Já agora, ó Santana, e na tua tão reconhecida capacidade de governo, conta aí como é que se faz para que o País ande para a frente

Santana Lopes acha que o País está doido. O País acha que Santana é louco. Mas a tentação hipócrita já levou insuspeitos publicistas para o aplauso ao abandono da entrevista, validando o argumento: o futebol não justifica directos que interrompam políticos. O que se vai, necessariamente, seguir irá espantar o Mundo, pois estes que se emocionam no oportunismo bufão ficam com o ónus da coerência. Terão de denunciar as promiscuidades, as negociatas, as vergonhas que têm marcado os 30 anos de simbiose entre política e futebol. Temo que a casa venha abaixo se lhe faltar a trave-mestra.

Mas isso, falar do que importa, eles não farão. Porque é perigoso. Ou porque também desfrutam de uns confortáveis lugares em camarotes de mordomias várias. Pelo que os políticos continuarão a ir em romaria aos estádios, continuarão alegremente, em sintonia com a alegria do povo, a interromper sessões parlamentares, actividades ministeriais, protocolos de Estado. Não há culpa quando há jogo da bola. Os políticos, afinal, também são humanos, precisam de estar junto dos amigos e dos amigalhaços, a sofrer pelo clube ou pela Nação. Somos todos iguais, todos irmãos, quando se trata de ficar a olhar para uma rapaziada em calções.

O abandono da entrevista, pelo artista Santana Lopes, só admite duas causas: foi por inveja ou por ciúme?

12 thoughts on “Já agora, ó Santana, e na tua tão reconhecida capacidade de governo, conta aí como é que se faz para que o País ande para a frente”

  1. Mas resultou, lá está o “menino guerreiro” nos telejornais, a limpar a imagem…

    apontando os outros dois a dedo, sim, esses é que são os maus!

  2. O Santana fez bem, não tolerou a descortesia do realizador do programa. E se ele sabe aproveitar todas as boas oportunidades para fazer falar de si… Mas o Santana também teve a intuição de que se fosse ele que estivesse a chegar a Lisboa, a SIC jamais interromperia uma entrevista com o José Mourinho para passar ao aeroporto.

    Feridas narcísicas, como dizia o das mijadas incontinentes.

  3. 1/ Julgo que a maoiria dos comentadores de que falas aplaudiram apenas a atitude do Santana Lopes durante o programa de ontem, e não a pessoa do Pedro Santana Lopes enquanto tal.
    2/ Não vejo nenhuma incoerência nisso, nem acho escandaloso que o homem recolha os beneficios mediaticos em razão da atitude que tomou ontem (uma vez que essa atitude estava certa).
    3/ Em contrapartida, não percebo a logica da tua critica : o facto do SL e de outros politicos não se terem comportado da mesma maneira no passado, ou de não ser provavel que o venham a fazer no futuro não me parece uma razão convincente para deixar de aplaudir a atitude corajosa que tomou ontem.
    /4 Mas, se calhar, não percebi bem o que querias dizer…

  4. É do mais elementar bom senso que a atitude de PSL foi bem esgalhada e mercida. O problema aqui já não é o PSL, mas sim a certeza de que apoiarias essa atitude se fosse tomada pelo Louçã ou alguém do teu clã.
    O que só confirma o que já alguém disse: a ideologia é o que faz pessoas inteligentes defender ideias estúpidas.

  5. Primo, é farinha do mesmo saco. Daí o picanço, para nossa delícia.
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    luis eme, nem mais.
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    Pxicólogo, ferida narcísica, obviamente. E, e então, não se pode confundir essa origem com um qualquer princípio ético, moral, regulamentar ou meramente de etiqueta. Logo, não fez bem, pois foi hipócrita.
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    joão, vou resumir os teus argumentos na referência à coragem: mas qual coragem?! Santana era um político acabado, totalmente desacreditado, gozado por todos. Provou ser um irresponsável em alta escala e sem recuperação, aquando da sua Governação. Logo, sabia que não tinha nada a perder, sabia que o convite para comentar na SIC Notícias era penoso para qualquer pessoa que o calhasse ouvir.

    Porém, Santana sempre foi um político intuitivo, e por aí singrou, explorando um populismo sofisticado, queque. Ele, na verdade, nunca quis governar fosse o que fosse, pois nunca quis trabalhar. Ele queria era usufruir das prebendas que a máquina partidária e o sistema de rotação do poder entre PSD e PS confere aos altos quadros executivos. Ao nível do Santana, os partidos são utilizados como conselhos de administração de empresas, distribuindo lugares de remuneração e autoridade.

    Assim, de faro apurado para a fantochada de enganar papalvos, aproveitou a estupenda ocasião. É que não podia ser melhor, pois Mourinho vinha de amealhar os milhões que fizeram dele o ídolo absoluto da populaça bronca (que somos quase todos, quase todos). Santana capitalizou e vampirizou o tesouro simbólico do Number One, recuperando fichas para continuar a jogar à roleta.
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    Fernando Costa, levantas-me sérios problemas. Primeiro, tens o nome do meu pai. Depois, és muito tonto. Estás a tentar dar bom nome ao parricídio?

  6. Convenhamos que foi um momento de génio do político mais mediático do nosso burgo. Ele que diluíu as fronteiras entre a política e o “entertainment” com aparições constantes em revistas de celebridades, ele que até já foi comentador de futebol, insurge-se agora contra um momento claro de “dumbing down” informativo? Claro que tem razão. Só pode ter. E nunca num passado recente o PSD entrou pelo eleitorado de esquerda. À atenção de Marques Mendes.

  7. O Pedro Santana Lopes não passa a ser o maior por ter tido uma atitude correcta um dia. Mas, da mesma maneira, uma attitude correcta não deixa de o ser (correcta, e até corajosa) por ter sido adoptada pelo Santana Lopes.

    Não fazer esse tipo de distinções elementares é, parece-me, o primeiro passo para sermos tudo aquilo que tu criticas (e bem) no Santana Lopes…

  8. joão, o teu argumento não colhe. Como bem lembra o agent, o Santana sempre se serviu a torto e a direito da imprensa cor-de-rosa e desportiva e do mundo do futebol. Santana usou e abusou das formas mais rasteiras de fazer política, isso de vender a alma ao espectáculo. E fê-lo muito bem, como se sabe, tendo tido só o azar de lhe ter sido confiado um Governo. Aí, mostrou o que era – e o que tinha: total incompetência para a função.

    Agora, fez o número típico de quem não tem qualquer vergonha na cara, para quem tudo é jogo e simulação. Pois, se assim não fosse, onde está a sua actividade de denúncia dos podres da relação entre política e futebol, entre política e televisão? Não temos, nem teremos, pois Santana é também um produto disso mesmo que fingiu censurar.

    Se acreditas na bondade do acontecimento, fica-te bem. Mas abrires os olhos é ainda melhor.

  9. Pena (mas sintomatico) não quereres perceber a diferença entre “Santana Lopes” e “a atitude tomada por Santana Lopes ontem”.

    E por essas, e por outras, que eu vou perdendo qualquer esperança de que esta geração faça alguma coisa de jeito nesse pais.

    Mas continuarei a ler o Aspirina, como quem não consegue deixar de carregar com a lingua num dente cariado.

  10. Valupi,
    Eu pessoalmete não gosto nada de Pedro Santana Lopes -acho que foi talvez o pior primeiro ministro deste país.
    Vir dizer que ele saiu por inveja ou por ciume é um disparate, que só pode ser dito por inveja (ou por ciume) duma atitude que poucos teriam a coragem de ter tomado…
    Até um banana como o PSL percebe que não se interrompe um ex primeiro-ministro para ver um treinador de futebol (por muito bom que seja) a entrar para um carro.
    Só por estupidez ou por maldade é que não se apoia esta atitude de PSL.

  11. joão, esse cárie que carregas pode ter tratamento eficaz. Não estragues a dentição por passividade e incúria.

    Quanto à tua esperança na geração, tens de ser um bocadinho mais catalogador e explicares de quem é que estás a falar.

    Por fim, acho que estás a ver o filme ao contrário: é por eu distinguir o agente da acção que me permito lembrar que a acção não condiz com o agente.
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    Max, donde te vem essa crença de que “não se interrompe um ex primeiro-ministro para ver um treinador de futebol”? Explica lá melhor o que quer isso dizer, donde vem e para onde vai.

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