25 thoughts on “Assim se vê a força do PC”

  1. Embora isto seja um descarado plágio da peça de John Cage 4′ 33”, em que, como sabem, ele abriu o piano e o contemplou durante quatro minutos e trinta e três segundos, está excelente. Claro que um “cartoon” destes até eu fazia, mas não tive a ideia. Lá perdi outra oportunidade para o meu quarto de hora de fama.
    Mas, tal como a música calada de Cage era para que cada espectador imaginasse a melodia que lhe apetecesse, aqui imagino uns figurões. Sócrates sentado à direita de Cavaco, com toda a colecção de delfins e afins, e o povo à esquerda, a distância conveniente para não cair na tentação de apanhar ao menos as migalhas do bolo-rei.

  2. Às vezes o Valupi espalha-se ao comprido, acontece a qualquer um.

    Desta vez caiu no pântano, e a lama colou-se-lhe ao casaco.
    Isto só acontece a distraídos e a palermas.

  3. de facto sobre o vazio não se pode dizer nada, se não que é

    a seguir abre-se o infinito

    infinitos tipos de infinito

    quando vier um bocejo volta-se ao vazio

  4. Não encontro uma razão
    Nesse alvo branco que deixaste

    É inútil
    Essa louca e estúpida razão de existir

    Essa utopia do homem livre
    Do amor e da razão

    Por mim
    Abraço meu filho

    Até morrer de vez

  5. Daniel, deste um grande salto até chegares ao Cage. Porém, vale muito a pena essa recordação.
    __

    Anteu, antão é só isso que consegues dizer? E que tens contra os pântanos e a lama? Tens medo de te sujar? Deves ser fresco, deves.

  6. brilhante cartoon. e para quem tenha duvidas, o cartoon nao tem que ser um bom desenho. e mesmo um bom desenho nao tem que ser virtuoso, pode ser tosco. e que uma folha em branco e’ ja uma forma de representacao sobre uma folha em branco.

  7. Não sei se será 100% politica,etnica e religiosamente correcto. Para já,as cores,branco e negro não são neutras,podendo reenviar-nos para questões relacionadas com o racismo:uma grande extensão de branco,limitada por um fino traço negro.Que quererá isto dizer?Que o autor,subliminarmente, nos diz considerar que o espaço vital da raça ariana é brutalmente limitado pelo negro?!
    Penso que vou atirar umas bombas ecológicas,feitas de cenouras,a um qualquer cartoonista,apenas para demonstrar a minha profunda raiva anti-racista perante o óbvio fascista que é o senhor Shaw…

    A propósito deste assunto,recordo (não irei citar,porque não encontro o livro)a personagem de João Ubaldo Ribeiro,d’”A casa dos Budas Ditosos”,comentando que,qualquer dia,todas as piadas seriam ilegais e passaria a existir um novo tipo de traficante,o traficante de piadas.Piadas de negros,mulheres,judeus,etc,seriam passadas ás escondidas.

    Já estivemos mais longe…

  8. fresco ou não devo dizer-te Valupi, que não usaste responsavelmente o interessante cartoon e que não precisavas dessa rasquice do título que lhe deste. Porque é uma ironia pacóvia e tu podes ser anticomunista mas não parvo.

  9. Coralina, que bem lembrado, o Ubaldo. Muito obrigado.
    __

    Anteu, cresce a minha curiosidade pela tua reacção. Vejamos:

    – Uso irresponsável do cartoon
    – Título rasca
    – Ironia pacóvia
    – Anticomunismo

    Aparentemente, entendeste como um ataque ao PCP, ou ao comunismo, ou a ambos, o trocadilho. Mas que culpa tenho por tu seres tão correctamente comunista que nem admites um uso lúdico e inócuo das escrituras sacras da tua religião?

    Converte-te, antes, à democracia. É vida menos paranóica.

  10. Valupi,pelos vistos não percebeste a ironia do meu post,por isso vou explicá-la:pretendia dizer que,nos dias de hoje,há sempre alguém pronto a acusar o humor de alguma coisa.

    Mas obrigada por provares o meu ponto;exemplificaste perfeitamente as reacções que pretendia parodiar :).

  11. Coralina, é bem possível que a ironia me tenha escapado, sim, visto ser da sua natureza andar escondida. Contudo, vou convocar a tua atenção para dois singelos factos:

    – Eu não me referi ao que escreveste, para além da referência ao Ubaldo. A qual agradeci sem explicar porquê.

    – A ideia de haver sempre alguém pronto a acusar o humor de alguma coisa, tua tese embrulhada em ironia, é – e precisamente – a ideia do cartoon em causa. Será que também estarás disposta para me explicar a sua ironia e o motivo da minha escolha para ser post?

    O que te agradecia esclarecido, porque não chego lá sozinho, é o sentido da frase final. Dizes que eu exemplifico as reacções que tu pretendias parodiar. Ora, eu limitei-me a agradecer a presença do Ubaldo, a qual me trouxe uma memória boa. Donde, quererás tu dizer que parodias o gosto pela literatura brasileira?

  12. Tens a minha conversão garantida Valupi, no dia em que a democracia de que falas deixar de ser uma fraude dupla, a que pregas e a que praticas.

    Leio-te sempre que passo aqui no blogue, e com proveito quando te limitas a ser ilustrado e sabedor e consegues fugir à arrogância e à traquinice duma juventude a fingir.
    Quando não te armas no único tipo inteligente da criação.

    O cartoon é notável e o humor do autor pedia-te uma utilização responsável. Tu deste-lhe um título palerma e provocatório próprio de aspirante a humorista. Levas as confusas Coralinas a confundir o dito cujo com as calças, o branco humorístico do cartoon com o falso humor do título que lhe deste, a dita força do PC.

    Depois arrepias caminho e falas de trocadilhos, acabas por dizer que eu nem admito o uso lúdico e inócuo duma merda qualquer porque sofro de paranóia.

    Toma juízo pá, e mostra algum respeito democrático por quem não ler a tua cartilha. É que isto não é só falar!

  13. Anteu, creio que finalmente entendo o teu problema: tu não percebeste o que PC queria dizer no contexto em que utilizei a sigla (Politicamente Correcto, tão-somente – era essa a única chave interpretativa, dado o contexto). Vai daí, resolveste aplicar um pouco dos métodos estalinistas e partiste para a purga munido da tonteira e dos argumentos “ad hominem”. São escolhas, infelizes.

    Continuo com essa da “utilização responsável” atravessada. Não sei se conseguirás explicar. Talvez nem tu saibas o que queres dizer.
    __

    z, temos de voltar à conversa do dinheiro. É assunto fascinante.

  14. tem graça que interpretei a sigla como o z. talvez para isso tenha contribuido, também, o facto de ter visto o título na versão anterior a esta. seja como for, a leitura como «partido comunista» seria tão absurda e destituída de sentido que apelava, obrigatoriamente, a um significado que desconstruisse o slogan, que não o cumprisse; só podia haver ali uma ambiguidade.

  15. Meus amigos, não é querer meter a foice em seara alheia, e espero não parecer inconveniente, mas confesso que nem sequer tentei interpretar o que queria dizer aquele PC. Concentrei-me na ironia do “desenho”, e isso me bastou. No entanto, no caso de a hipotética referência ao Partido Comunista ser considerada politicamente incorrecta, isto só daria razão ao Shaw. Quanto a mim, se o Valupi tivesse dito algo do género “Assim esmorece a força do PS”, eu teria aplaudido.

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