Jackpot

Chegou-se ao balcão da tabacaria, onde sempre comprava os lotos, e disse:
– Como é que se faz quando se ganha um prémio grande?
O instinto dizia-lhe que não era o sr. Pires quem lhe entregaria o balúrdio. Meteria banco, contas, transacções.
– Ai ganhou muito, ontem?
O sr. Pires a radiar. Não tardava, e a televisão viria falar-lhe.
– Bastante.
E, cuidadoso, insinuou que lhe saíra o jackpot.
Já não chegou vivo ao terceiro andar.
O sr. Pires achara que, entre o rosto na televisão e um fim de vida nas Seycheles, a hesitação
era demasiado parva.

33 thoughts on “Jackpot”

  1. Tens que me dizer é onde é que se tiram os cursos rápidos para se compreender a graça destes teus “Autos da Barca do Seixal”.

    No entretanto, talvez te regoziges com saber que na Inglaterra, agora, quem chamar maricas a um homossexual pode apanhar sete anos de choldra. A média de penas por estupro é de cinco. Mais uma vitória dos “perseguidos” lilas.

    Comments, please.

  2. Olha, Senhor Pires: essa dos sete anos para quem chamar «maricas» a um homossexual significa ou que a Grã-Bretanha entrou no deprimente clube da correcção política, ou que tu trazes a coisa mal contada.

    O primeiro caso é grave, o segundo percebe-se.

    E percebe-se porque te falta o tal curso… seixalense.

  3. Daily Mail 8-10-07

    New law means anti-gay comments could lead to seven years in jail

    By STEVE DOUGHTY and JAMES SLACK –
    Last updated at 22:18pm on 8th October 2007

    Stirring up hatred against homosexuals is to become a serious crime punishable with a seven-year jail sentence under a law announced last night.

    The legislation – similar to laws already in force outlawing persecution on religious or racial grounds – will make criminals of those who express their views in ways that could lead to the bullying or harassment of gays.

    The maximum sentence is longer than the average of around five years handed to rapists.

  4. É isso, a história britânica estava mal contada.

    Trata-se de punir o «incitamento ao ódio», não o usar para alguém um termo mais grosseiro – ou mais foleiro.

  5. Fernando
    Do sr. Pires nada sei além do que dizes. Presumo que não exista. Quer dizer, que nunca tenha existido. Mas houve um emigrante açoriano no Canadá a quem saiu o totoloto lá deles. Milhões de transportar de camião. Sem saber o que fazer com tanto dinheiro, o homem foi para a cave, enrolou um pedaço de corda no pescoço, e pendurou-se. (Como sabes, tradução literal para “hung himself.”)
    Paz à sua alma.

  6. Como é que o Venâncio se atreve a escrever banalidades como esta, ele que é tão exigente!? Bem sei que não é obrigatório um crítico literário saber escrever. Como não é obrigatório um treinador de futebol saber jogar, mas saber quem joga bem. Por aí fora.
    Venâncio, desiste. Vai dar banho ao cão, como diz o outro! E repara nos comentários. Repara no do Valupi. Um elogio que é um frete, para não dizer que ficava calado. Ou um desabafo que, traduzido, pode querer dizer «que boa merda!». Falta de humor, mal alinhavado, vulgar…Cumenta, Venâncio, limita-te a cumentar e fica-te por aí.

    Já agora, ó Daniel, disse você que as personagens dos livros do Lobo Antunes eram doentias para o seu gosto e continua a contar-nos horrores!? Alguém comentou na altura que qualquer dia havia novo epitáfio no Aspirina. Com este comentário ou historieta a terminar com «paz à sua alma», só falta a lápide! Daqui posso informar o outro comentarista que andamos por lá muito perto.

  7. Fernando, daqui o Senhor Pires,

    Pões olha, meu senhor, com essa inocência toda e mais a boa vontade, e mais a compreensão, etc. etc, está-se mesmo a ver que vais precisar que um enormíssimo comboio te passe por cima das canelas para descobrires que existem caminhos de ferro. E, pelo caminho que estas coisas levam, nem será assim tão mau, porque tirarás a prova dos nove quando te amandarem pela janela fora dum deles porque não pagaste como devias teu bilhetinho para deficientes sem pernas.

    Num homem que acata tão calmamente estas leis de pseudo defesa das minorias – admira não teres optado há trinta anos pela objecção de consciência em vez da gloriosa deserção, provavelmente com o amparo e conselho dalgum indivíduo em boas relações com o regime dessa altura.

    Queres uma receita para 21 anos de cadeia garantida num futuro não muito distante no nosso país? Não vás mais longe: “ofende” um judeu homossexual, alentejano chapadinho e com a pele sensível.

  8. Gil
    Referia-me a personagens vivas não a personagens mortas. O Sebastião da Gama disse de um poeta de que não recordo agora o nome: “Faltava-lhe a morte para ser completo.” Não tenha pressa em completar-se, meu caro.

  9. Valupi, daqui o Senhor Pires,

    Poje olha, Valupi, o Gil tem alguma razão, e tu sabes disso, mesmo quando estás descontraidamente a meter o supositório matinal. Portanto, não multipliques por mil, dá um desconto ao rapaz e começa a banhar a córnea com algum ar quente para recarregares as diopterias como faz a Susana.

    Tchau

  10. Piroso, o Gil tem alguma razão, é bem verdade, e mesmo que eu não faça ideia onde é que ele a terá escondido. Mas isso não obsta a que seja um imbecil vezes mil.

  11. O Daniel está baralhado. A sua historieta fala num açoriano que ganhou o totoloto e assustado com tanto dinheiro, pôs termo à vida. É o que está escrito por si, como uma historieta verídica. Matou-se, enforcou-se com um pedaço de corda. Não é, portanto, uma personagem viva, mas sim uma personagem morta a do seu comentário! O homem morreu. Deixe-se de tretas, Daniel, não se arme em esperto (lembre-se do que lhe aconteceu recentemente), dê menos nas vistas e deixe o Sebastião da Gama no seu descanso. Se se referia a personagens vivas, porque acrescentou o seu «paz à sua alma»? E complete-se mas é você no raciocínio daquilo que escreve para não sair asneira da grossa.

    Obrigadinho, ó Piroso!

    Volta não volta, venho ao Aspirina para me divertir com estes comparsas. Mas devo dizer que simpatizo com o Valupi. É aquele que melhor escreve por aqui. Atinado e sincero, acho eu. Até acabou por me dar razão! Sendo inteligente como parece não sabe ele a mediocridade literária que por aqui vai…

  12. eu ainda não sei se gosto. o que, in my book, equivale apenas a uma dúvida.
    mas gosto, sem dúvida, de uma característica da maioria destas histórias: haver sempre uma parte que fica de fora, como o relato bem contado de uma história mal contada.
    bom, gostando de uma parte, talvez possa inferir que gosto do todo…

  13. Gil, pôs-me a tremer de medo. De medo da sua dificuldade em compreender seja o que for. Experimente a juntar as piores acusações que lhe ocorram, atire-as contra mim como se fossem mísseis lançados por uma rampa Katiuska, e veja se me importo minimamente. O que me revoltou foi usarem a memória muito amada de uma criança e a honra intocável da sua família, para dizerem obscenidades imperdoáveis.
    Abra esse olhos, ou essa mente, e depois fale. Ou não abra nem uns nem outra, e fale na mesma. Tanto se me dá.

  14. Daniel daqui o Gil!

    Não fui dos que se atiraram a si. Digamos que, pelo contrário, entende? Aprecio os seus poemas mas não aprecio a personagem que você é e mostra. “Tanto se me dà”, a frase é sua, retrata-o bem, acredite. Reduza-se à importância que tem. Muito menos do que aquela que julga ter.

    Valupi, daqui o Gil!

    A jeito de quê? Agora foste tu o imbecil, menino. Achas que o Daniel diz coisa com coisa? Ou ainda não reparaste nas incongruências? Não acredito! Tenho-te em estima e com inteligência para distinguires o bom do mau (em literatura, entenda-se) e reparares naqueles que se curvam até o nariz lhes tocar no chão.
    Abraço mesmo imbecil.

  15. Gil,

    Tu, de «literatura» (bochecha bem, depois de dizeres), estamos falados.

    Fica-te com o non sequitur, ou com o anacoluto. É de borla, menino.

  16. Gil, daqui o Daniel
    Não me tenho em grande conta, pode crer. Se assim não fosse, não me sujeitava a julgamentos sumários. Por isso disse que tanto se me dá. Ou estava à espera de quê? Que eu voltasse a usar a linguagem com que tentei apagar o fogo que ainda hoje não consigo perceber por que razão aconteceu? Não, meu caro, se quiser um pouco de ironia, algum humor talvez, umas tiradas mais ousadas de vez em quando, tem cá parceiro.
    Se foi dos que “antes pelo contrário”, obrigado. Mas não me venha cobrar agora isso para o resto do meus dias no Aspirina, por favor. Entretanto, vá desancando à vontade, se lhe apetecer.
    Falei a sério.
    E vai um abraço, se mo permite.

  17. Gil, se gostas do que escrevo, isso prova que tens bom gosto, estás dotado de um intelecto superior e mereces ser director-geral de uma empresa com as contas em dia. Mas isso não impede que sejas, igualmente, um imbecil. E, nesse particular, tenho a informar-te que o facto de te considerar imbecil também não me iliba de semelhante acusação. Também eu posso estar a ser um imbecil, pois o sou regularmente.

    Dito isto, explico que cometeste o sacrilégio de pensar pela minha cabeça. Que tens na mioleira? Achas que devo ficar refém das tuas interpretações? Será que não posso gostar de um texto que te desagrada? Que tenho eu a ver com a tua opinião?

    Foi só isso. Este tudo e este nada.

  18. Pois é, Valupi. Isto de pensar pela cabeça dos outros, não dá resultado. Contigo, não deu. Mas dizeres de um texto do Venâncio, laconicamente, “muito bom”, quando sabes que o texto é mau, irrita. Foi por isso que falei por ti. Desculpa lá, pá! Que a tua obrigação seja dizeres bem do “patrão”, eu compreendo. Mas seres obrigado a dizer que gostas de carne, quando gostas de peixe…Bom, só quis ajudar.

    Daniel, retribuo o abraço. Todos amigos é que é bonito!

    Venâncio, daqui o Gil!

    Afirmações das consequências e falácias lógicas, não são comigo. Deixei-me disso. São balelas para adormecer alunos de linguística, meu caro. Aprende mas é a colocar posts que mostrem, afinal, que sabes escrever.
    E agora, tchau. Talvez até um dia destes, quem sabe?

  19. Ó homem, ó Gil, ó imbecil vezes mil! Mas quem te convenceu que és telepata, e logo do meu pensamento?

    ‘Tás todo carocho.

  20. É isso, Gil, todos em paz. E não há melhores momentos de paz do que quando uns pares de amigos discutem por um jogo de sueca como se estivessem a defender a sua honra ou a lutar contra o fim do mundo.
    Outro abraço.
    Daniel

  21. Daniel, tu mexeste na Dama Negra. Atrás disso vem todo um carossel identitário, tens mais idade tens obrigação de compreender os mais novos, parece-me. Tenho pena que não tivesses posto só o poema que era bem bonito, e conseguido, no sentido de furar a espessura da porta tremenda, como referia o Fernando noutro dia.

    Fui dos que não te insultei, só insulto quando me insultam e é uma fraqueza de quem só é meio budista e já vai com sorte, e alguma demagogia. Mas todos nós aqui, autores e comentadores regulares, já tivémos de passar pela prova que consta em epígrafe no Aspirina, ora lê. Quem não passa, não fica.

    Tu tens é que te rir com a intensidade equivalente ao melindre e as contas ficam limpas. Tens esse crédito a haver no te preocupes.

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