Homenagem, na pessoa do Professor Moniz Pereira, a todos os que dão muito mais do que aquilo que esperam receber.
Foi há mais de vinte anos. Carlos Lopes acabara de chegar à meta da glória na Cidade dos Anjos. A emoção apertou-me a garganta e espremeu-me as esponjas das lágrimas.
Pensei no Professor Moniz Pereira. Deveria estar sofrendo a solidão dos treinadores quando os atletas vencem na pista e recebem todos os aplausos. Como se fosse possível aplaudir uma obra-prima esquecendo o seu criador.
Então, e apesar de mais de duas mil léguas nos separarem, imaginei que me aproximava dele e dizia: “Já pensei em si.” Ele olhou-me, sorriu e respondeu: “Pois eu ainda não.”
DANIEL DE SÁ
Agora deste nos vinte, Daniel, e no verbo mais morto de todos.
E no entanto a coisa não vai lá sem ele!
lindo. :)
Eu não percebo nadinha de escritas, mas vindo de quem vem, a mim parece-me que esse último parágrafo precisa dum par de muletas revisoras.
Belo texto. O professor Moniz Pereira merece tudo. ESta história apesar de curta é uma enorme homenagem.
Jorge, desce-me ao menos um ponto, para que o vinte fique para essa tua classificação do verbo servir.
Susana: linda!
JCF
Desde a minha infância que o Professor Moniz Pereira é um dos meus modelos de pessoa. Como o Manuel Marques. Gosto muito de futebol, mas aprecio qualquer desporto que mereça ter homens destes.
(Esta croniqueta foi publicada num jornal pequenino aqui de S. Miguel. O Professor soube dela através do JCF, e telefonou-me, comovido, a agradecer. Foi uma das melhores recompensas que recebi até hoje por um escrito meu.)
“Eu também acho” que quem descobre erros deve corrigi-los. Força!
Ouvi hoje (ontem) Moniz Pereira na Antena 1, um grande senhor, feliz, falaram, precisamente disso, os atletas receberem as medalhas e ele «ficar nas covas».
A companheira de toda uma vida (Carlota) teve uma frase brilhante de humor e cumplicidade:
– Ele mesmo assim aparece muito, é muito vaidoso…
Obrigado, Pedro Oliveira, pela informação. Curiosa coincidência. E, para mim, comovente mesmo. Ninguém imagina a admiração que tenho por aquele Homem. Creio que não é exagero considerá-lo o maior desportista português de todos os tempos. E um dos maiores do Mundo, claro.
Lembro-me bem dessa madrugada, dessa alegria. O coração tão alto, a bandeira.
Ficou comigo. Nestes 23 anos, voltou algumas vezes.
Bela homenagem, Daniel.