Morrer a cantar

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Mas um dos servos do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse-lhe: “Não te vi eu no horto com Ele?” Pedro negou Jesus de novo; e nesse instante cantou um galo.

João, 18:26

O galo estava num dos terraços do palácio. Todos os que se aqueciam ao redor das brasas, no pátio, olharam para cima, para os salões. O galo andava pela berma do terraço. Dava uns passos e inclinava-se para baixo, como se estivesse a pensar seriamente em saltar. Os servos diziam uns para os outros que nunca tinham visto um galo nos terraços. Os guardas trocavam piadas que misturavam ovos, fomes e as servas da cozinha. Pedro afastou-se do grupo e caminhou em direcção ao portão. Não queria ficar ali, mais, à espera de um homem que nunca tinha compreendido, em quem nunca tinha, sabia-o finalmente, acreditado. Ao sair, uma velha embrulhada na sombra, que Pedro não reconheceu, disse-lhe: “Aquele galo vale mais do que tu. Ele nunca mentiu, e quando morrer vai alimentar alguém.” Pedro respondeu: “Aquele galo não sabe mentir. Mulher, eu já só desejo morrer a cantar.”

6 thoughts on “Morrer a cantar”

  1. O menino anda muito dado a dessacralizações ultimamente. E “cocky”, como se já não bastasse o pecado principal. Para quando um ataque frontal à Nossa Senhora de Fátima, como nos velhos tempos do Rainha e do Palinhos no solar do Zé Maria com o Filipe Moura a provar a impossibilidade física do milagre?

    TT

  2. Susana

    Não sabia dessa origem. Então, e os “galos na cabeça”?… Talvez o Fernando saiba.
    __

    TT

    Dessacralizações?… Talvez sim, talvez não…
    __

    Py

    Essa notícia vai deixar furiosos os nutricionistas e cardiologistas.

  3. aquela de ser «de tanto matar o tempo que por ela os anos não passam» é linda, py.

    fernando, se é mistério grosso já o galo pia mais fino…

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