Servir

Homenagem, na pessoa do Professor Moniz Pereira, a todos os que dão muito mais do que aquilo que esperam receber.

Foi há mais de vinte anos. Carlos Lopes acabara de chegar à meta da glória na Cidade dos Anjos. A emoção apertou-me a garganta e espremeu-me as esponjas das lágrimas.

Pensei no Professor Moniz Pereira. Deveria estar sofrendo a solidão dos treinadores quando os atletas vencem na pista e recebem todos os aplausos. Como se fosse possível aplaudir uma obra-prima esquecendo o seu criador.

Então, e apesar de mais de duas mil léguas nos separarem, imaginei que me aproximava dele e dizia: “Já pensei em si.” Ele olhou-me, sorriu e respondeu: “Pois eu ainda não.”

DANIEL DE SÁ

8 thoughts on “Servir”

  1. Eu não percebo nadinha de escritas, mas vindo de quem vem, a mim parece-me que esse último parágrafo precisa dum par de muletas revisoras.

  2. Jorge, desce-me ao menos um ponto, para que o vinte fique para essa tua classificação do verbo servir.
    Susana: linda!
    JCF
    Desde a minha infância que o Professor Moniz Pereira é um dos meus modelos de pessoa. Como o Manuel Marques. Gosto muito de futebol, mas aprecio qualquer desporto que mereça ter homens destes.
    (Esta croniqueta foi publicada num jornal pequenino aqui de S. Miguel. O Professor soube dela através do JCF, e telefonou-me, comovido, a agradecer. Foi uma das melhores recompensas que recebi até hoje por um escrito meu.)
    “Eu também acho” que quem descobre erros deve corrigi-los. Força!

  3. Ouvi hoje (ontem) Moniz Pereira na Antena 1, um grande senhor, feliz, falaram, precisamente disso, os atletas receberem as medalhas e ele «ficar nas covas».
    A companheira de toda uma vida (Carlota) teve uma frase brilhante de humor e cumplicidade:
    – Ele mesmo assim aparece muito, é muito vaidoso…

  4. Obrigado, Pedro Oliveira, pela informação. Curiosa coincidência. E, para mim, comovente mesmo. Ninguém imagina a admiração que tenho por aquele Homem. Creio que não é exagero considerá-lo o maior desportista português de todos os tempos. E um dos maiores do Mundo, claro.

  5. Lembro-me bem dessa madrugada, dessa alegria. O coração tão alto, a bandeira.

    Ficou comigo. Nestes 23 anos, voltou algumas vezes.

    Bela homenagem, Daniel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.