banham bandeiras e se derramam nas vozes que cantam.

26 thoughts on “Uivos”

  1. É PÁ, FODA-SE, ESSA DAS LÁGRIMAS QUE BANHAM BANDEIRAS É LINDA COMÓ CARALHO! HERÓIS DO MAAAAR NOBRE POVO NAÇÃO VALENTE E IMORTAAAAAAAAAAAL! VALUPI À PRESIDÊNCIA! PUTA DE PALHAÇADA ÉS TU, Ó PALHAÇO! E VENHAM AGORA OS NOVO ZELANDESES, OU LÁ O QUE É, QUE A GENTE FODE-OS A PERDER POR MENOS DE 200! VAI BUSCAR! MAI NADA, CABRÕES!

  2. Quem dá o que tem a mais não é obrigado, diz o povo, nobre talvez, da minha terra. Mas ao menos que se respeitem as citações como deve ser: “Nação valente imortal”, percebido, sua pátria dupla com vocativo dobrado?

  3. Compreendo-te, primo. Comecei por ler os testemunhos do povoléu, estranhamente síncronos na confissão das lágrimas aquando do hino. Só depois de muito ler fui ver. A pulsão cínica encontrou material para exercício, mas a vocação lírica veio em auxílio dos patrícios. De facto, sendo esta uma terra de tímidos e de acabrunhados, é mais do que raro presenciar um macho com a coragem suficiente para deixar que o coração se derreta. E estes valentes da selecção, galhardos, exibiram uma força sentimental que é verdadeira alma – aquilo que une corpo e espírito.

    Ou seja, quem ficar indiferente, ou ridicularizar, fica com menos para contar. É só isso, e corre o risco de parecer muito pouco.
    __

    Ó, concordo contigo: “lágrimas que banham bandeiras” é expressão linda. Já o referente estético a que te agarras para a comparação, é material para o teu palato. Não leves a mal a diferença de gosto.
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    Daniel, tenho algumas dúvidas quanto ao sucesso do teu intento pedagógico.

  4. Um povo tímido e acabrunhado, ó valupi? Só se for para pedir livros de reclamações! Para cantar o hino, somos campeões do mundo e damos 300 a 0 aos neo zelandeses!!

  5. Eu já nem preciso de dizer nada. Basta deixar o Valupy a falar e depois é só copy & paste para o compêndio de nacional-patologia. O ou a do Ó PÁTRIA é malcriado(a) e nem se percebe o que é que ele quer. Será caralh*?

    Eu gostava de ver é o patriotismo destes naionalistas lacrimosos a dar o litro pela comunidade, desde o bairro ou aldeia em que vivem. Desde o prédio em que moram. Até se cagam todos se tiverem que ir a uma reunião do condomínio tratar do problema da conduta do lixo. Dão o c* e dois tostões por fugir aos impostos e enganar a DGCI. Mas depois choram a ver o Portugal-Israel em basquetebol. Rais os fo*am!

    P.S.: A Sérvia empatou, e muito bem. Portugal não jogou nada. E o Scolari julga que está na favela ou quê? O que vale é que a carreira dele acabou aqui e agora. O senhor que se segue, fá favô!

  6. Essa tua conversa sobre os “actuais políticos”, Valupinho das dúzias, deixa-me pensativo. Preferias um Benito, um Adolfo, não era? Esses tinham carradas de “elemento simbólico comunitário”, de espírito nacional, de volksgeist, não tinham? Ouve lá, tu foste da Mocidade Portuguesa?

  7. Parece que temos aqui um caso digno de ser estudado. (Ou “case study”, para quem não for patriota.) Bem sei que houve um Nikita que esborralhou a memória do Homem de Aço, mas não era nenhum primor de democrata. E tinha uma filha que usava um casaco de peles que valia vinte anos de rendimento de um “mujik”.
    Enquanto não mudar de nome, desconfiarei dos seus discursos democráticos.

  8. Nikita, eu ainda sou da mocidade portuguesa.

    Quanto às reuniões do teu condomínio, louvo a tua valentia. Realmente, tendo em conta o que lá se passa, és herói e mártir. Estás para além do patriotismo, és já semideus.

  9. Valupi,

    E ainda por cima uma régie impecável. Inventiva, e ao décimo de milímetro.

    Já tinha visto na tv, e agora mais duas vezes. De garganta menos conturbada.

  10. Valupi, tu, pra português, e ainda por cima daqueles que falam nas lágrimas que banham bandeiras, até tens um humor fino, muito lá do norte. No sweat. Beijinhos.

    Nikita, não vás pró caralho, prontos.

  11. hhmm, cof, cof, era só para dizer que “Rais os fo*am!” do nikita, foi a coisa mais engraçada que li hoje na net. Rais os foam? Ó seu malcriado do caralho!
    pronto, me voy, Herois del Mar, Nobre Pueblo, Nación Valiente, lai lai, lai, lai.

  12. Parece que acertei na mouche, Valupy, ao aludir aos patriotas com tão agudo espírito comunitário que nem pelo seu condomínio são capazes de mexer um dedo. É o teu caso?

  13. Ó Daniel de Sá, está bom? Apresento-me: Nikita Blogin quando apareço, Nikita Blogoff quando me ausento. É um prazer encontrar gente educada, cujo verniz não estala na primeira saída à praça. Mas é pena que você só saiba de um Nikita. Você sabe, Daniel, que em Portugal nem todos os Antónios são de Oliveira Salazar.

  14. Nikita, a tua obsessão com os condomínios tem o encanto pueril do teatro do absurdo. Não sei donde te vem a tara, mas informo que no meu prédio já temos serviços profissionais de gestão da coisa. No entanto, se achares que fazes bons preços, manda uma proposta.

  15. Estou aqui estou a chamar-te trapalhão, Valupy. O condomínio é a comunidade em ponto pequeno, homem. O que eu queria dizer e esse bestunto não parece alcançar é que muitos naxionalistas que conheço nem a esse nível fazem nada pela comunidade, quanto mais na comunidade em ponto grande. É só futebol, rugby, basket – e na televisão.

    Não tem nada a ver com a tua casinha, rapaz. E só trabalho para a minha mulher, mas de graça. Vais ter que procurar noutro lado.

  16. Nikita, és um ser bizarro. Tens de passar a apresentar relatórios regulares do que se passa no teu condomínio. Temos de saber no que andas metido, e desconfio que não te limitas a deliberar sobre as condutas do lixo. Que tenebrosos segredos guardarão as actas das reuniões?…

  17. Valúpio, ah, ah, ah, ah, és um mangas muito divertido. CONDOMÍNIO! CONDOMÍNIO! CONDOMÍNIO! Ai, não posso!
    És muita cómico! Não aguento mais o riso! CONDOMÍNIO! CONDOMÍNIO! Lol, lol, lol, lol! CONDOMÍNIO! É de um gajo se mijar…

  18. Está certo, Nikita. De Nikitas, houve por exemplo o Nikita Magaloff, o mais genial pianista que alguma vez terá dado um concerto aqui em S. Miguel. (Até ver… Porque há um miúdo filho de um amigo aqui da minha freguesia que, aos 19 anos, apanhou uma crítica fabulosa por um concerto que fez em Washington no dia 10 de Junho.)
    Quanto a Antónios, um tal Raposo Rodrigues foi meu avô, e aprendeu a ler sozinho porque o pai não quis que ele frequentasse a escola para não escrever cartas às noivas quando fosse grande.

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