Capítulo vinte, versículo treze

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Fui ver 20,13. Ver um filme português em estreia, e tanto nas bocas do mundo, é luxo a não desprezar levianamente. Para mais, a presença dum desertor da Guerra Colonial sempre enfeita uma sala, sobretudo quando está às moscas, como estava aquela no passado dia 21.

Deixo umas perguntitas para quem viu. Fazem as vezes de outras tantas perplexidades.

1. Em que momento (assim por alto) se deu conta de quem é o protagonista?

2. Em que momento (com mais exactidão) percebeu quem é, ou era, «o» amante?

3. Numa escala até dez, que classificação deu a Marco d´Almeida, o alferes?

4. Agradou-lhe a subtileza bíblica, ou exactamente ela irritou-o (a)?

5. Considera que este filme aponta caminhos recomendáveis para o cinema português?

Pense. Diga. Debata. Esqueça essa chatice, sempre igual, da passagem de ano.

13 thoughts on “Capítulo vinte, versículo treze”

  1. Olá, Fernando,

    Não vi, nem nunca provavelmente terei oportunidade de ver, essa película. Mas não me admira que as tuas observações sejam justificadíssimas.

    A cinematografia portuguesa nunca me impressionou nem pela comédia nem pelo drama e se me perguntares sei apenas que existe, ou existia até há pouco anos, um homem chamado Manuel de Oliveira que é o nosso orgulho nessa arte de dar à manivela. O resto são histórias do António Vilar e do Vergílio Teixeira e cenas tristes da Maria Olguim (?) que em termos de miséria de celuloide nem chegava aos calcanhares daquela que eu vivia em laboratório social todos os dias.

    Podes não receber opiniões doutros cinema-goers sobre essa fita, mas pelo menos de mim ficas a saber mais este bocadinho. Not bad, hem?

    TT

  2. Não vi o filme. Mesmo assim, arrisco a crítica plena de preconceitos.
    As perguntas que se colocam, deixam margem para grandes dúvidas acerca do valor deste cinema e destes filmes realizados por portugueses. Um desperdício de recursos que apenas vale aos que aproveitam os fundos e o dinheiro de uns papéis avulsos e sem história. Subsídios que seriam melhor aproveitados se os entregassem de mão beijada para os actores, realizadores e produtores viajarem a Hollywood ou a Itália, para aprender a fazer como deve ser. Isso, ou então, gastarem-no todo em vinho de marca e colheita raras e a 100 contos cada uma, repetido outra vez se achassem que estava estragado.
    Posso enganar-me ( et pour cause) mas aposto que o filme não tem densidade suficiente na intriga e desenvolvimento da acção. Aposto ainda que as personagens são estereotipadas e representam mesmo assim, mal, o papel que lhes atribuiram. Além disso, trazer para a tela a problemática sexual já abordade em filmes como o das montanhas quebra-costas, retira subtileza ao assunto. Misturando tal temática com os assassínios estereotipados de todos os filmes em que aparece como normal verem-se mortos e assassinos como quem vê barcos a passar no rio.
    É uma tristeza esta nossa cinematografia.
    Aqui fica o preconceito exposto,numa noite de fim de ano, à espera do reveillon.

  3. …eu vi o filme e gostei muito, não me apetece é disciti-lo nos termos em que se propõe. Nem aliás me paetece discuti-lo: o alferes Gaio é um amigo que muitos gostaríamos de ter, o(s) Vicente(s) ainda os encontro nas matas. O 20;13 do Levítico já fez muitas fogueiras.

  4. Uff, passou o fim do ano, e por mais 365 dias é um alívio.

    TT,

    Folgo por ver-te e ler-te cá de novo. É muito provável que não percas demasiado não vendo a fita. Ela deixou-me sem palavras, e não no melhor sentido. Mas, como o Oliveira me arranja – se possível – ainda mais perplexidades (desculpa o eufemismo), a coisa está, para o meu lado, muito, mas muito comprometida.

    José,

    Há, realmente, algum estereotipado a mais no filme. Mas a história, mesmo desengonçada para o meu gosto, permitiu alguma intriga e sobretudo alguma acção. Não desesperes.

    Py,

    «Vicentes» daqueles, como o adónis Angelino Vieira, não encontras tu aí pelas matas. Desculpa, mas não é desta que impressionas.

    SinistroÉsMesmoTu,

    «Parvoíce do caraças. Perguntas de merda…», escreves. Ah, fosses tu menos subtil, e eu ainda havia de aprender umas coisas.

  5. Obrigado por me dizeres os nomes dos actores FV que eu não sabia quem era quem, achei o Marco um híbrido entre o Diogo I. e o Brad P., não queria impressionar mas eu sou um bicho selvagem, não gosto de saunas por exemplo, e nas matas à noite entre o risco da naifa aparece o muito bom, embora eu até prefira mais mediano para não ficar vidrado e virado.

    Quanto ao filme: gostei muito, ponto.

    Um bom ano! 2007, noves fora, nada!

  6. Py,

    A Leonor tem nome civil de Maya Booth.É boa actriz, fazendo neste momento um assinalável papel de pateta na novela Floribella.

    Bom ano, também. E o prazentoso risco da naifa não se compara a uns medianos na caminha.

  7. Não é Angelino que o actor (e adónis mulato dos Dzrt) se chama: é Angélico. As meninas cujos sonhos ele perturba dirão que literalmente.

  8. Ora bem, acho que é a minha primeira capicua do ano :)) então há que comemorar!

    Não, Fernando, prefiro um simpático mediano + como eu, em que possamos ficar enroscados a dormir horas, com a respiração sincronizada, dois em um, do que uma dessas koisas entre o adónico e o batman como ainda ontem me aconteceu, eu ainda tentei escapar, mas deve ser do Perfume: é que a minha pituitária fica brava a tilintar, enquanto o hipotálamo queda-se reservado e mesmo desconfiado (memórias de tempos reptilianos), e então a próstata fica bipolar, e eu com sintomas de ressalto hidráulico, o que além de ser uma vergonha é um problema de violência doméstica que convém evitar.

    Conclusão e já que temos uma kpk para rematar, não esquecer aquela frase dos gregos: “os deuses, quando nos querem castigar, concedem-nos os nossos desejos.”

    Fica dedicada a Alexandre e Hefestion, na esteira de Aquiles e Patroclo.

  9. Py,

    Bons gostos, bons costumes, instintos em ordem. E patronos famosos. Que mais pudera um homem desejar?

    Só da sincronização dos respirares durante o sono me permitirei descrer.

  10. Bom dia Fernando, essa coisa da sincronização existe e é sublime, como por certo também também conhecerás: é o espaço do kayros; mas como tudo o que tem valor infinito, é fugaz e transiente e não resiste à banalização do kronos.

    Já ando com saudades de “unha aperta”, só há pouco tempo soube que o Dragão vinha dos tempos do reino galego.

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