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Causas abusadas

A ouvir o Eixo do Mal, sobretudo a primeira intervenção do Daniel Oliveira, não posso deixar de me perguntar: toda esta invectiva e todo este escarcéu insultuoso, ao bom tom revolucionário, contra Mário Centeno por, alegadamente, estar a destruir o Serviço Nacional de Saúde, tem mesmo por base as condições da ala pediátrica do hospital de São João, no Porto? A sério? É que, lendo os jornais que foram investigar, as obras 1) estavam entregues a uma associação privada, cujo trabalho fora entretanto bloqueado pelo governo anterior (ainda hoje há uma notícia sobre o caso) e 2) havia dinheiro público para as obras, mas a sua não realização deveu-se, também, a uma opção de gestão interna (que privilegiou a ala psiquiátrica*). Confirmado por quem lá estava a trabalhar. O que andam estes comentadores a ler?

Daniel, vê se cresces e tem juízo.

O Bloco e afins deviam saber que o aumento do número de médicos e enfermeiros e a melhoria dos seus salários são investimentos no SNS. Por isso, pazinhos, deixem de se inebriar com temas “quentes” inventados. Até a Clara parecia uma jóia de inteligência e bom senso.

 


*Correcção: lendo este artigo de hoje no Observador, não se trata da ala psiquiátrica, mas da unidade de sangue. O artigo, que se chama “Porque é que o Estado está a falhar”, devia, aliás, chamar-se “Por que falham os privados”. Mas o assunto é suficientemente complexo para merecer uma vista de olhos ao artigo. Quando encontrarem “escritório de advogados Cuatrecasas”, lembrem-se que é do Paulo Rangel.

Advogado de Lula explica

Battochio sobre a condenação de Lula

EMOCIONANTEO advogado José Roberto Battochio explica porque a sentença contra Lula é uma condenação sem crime, sem provas e fora da lei.

Publicado por Lula em Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

 

(rapinado daqui)

Au! (Mais um que tinha sido eleito pela voz?)

O estádio do Sporting é aqui mesmo ao lado. Em noites de jogo, ouvem-se os festejos dos golos ainda antes de a televisão os mostrar. É, por isso, impossível ignorar e escapar ao que se passa no ruidoso, vistoso e muito frequentado “clube do meu bairro”. Além disso, de tantas imagens que sou forçada a ver nas televisões, dou por mim a achar piada ao Jorge Jesus, a gostar do Gelson Martins e a admirar o entusiasmo do magricela Bas Dost pela marcação de golos. Mas, esclareço já, nesta matéria sou uma pura “rameira”, analiso pela rama. Também não sei se valerá a pena aprofundar.

Bruno de Carvalho, o jovem presidente da voz grossa, não parece ter cometido, até agora, erros na gestão do clube. Ouço dizer que as contas estão equilibradas, que as diversas modalidades desportivas estão bem apoiadas e em progressão, vejo que as instalações foram melhoradas com um novo, oportuno e elogiado pavilhão e que o clube de futebol, embora não vá em primeiro, se encontra bem classificado a nível nacional e com uma prestação a nível internacional que nenhum dos principais rivais igualou este ano (está bem, “esta época”).

No entanto, tudo indica que este presidente desenvolveu uma necessidade patológica de conflito a partir de uma embirração infantil com as contrariedades dos jogos e também com vozes discordantes (uma só já o afectaria, quanto mais dez). A convocação recente de uma assembleia geral para confirmar o apoio à sua liderança, que nenhuma massa minimamente expressiva contestava, foi considerada por muitos surpreendente, excêntrica e desnecessária. E foi. Perguntei-me se o homem não estaria algo chanfrado. Ou mesmo se não seria.

Quanto ao conflito actual, inicialmente com a equipa, dizem os bondosos que se deve ao facto de BdC viver obcecado com o objectivo de vitória no campeonato nacional e na Taça, e de vitórias em geral, e de ficar fora de si quando isso não acontece, razão pela qual desatou a criticar a equipa em público, ou seja, numa rede social, depois de algumas derrotas que se lhe foram acumulando na mioleira (Braga, por exemplo, até chegar ao Atlético de Madrid). Mas que podia tê-lo feito “dentro de portas”. Evidentemente que não só podia como também devia. Seriam, porém, precisas duas coisas: não ser pírolas e/ou ter mais experiência.

É, de facto, de uma estupidez crassa entrar em conflito aberto e na praça pública com a equipa que sustenta o clube e, ao mesmo tempo, colocar o treinador perante o dilema de se solidarizar com o presidente repudiando os jogadores (entretanto suspensos) ou de se solidarizar com os jogadores repudiando o presidente. Imaginem que o Jesus se solidarizava com o presidente? O clube autoexcluia-se do campeonato? Ninguém mais jogava? Os jogadores iam à vida e exigiam os seus milhões? Quem lhes pagava? Sabendo todos nós, e sobretudo o Jesus, que o “core business” de um treinador é treinar uma equipa e não treinar o presidente do clube nas técnicas de liderança (e muito menos dar-lhe apoio médico) e sabendo o próprio JJ identificar um homem sem juízo quando vê um, o dilema parece não ter demorado tempo nenhum a resolver. E assim houve jogo com a equipa A, que saiu vitoriosa, e houve evidentemente apupos ao imaturo Bruno, pelo que, mais coisa menos coisa, resta-lhe agarrar nas coisas e ir. Dar uma conferência de imprensa para se queixar de ter sido insultado no estádio e insultar quem o insultou sem poder dizer que vai pôr as claques em tribunal deve ter sido frustrante. Foi seguramente ridículo. Pobre homem. Que pena.

À hora a que escrevo, anda a ameaçar que demite o Marta Soares por este ter pedido a sua demissão e a dizer que vai convocar nova assembleia geral. BdC entrou numa espiral de loucura que só pode resultar numa humilhação monumental.

Será que os presidentes dos principais clubes de futebol portugueses estão condenados, em contraste flagrante com as equipas, a fazerem tristes figuras?

Na prática, 80% dos incêndios de Outubro tiveram causas intencionais

O DN faz um resumo do relatório independente sobre os incêndios de Outubro do ano passado. A páginas tantas, lê-se que  “em termos de grandes grupos de causas (…) 40% tiveram origem em reacendimentos, 40% em causas intencionais e 20% em negligentes“.

Portanto, 20% deveram-se a comportamentos negligentes, como os da EDP ou queimadas irresponsáveis, mas 40% foram o resultado de crimes premeditados. E o mais extraordinário é que os outros 40%, segundo o relatório, foram reacendimentos. Em lado nenhum se fala do efeito da incidência dos raios solares (“nas margaridas”) ou da formação espontânea de chamas. Ou seja, em 40% dos incêndios houve alguém que quis provocar tragédias intencionalmente e conseguiu, e os 40% restantes foram reacendimentos dos primeiros 40% intencionais, depois de terem sido dados como extintos. Podemos, assim, afirmar que 80% dos incêndios foram propositados, se incluirmos os que foram consequência dos ateamentos iniciais.

Parece-me muito esclarecedor e sobretudo muito grave e implica sem qualquer dúvida que se enverede por um discurso diferente sobre os incêndios, que comece por não omitir este dado importantíssimo e acabe a falar de vigilância local e familiar e de penas pesadas para os criminosos. Há pessoas que não se importam de atear fogos apenas pelo prazer de ver tudo a arder e famílias em pânico, algumas das quais acabam mortas. E assim temos hectares e hectares de floresta ardida e centenas de vidas destruídas por crimes que não só não foram evitados ou sequer mencionada a sua possibilidade em alertas, como também nem sempre são devida e exemplarmente punidos. Resta a questão de saber quantos dos incêndios intencionais, se é que alguns, foram ateados com fins políticos. Morreremos na ignorância? (Eu sei que está lá dito o seguinte: “Os elementos da comissão técnica admitem que as causas intencionais “são as que apresentam maior dificuldade na compreensão e na antecipação, por não ser conhecido o seu móbil, exceto posteriormente, se capturado e obtida confissão dos autores“.  Pois capturem-nos!)

Que a floresta estava seca e a esmagadora maioria das matas (mas nem todas) por limpar é uma verdade incontestável. E que esse facto, aliado aos fenómenos meteorológicos extremos, facilitou a propagação das chamas e a dificuldade em apagá-las também não suscita dúvidas a ninguém. Assim como o dever permanente e eterno de melhorar a coordenação, a organização e o emprego dos meios de combate para estancar a devastação. Mas também é verdade que a intenção de provocar danos – materiais e/ou políticos – não pode estar ausente dos discursos nem do apuramento de responsabilidades. Este crime não pode ser “normalizado” nem esquecido como se fosse uma inevitabilidade.

Tire lá o “medo” e ponha lá o “dó”

Passos Coelho teve de conduzir um ajustamento que não o deixou ser “social democrata”, tal como Mário Soares não pôde ser “socialista” em 1978 ou em 1983. Mas ao contrário de Mário Soares, Passos não pôde, por causa do Euro, recorrer ao véu da inflação. Na história portuguesa, foi o primeiro chefe de governo que, num ajustamento, não pôde dissimular os cortes com desvalorizações monetárias.  Governou com a verdade. Frequentemente sozinho entre uma oligarquia desorientada, não desistiu e poupou o país à via grega dos resgates sucessivos.”

Rui Ramos, no blogue “Observador” (Título : “Quem tem medo de Passos Coelho?”)

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Mentir é feio. E a si próprio deve ser desgastante e inútil. Já paravam com esse ridículo.

 

Quer dizer, há algum grau de identificação importante entre a opinião da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional e que é a nossa convicção do que é preciso fazer”.

Segundo o presidente do PSD, por esse motivo, “executar esse programa de entendimento não resulta assim de uma espécie de obrigação pesada que se cumpre apenas para se ter a noção de dever cumprido”.

“Por isso, não fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz às costas. Nós cumprimos aquele programa porque acreditamos que, no essencial, o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal para vencermos a crise em que estamos mergulhados”, reforçou.

Passos Coelho, 1 de Fevereiro de 2012.
Fonte: Jornal de Negócios
Relativamente a quem é que poupou o país à “via grega”:
(Fonte: Correio da Manhã)

Ódio? Mas qual ódio?

Há comentadores de direita que, à falta de melhor, optaram agora por dizer que quem contesta e critica a nova função lectiva de Passos Coelho no ISCSP o faz por uma questão de ódio ao homem. Ora, isso é um exagero que o próprio, se virmos bem, nem merece.

 

Eu aqui mesmo gozei com o convite que o director do dito Instituto dirigiu ao ex-primeiro-ministro e com a sua aceitação. Mas não porque o odeio. Pobre diabo, não! O que acontece é que, do que observei do seu mandato à frente do executivo, muito pouco de relevante para substanciar uma matéria leccionável se pode dizer que tenha sido da sua autoria. Pode mesmo dizer-se que, da sua autoria (e resta saber se), foram principalmente os convites dirigidos a alguns ministros para que executassem o saque segundo uma linha de pensamento que Passos aprendera à pressa com crânios como António Borges ou Catroga e outros teóricos liberais do PSD e que ele sabia ser a do FMI e a dos comissários então envolvidos. Assim, as Finanças – a parte mais importante em período de resgate – foram entregues a Vítor Gaspar (que, pelo estilo e a alegada sabedoria, era a estrela do Governo) e, mais tarde, depois de a dita estrela ter sido pescada para outro posto por excelentes serviços à causa do ajustamento e a própria ter percebido o desastre das experiências científicas que levara a cabo, a Maria Luís, sendo mais do que claro que Passos não era tido nem achado nas principais decisões. Tomaria conhecimento e despachava porque nada na sua ignorância o faria jamais desconfiar/discordar deles. O responsável da pasta da Economia tratou basicamente de vender empresas ao desbarato, a ministra da Agricultura andou a divertir-se, o Pedro Mota Soares promoveu as instituições de caridade, o Crato quis trazer o salazarismo de volta à educação e por aí fora. Todos tinham carta branca para fazer o que lhes apetecesse. O grande ponto alto do governo de Passos do ponto de vista político foi mesmo a declaração de que iria além da Troica. Essa é que é a verdade. Iria, sim, e foi mesmo porque o Gaspar assim quis. Com as lindas consequências que se conhecem, mas, ainda assim, excelentes para o próprio Gaspar, agora com um belo cargo no FMI, de onde critica o que fez.

Enfim, tudo isto para dizer que Passos terá, objectivamente, muito pouco de positivo e substancial a ensinar a alunos doutorandos. Não me parece que a ciência da mentira (com que chegou ao governo, criticando a austeridade de Sócrates, faço lembrar), por exemplo, ou a ciência da colocação da voz (um dos seus atributos, mas longe de poder constituir uma disciplina universitária), ou pior ainda, o que aprendeu com Vítor Gaspar (que adorou sair daqui mal pôde), justifiquem a equiparação a professor catedrático. Muito menos a sua “difícil e dura experiência” com a execução de um programa de ajustamento exigido pelos credores (como alegou o Tavares do Governo Sombra), com o qual pudesse discordar por amor ao povo que o elegera. Nã. É que não só não travou discussão nenhuma com as instituições credoras, como também saudou a sua vinda e assumiu todas as políticas por elas defendidas, anunciando querer ir ainda mais longe (para mostrar ser o bom aluno que eventualmente não foi nos tempos de estudante). Repito: o Gaspar fugiu daqui. Se é isto que tem para ensinar, pobres audiências.  Mas talvez queira ouvir duas ou três coisas? Olha, pode ser. Mas ser pago para isso é que já me parece muito errado.

O futebol e os conluios judiciais são um melhor filão, vão por mim

Bom, está visto que, com este governo, o jornalismo acusatório, alarmista e de casos tem muito poucas hipóteses de prosperar. A exploração da tragédia dos incêndios até à náusea, raiando a pornografia, viu-se sem sustento sério para uma responsabilização do Governo e acabou por esmorecer e perecer com um relatório e o arrefecimento nocturno. O Presidente da República tentara ajudar à batucada, mas a culpabilização do Governo não colou nas populações, que conhecem melhor as causas dos incêndios do que o Presidente, acabando até este por se refrear perante as observações de excesso de protagonismo, aproveitamento de função não executiva, deslocações à milagreiro e lamechice.

Mário Centeno, o alvo mais apetecido da direita chafurdola, primeiro no caso SMS/ António Domingues/ CGD e, depois, no caso “bilhetes para o Benfica em troco de benefícios fiscais para o filho de L. F. Vieira”, acabou triunfando sobre a sacanagem e sobre as mentiras e a pulhice do Correio da Manhã e seus replicadores. O roubo de Tancos também animou as hostes, mas, por ser demasiado claro que Azeredo Lopes não tinha como função guardar os armazéns de armamento e que a Constança de qualquer modo já ia ser abatida, passou, e passou com uma gargalhada, mal apareceram as armas acompanhadas de um bónus. O caso serviu, isso sim, para pôr a descoberto as práticas pouco ortodoxas e os esquemas, quando não os crimes, de alguns militares e para mostrar que algo ia muito mal no exército, mas não por culpa do ministro.

O caso mais recente da ponte mais movimentada do país que estaria na iminência de colapsar porque o Governo não autorizava as obras de manutenção foi também, em menos de 24 horas, pelo cano, com a corrente, com a ventania, com o que quiserem. Mas, com os esclarecimentos dos protagonistas (LNEC, Ministério as Finanças, Infraestruturas de Portugal, ministro das Infraestruturas, etc.), foi sem dúvida para um lugar de inertes onde a Visão vira demais.

Os jornalistas deviam, pois, ter sempre à mão uns leques ou uns cubos de gelo que lhes moderassem os calores no exercício do quarto poder.

Busca permanente do conhecimento II

Vamos lá a saber: que terá aprendido Passos no cargo de primeiro-ministro para saltar do grau académico de licenciado pela Lusíada para catedrático do ISCSP?

O até há pouco tempo presidente do PSD não terá nenhuma cadeira específica a cargo em qualquer uma das três instituições, podendo as suas aulas serem integradas em diferentes disciplinas mediante o calendário lectivo de que cada Universidade.”

Incompreensível a falta de cadeira. Então a cadeira prática de “Zona de conforto I” ou “Dependência do Estado III”?

Ó Helena, mas quanto vale o Passos neste momento?

Segundo Helena Matos, Rui Rio e António Costa são dois “frágeis” – um porque ganhou a liderança do PSD com poucos votos e o outro porque não conseguiu para o seu partido uma vitória nas últimas eleições legislativas. Assim sendo, para ela, é ridículo andarem a conversar sobre as grandes questões nacionais, porque não têm representatividade suficiente. Ou seja, ela «sente-os frágeis». Ela, que os odeia (e sem dúvida «se sente frágil»).

Quanto a este ângulo de abordagem induzido pela raiva e a frustração, eu pergunto apenas: se a Helena continua a achar que quem teria representatividade e zero de fragilidade seria a facção do querido ex-líder Passos, por que razão terá este abandonado a liderança do PSD e por que razão nenhum dos apoiantes da sua linha de pensamento e acção, digamos assim (embora isto seja um luxo), se candidatou à liderança directamente, e não encapotadamente através do Santana (e que rica aposta), no recente congresso laranja? Por que não provou a tal «força», alegadamente proveniente da vitória nas últimas legislativas?

Não interessando para o caso o que eu penso de Rui Rio na sua nova função ou do diálogo pretendido, tenho más notícias para a linha dura de colunistas inconformados do Observador. O radicalismo desse tipo de direita que defendem, e sobretudo com os protagonistas conhecidos, não tem futuro em Portugal na próxima década. Eu diria mesmo que nem que aconteça uma crise financeira internacional como a de 2008. Dez anos não são suficientes para as pessoas se esquecerem da aldrabice, da ligeireza, da indiferença, da subserviência, do telecomando e da incompetência com que o país foi governado de 2011 a 2015.

Ora, representando os padres e afins que proliferam no Observador  um culto reconhecidamente equiparável às minorias, essa linha só terá alguma hipótese, na ausência de um candidato originário do sindicato de magistrados do Ministério Público que se proponha meter os “xuxas” todos na choldra como vossas excelências gostariam, com um recrutamento-choque para as vossas fileiras de uma figura do género vedeta da televisão (ou do futebol, vá), algo muito moderno e genuinamente novo. “Like the kids in America”. No fundo, não muito diferente de um candidato a cantor de revistas à portuguesa com um único recurso apreciado e explorável – a voz. Só que, desta vez, alguém que nunca tenha passado sequer por uma juventude partidária. Aqui fica a sugestão. Não quer dizer que ganhe. Mas podiam entreter-se assim.

Trump e os pistoleiros

Nas escolas norte-americanas, os tresloucados armados e com vontade de cometer massacres estão doravante avisados: o primeiro alvo a abater será o professor, que, embora com coldre e licença para disparar, certamente não estará a dar a aula de pistola na mão. Depois da próxima tragédia, armam-se as crianças todas. A NRA rejubilará. Nas palavras do seu presidente “o direito às armas é garantido por Deus a todos os americanos como direito de nascença“.

Governo Sombra, três à esquina a tocar a concertina

Cada vez mais sintonizado com os seus colegas de direita, Ricardo Araújo Pereira dá repetidamente espectáculos decadentes no painel das sextas à noite da TVI24. Não só tem um discurso enrodilhado, do qual acaba por se extrair muito pouco, normalmente uma ideia mínima e apenas centrada na extracção de uma gargalhada fácil do público e no excessivo respeito pelos seus colegas, como também em temas como Passos Coelho ou José Sócrates (este uma constante, se não o motivo, do programa, perdão, da pândega) consegue ultrapassar largamente o que seria expectável do seu colega Tavares, no primeiro caso pouco vendo para apontar de negativo, apenas sussurrando umas palavrinhas em que se consegue entender “mandar pessoas emigrar” e pouco mais, como se Pedro Passos no governo não fosse um manancial de incompetências, mentiras, erros crassos, políticos ou de previsão, cenas caricatas, afrontas e brejeirices, e, no segundo, indo muito além do que o João Miguel poderia dizer de acusatório. Fazendo-o até parecer moderado.

 

Pois no último programa, Ricardo resolveu trazer à baila uma entrevista dada, esta semana, por Sócrates a dois jovens jornalistas de um site independente chamado “É apenas fumaça“.

 

Para fazer humor, apresentou uma montagem em que o entrevistado repete até ao enjoo a palavra “barragens”. Cómico, não acham?

Devo dizer que, apesar da montagem de efeito fácil, Ricardo tem razão quando diz que o tema das barragens ocupou demasiado tempo da entrevista e, honra lhe seja, teve o cuidado de referir que a culpa até nem foi do Sócrates, porque os rapazes estavam mesmo interessados em insistir naquele tema. Mas, portanto, em vez de se ficar por aí – ou seja, na opção bastante questionável dos entrevistadores pelo tratamento exaustivo e excessivo da matéria energética – resolve fazer uma gracinha como se Sócrates ali tivesse ido com a obsessão das barragens (eventualmente para evitar outros temas, o que não foi o caso, pois, no fim, ele até se declarou surpreendido pelo fim abrupto do interrogatório). Ora, o que irritou o Ricardo neste particular irritou qualquer pessoa que estivesse a ouvir. Também eu pensei, a páginas tantas, que já largavam aquele tema, o qual ocupa mais de meia hora em quase duas. Ora, precisamente por isso, não é de admirar que o entrevistado às tantas expluda e comece a atacar os jornalistas acusando-os de defenderem a inacção em matéria energética. Estas explosões foram, claro está, outro tema de gozo do Ricardo. Sim, a aparente cólera de Sócrates em relação aos pobres desgraçados foi algo deslocada e aconteceu algumas vezes. Mas, mais adiante, Sócrates tem o cuidado de lhes dizer que não são eles os visados directamente, mas que aquelas posições estúpidas estão ali a representar uma visão que ele rejeita liminarmente. Claro que esta referência não ajudaria à gracinha pretendida do Ricardo e é simplesmente ignorada.

A referência ao local da entrevista, que lembra ao Ricardo, se não me engano, uma arrecadação, visa também denegrir o entrevistado, pretendendo transmitir a ideia de que a Sócrates já pouco mais resta para comunicar com o público do que entrevistas em vãos de escada. Embora, note-se o paradoxo, os entrevistadores tenham sido muito elogiados pela sua coragem e preparação e até contrastados com os entrevistadores clássicos das televisões. Mas enfim, em vão de escada ou não, o Ricardo lá foi ver. Não precisava, de facto, se o objectivo era gozar com o local e a forma. E efectivamente não é certo que o Ricardo tenha ouvido sequer alguma coisa do que lá foi dito. O que foi pena.

 

Quanto à entrevista propriamente dita, que se propunha, nas palavras dos próprios autores, “questionar as decisões tomadas, responsabilizar os representantes, dar voz aos representados“, houve, de facto, a preocupação de esmiuçar certas decisões governativas, e foi, para mim, óbvio que Sócrates, com maior ou menor impaciência, acabou por esclarecer bem o que estava em causa nos diversos temas. No fim, foi também impossível não achar que faltavam perguntas. Possivelmente, os entrevistadores não tinham por objectivo esmiuçar a operação Marquês ou as relações de Sócrates com o BES ou outros temas mais quentes surgidos já depois de afastado do poder, focando-se mais nas decisões governativas. Infelizmente, porém, faltaram ou foram apenas aflorados inúmeros temas, como as estradas, as PPP, os chamados “projectos megalómanos”, as condições do resgate, etc., que ficarão talvez para uma próxima. Muito provavelmente a pedido do Ricardo. Para fazer dali uma gracinha. O Tavares esteve estranhamente reservado nesta matéria. Será porque o compincha RAP já dissera tudo o que poderia fazer rir, porque as respostas de Sócrates o calaram ou ainda porque só reagiria se os rapazes tivessem enveredado pela operação Marquês, a prova provada de que o homem é um vigarista?

O Governo Sombra conta ainda com Pedro Mexia, que também consegue ver imensas qualidades em Pedro Passos. Painel mais plural não há.

Para ser “riófilo” ou “rioista”, este Baldaia tem que ser parvo?

Rui Rio conhece bem os perigos que tem o caminho das esquerdas e sabe bem dos erros que foram cometidos pelo governo anterior, liderado pelo seu partido. De uma governação atenta às clientelas eleitorais, como a atual, e que hipoteca o futuro firmando despesa, ou uma governação excessivamente liberal que deixou para trás os mais desprotegidos, como a anterior, venha o diabo e escolha, porque atrás de uma vem sempre a outra. Tem, portanto, de haver uma alternativa ao que temos agora e ao que tivemos no passado recente.

 

De que está a falar o Baldaia, quando diz que o actual governo “hipoteca o futuro firmando despesa”? Que despesa? Baldaia não especifica. Estará a referir-se ao alegado aumento do número de funcionários públicos ou à reposição de algum do seu poder de compra? Pode ser. Provavelmente é. Mas aposto que, num próximo editorial, é bem capaz de nos estar a rosnar, perdão, a alertar para o facto de o Serviço Nacional de Saúde não dispor de pessoal médico e de enfermagem suficiente e de se estar a degradar a  cada dia que passa. Para o facto de, agora que as receitas aumentam, nada justificar que se continue a desprezar o sector da saúde (e da educação pública) como se estivéssemos sob o domínio da Troica. E acabar a chamar ao actual governo “austeritário”, ganhando quiçá um passaporte para o Observador. Também é capaz de, brevemente, nos alertar para o facto de não haver suficiente investimento público em infraestruturas; ou investimento público tout court. Enfim, uma farpa qualquer sem grande ou pequeno aprofundamento. E, já agora, no que toca a “clientelas”, qual é, qual foi e qual será o governo que não se preocupa com “as clientelas eleitorais”, também designadas «os seus eleitores» ou «a sua base de apoio eleitoral»? Muito gostaria de saber. O Rio não quer saber? Até o Pedro Passos, o pretenso indiferente aos votantes, com os seus insultos aos “preguiçosos” e portugueses em geral, mais não fazia do que apelar, com isso, àquela classe de gente adepta do “fartar vilanagem”, aqueles empresários do que é bom é pagar pouco, salários de miséria e Mercedes topo de gama à porta, e do quem não está contente que emigre. Há quem se identifique e excite com esta postura política toda ela novidade (na altura). Há, houve, muitos tansos que acharam piada. Gostaram do timbre que a acompanhava. Depois, enquanto dependentes de grunhos como esses entusiastas patrões, não gostaram de muito mais.

 

Mas o Baldaia insiste:

 

“Rio tem de saber explicar aos portugueses como se pode melhorar de vida agora sem comprometer o bem-estar futuro. “

Muito bem. E o Baldaia, não nos quer explicar já, poupando esforço ao Rio? Quem diabo estará a comprometer o bem-estar futuro e porquê, ó Baldaia? O que sugeres? Que maus resultados te atormentam?

[…]

“Regressando a Ferreira Leite e ao tempo em que um governo socialista aumentou os funcionários públicos em 2,9% para ganhar as eleições, importa recordar que a consequência desse serviço à clientela eleitoral resultou em prejuízo da própria clientela com um corte nos salários de 3,5 a 10% decidido no ano seguinte. Isto tem de ser dito com clareza a um povo e a um governo que vive como se não houvesse amanhã.”[…]

Mau. Porque exagera o Baldaia? Alguém está a viver “como se não houvesse amanhã”? E, se está, isso é mau? Repare-se como o Baldaia não se atreve sequer a utilizar o verbo “gastar”, que normalmente acompanha a referida expressão. Fica-se pelo “viver”. Contentemo-nos, pois, com a mera alegria de não estarmos a morrer como se não houvesse amanhã. Mas entretanto, estará tudo a dormir na União Europeia, no FMI, na Moody’s, na Fitch, no Eurogrupo?

Não é por nada, mas eu entendo que o director de um jornal devia ser mais objectivo do que estas afirmações cartilheiras (estou tão contemporânea) denotam. Tudo o que Baldaia aqui diz namora a sério com a parvoíce.

Como Sócrates e muitos outros já disseram e é fácil de entender, os funcionários públicos foram aumentados em 2010 – e com o apoio do PSD de Ferreira Leite – ao fim de vários anos de salários e carreiras congelados e como forma de estimular um pouco a procura numa altura de crise, uma tentativa de medida anti-cíclica, como, aliás, fora defendido pela União Europeia numa primeira fase (antes de o desastre grego vir ressuscitar as hegemonias morais). Era eleitoralista esta medida? Também era, mas não era só. Tinha outros objectivos. E os cortes que mais tarde se seguiram têm justificações igualmente fáceis de explicar. O BCE, a Alemanha, a Comissão Europeia e toda a parafernália institucional que geriu a crise do euro desencadeada em 2009 optaram, passado um ano, pelo conflito inter-êurico norte-sul, entre credores e devedores, virtuosos e pecadores, pelo garrote aos gastadores sem-vergonha, pelo “cada um por si” e pela austeridade recessiva (daí os cortes de salários) e isto durante tempo demais até o BCE decidir finalmente intervir na agonia, deixando-se de preconceitos e moralismos deslocados e suicidas e começando a comprar dívida, perante a iminência de colapso da moeda única e da própria União. Portanto, o Baldaia devia deixar-se de conversa tonta. Até porque toda a gente sabe que, caso surja nova crise internacional grave, não sendo nós a Alemanha, voltaremos a passar mal, como passarão mal os outros milhões de cidadãos da UE lá nos seus países, que, entre outras coisas, deixarão de vir até cá gastar o que agora ganham e de nos comprar o que não podem. Esteja cá o governo que estiver.

Se o Paulo gosta do Rui Rio, se gostaria de o eleger primeiro-ministro e quer aqui manifestar-lhe o seu apoio, é livre de o fazer. É o que está a fazer, aliás. Mas não deturpe nem tresleia nem maldiga as razões por detrás do sucesso actual da economia nem deixe subentendido que o que seria bom seria manter o garrote. Ao menos diga-o claramente. E prepare-se para ouvir que, nesse caso, os resultados económicos seriam outros. Outros e maus. O consumo interno, o dinamismo de muitas empresas e o consequente aumento das exportações são as peças mais lustrosas da turbina nacional actual. Que mais se pode desejar? O que há aqui a eliminar, ó Baldaia? Além disso, relativamente às despesas que apoquentam o Baldaia, lembro que funcionários públicos são também os bombeiros, os guardas florestais, os guardas prisionais, os militares, os polícias, os funcionários do SEF. Tragicamente escassos, não é?

Há mais estúpido do que isto, mas isto já levaria um prémio

O Tavares mau da última página do Público é de um ridículo que mete dó. Para demonstrar que o segredo de justiça não é assim tão importante face aos crimes cometidos por alguns poderosos («um» poderoso talvez fosse mais correcto neste caso obsessivo), de que os jornais que ele aprecia dão conta e acusam sem pejo, tergiversa e tergiversa com as adversativas de outros articulistas, inventa que não há ninguém que melhor do que ele defenda a presunção de inocência e, no final, conclui pelo que sempre conclui e por onde devia ter começado, poupando-nos mais uma leitura inútil: José Sócrates é culpado de tudo o que o Correio da Manhã e o Rosário Teixeira o acusam e abençoadas “violações do segredo de justiça” neste caso. Ponto. E ponto final. Sem qualquer “mas”. Como ele gosta. Está lavrada a sentença e só não se percebe o que anda Sócrates ainda a fazer fora da prisão nem o absurdo da preparação de uma defesa. Há lá defesa possível?

Este Tavares nem percebe que ele próprio é a prova provada dos métodos perversos do Ministério Público: já odiava Sócrates, vai daí adorou a Tânia Laranjo, a Felícia Cabrita, o Dâmaso e tutti quanti dessa escola da pulhice jornalística para a qual não há «mas» nem meios «mas» e dos seus pactos com o MP. E vai daí também, toca a publicar, artigo sim artigo não, libelos acusatórios com base no que o MP passa ao Correio da Manhã (ou este lhe exige). Por isso, tudo o que disseram e dizem os pasquins oficiais do MP é sagrado, é música para os seus ouvidos e ele só pode querer mais e mais e insistir na acusação sem julgamento.

Vejam aqui amostras:

[…]“Eles [certos fazedores de opinião, como Adão e Silva, Marques Lopes, etc.] não têm dúvidas de que os mais poderosos devam ser punidos pelos seus crimes, mas relembram a cada passo a presunção de inocência (como se alguém quisesse acabar com ela),[…]”

Ah, ah. E não queres ó Tavares? Tu já acabaste com ela!

[…]“A eleição de Isaltino Morais mais um mandato à Câmara de Oeiras é a prova de que em Portugal há reputações que não se sujam nem com condenações em tribunal, quanto mais com meras suspeitas. E o recém-arquivado caso Centeno demonstra que o tão estupidificado povo sabe reconhecer uma suspeita absurda quando a vê — quem levou justa pancada foi o Ministério Público, não o ministro das Finanças benfiquista. Perante isto, como justificar a obsessão de tantos colunistas em relação ao segredo de justiça? A minha tese é esta: para quem ainda está a fazer o luto da Operação Marquês tudo serve para descredibilizar a instituição que descredibilizou as suas opiniões sobre a honorabilidade de José Sócrates.”

José Sócrates. Cá está. Chegou onde queria. Não, pazinho, o caso Centeno NÃO demonstra “que o tão estupidificado povo sabe reconhecer uma suspeita absurda quando a vê”. O que demonstra é que a justa indignação de uma parte importante da opinião publicada e televisiva (uma elites, se quiseres) deixou de rastos uma instituição que já se suspeitava ser incompetente e abusadora do poder que tem e gostar de trabalhar para o espectáculo mediático. Caso contrário, o povinho que lê o Correio da Manhã lá engoliria a insinuação e transformá-la-ia depressa em invectivas e acusações. O que, para ti, estaria óptimo. Aposto que foi com alguma desilusão que viste a operação “bilhética” ir por água abaixo.

Pobre Justiça quando não há distância alguma entre o MP e o Correio da Manhã

Nunca o miserável jornal alguma vez imaginou nos seus sonhos mais húmidos que comandaria o Ministério Público. Mas aconteceu. Está a acontecer. O que o CM diz, o MP toma por bom. Nem discute. Ainda se pensava que era o Ministério Público a utilizar o pasquim popularucho dos escândalos para fazer o seu jogo perverso. Ilusão. É mesmo o Octávio Ribeiro e o grupo Cofina que dão as ordens e que, pelos vistos, em todos os casos conhecidos, exigem informações em segredo de justiça e as publicam em conluio com certos e determinados procuradores. É esta a qualidade do Ministério Público?

 

Uma semana de enxovalho para Mário Centeno e nada acontece quando o principal órgão de investigação criminal vai atrás da primeira insinuação que possa vir à cabeça do Octávio Ribeiro.

 

MP arquiva inquérito que envolvia Centeno e Benfica.  Procuradoria-geral Distrital de Lisboa diz que nada aponta para “crime de obtenção de vantagem indevida”.

A grande investigação à utilização dos cartões de crédito pelos ministros de Sócrates

(Repetindo um bocado o Valupi)

 

Um primeiro-ministro assim tão corrupto como o Sócrates só podia estar rodeado de ministros corruptos, insinuou-se aqui há uns anos, no tempo de Paula Teixeira da Cruz. Ele não agia sozinho. Aquilo era um bando de vigaristas muito bem orquestrado. Embora lá vasculhar os cartões de crédito daquela malta, disseram os magistrados do MP.

Pronto. Então não é que é verdade? Andaram a mamar e bem à conta do Estado.

Soube-se hoje, após prolongada e competente investigação, que um dos membros do governo de Sócrates (secretário de Estado) se excedeu nos gastos (14 000 euros, lê-se) … em livros e um outro utilizou o cartão para comprar … o quê, o quê? Revistas, lá está, no valor de 400 euros.  Quatrocentos. Com um chefe assim, não admira. Corruptos!

Ó Sócrates, pá, menos mal que não é droga. Vá lá.

Alguns pressionam pela positiva, equiparando Rio a Passos*

Lendo os principais ideólogos do agrupamento que se poderia intitular “Estado mínimo” ou “Portugueses contra zonas de conforto”, que publicam (e espumam) no Observador – o Rui Ramos e o José Manuel Fernandes -, ou Rui Rio faz como eles querem, a saber, defende que se “reforme o Estado” despedindo todos, que se privatize tudo, desde a saúde à educação, passando pelos transportes públicos, que se extingam as chamadas “clientelas do Estado”, como bombeiros, guardas florestais, assistentes sociais, operadores de Kamov, professores ou médicos, e que se dê a iniciativa a entidades privadas (como já fizeram, para agora se queixarem da falta de pessoal em todos os serviços básicos que o Estado tem obrigação de prestar aos cidadãos, como a protecção e a defesa, além dos serviços postais), ou eles, a direita desmiolada e os promotores do derrotado Santana Lopes fazem-lhe uma guerra tal que, se o homem não cair com os disparos, formam um outro partido. Poderá ser o… deixa cá ver… PPD. O segundo «P» valeria por «populista». Estaria na moda e diria ao que vinha. Seria politicamente incorrecto, elitista, grunhista e anti-distribuição. Defensor dos salários baixos. Um partido de direita a sério. A apoiá-los, contariam com pessoas como o André Ventura e o Passos Coelho. Estás feito, Rio. Se não fazes demagogia com a sustentabilidade da Segurança Social, o chamado “direito de escolha” no ensino, as gorduras do Estado, os direitos adquiridos, o salário mínimo e o próximo Procurador-Geral do Ministério Público, cuja nomeação os socialistas querem (sempre) viciar, o futuro PPD faz-te a folha.

 

*Por exemplo, este

N gargalhadas e um funeral

Rui Ramos, hoje, no site Observador

[…]

“Descontemos a lenda das “trapalhadas” de Santana. Em 2004, para facilitar o trabalho ao presidente da república, toda a gente teve interesse em fingir-se muito chocada com os incidentes e gaffes governativas do costume. ” […]

 

Cinco gargalhadas, só num período:

a lenda

trapalhadas entre aspas

para facilitar o trabalho ao presidente da República

fingir-se muito chocada” (o homem chegou a ir de férias 20 dias depois de ter tomado posse)

do costume” (qual costume?)

 

 

Ataque de riso, felizmente não fatal:

[…] “No fim, quando o presidente o derrubou, Santana cometeu ainda outro erro: resolveu exibir sentido de Estado, foi respeitoso, resignou-se. Ajudou assim a causa dos seus inimigos, ao parecer ele próprio dar razão ao presidente. ” […]

Chama-se a isto fidelidade canina. Até ao enterro. Irra!