Que diz a isto João Aibéu?

A propósito de assassinatos de carácter (houve muitos, visando quase sempre socialistas, nos últimos 15 anos), veja-se a reportagem sobre o caso Casa Pia no DN papel de hoje, escondida lá a páginas tantas, sem chamada na primeira. O DN oline omite a história, não sei se por alguma razão secreta.

Na reportagem, três casapianos envolvidos na acusação confessam as suas mentiras, nomeadamente a respeito de Pedroso, Ferro Rodrigues e Gama. Declaram que não foram só eles a mentir, pois muitas das testemunhas de acusação terão feito o mesmo no processo e no julgamento, enquanto iam confessando isso mesmo privadamente uns aos outros. As pressões que exerceram sobre eles são denunciadas. Um afirma ter sido chantageado por um procurador de nome João Aibéu: “Ou dizes o que eu quero ou vais já preso”. Outro conta que “atiraram para o ar” os nomes que a PJ queria ouvir e a polícia depois pegou nos que quis, fazendo fugas controladas para a comunicação social. A polícia e os magistrados é que decidiram o que eles deveriam confessar. Outro casapiano confessa que foram aliciados pela perspectiva dos 50 mil euros de indemnização, à custa da destruição da reputação de figuras públicas, mas que agora está arrependido. Curiosamente, um declara que, dos sete condenados só o Silvino é realmente culpado, mas acrescenta que o ministério público decidiu não acusar um educador da Casa Pia que terá realmente estado envolvido no esquema pedófilo. Acrescenta o mesmo entrevistado casapiano que pode ser preso pelo que agora confessa, mas que não se importa.

Não sabemos nem podemos saber se, além do Silvino, outros condenados do processo estarão inocentes ou não. Quem mente uma vez por dinheiro, em princípio não merece grande confiança, excepto pelo facto de confessar enfim a mentira. Mas há vários aspectos importantíssimos destes testemunhos arrependidos de agora que, juntamente com outros já conhecidos, deveriam fazer pensar, pois lançam mais luz sobre as campanhas badalhocas de assassinato de carácter com que as “faces ocultas” da justiça que temos visaram a destruição de figuras públicas socialistas. Essas faces ocultas deveriam ser todas expostas – na PJ, no Ministério Público, etc. Talvez assim se percebesse melhor que cordelinhos as moveram, que interesses políticos as motivaram, que cumplicidades as tornaram possíveis. Em justiça autêntica, esses polícias e magistrados deveriam ser alvo de um inquérito e, eventualmente, processados – se é que alguma confiança ingénua ainda nos merece esta organização judicial profundamente corrupta.

Os putos mentiram porque, segundo expressamente declaram agora, estavam ensinados a mentir na Casa Pia (e talvez já antes), porque tinham grande interesse pecuniário nisso, porque foram pressionados a fazê-lo e porque o clima geral de caça às bruxas instalado na comunicação social a isso os incitava diariamente, fazendo esquecer os danos causados a outrem. Muito mais grave é o papel dos agentes corruptos e corruptores da organização judicial portuguesa, que são adultos, que tiveram educação, que presumivelmente sabem o que é a moral, que têm graves responsabilidades perante o Estado e perante o país, e que não obstante agiram conscientemente, guiados por interesses políticos, se não também por interesses de carreira, por dinheiro ou outros benefícios egoístas e ilegais.

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5 thoughts on “Que diz a isto João Aibéu?”

  1. o aibéu diz rebéubéu, polícias e magistrados só são julgados quando andam aos tiros e depois foi tudo a bem da nação e do regime vigente. malandro que queira impunidade vai para polícia ou juíz e inscreve-se no sindicato, já que não há seguradora que cubra as asneiras profissionais.

  2. João Aibéu “aos costumes disse nada”. Estes senhores escreveram uma história e pensaram que nunca seria publicada. Mas poderá ficar impune, que é para isto que existem os aibéus todos da nossa justiça que nos servem.

  3. O DN online continua a não divulgar a reportagem de página inteira ontem publicada na edição de papel do jornal. Parece que não assumem aquilo que publicaram…

    Ferro Rodrigues e Jaime Gama foram difamados por testemunhas do caso Casa Pia, os seus nomes andaram nas latrinas jornaleiras e televisivas durante meses ou anos. Os dois políticos difamados processaram essas testemunhas, como deve fazer quem quer defender a sua honra, mas os juízes não pronunciaram as testemunhas em causa, no primeiro caso, e absolveram-as no segundo.

    Quem é que pode limpar, de uma vez para sempre, as mentiras das testemunhas e a lama lançada pela PJ, ministério público e comunicação social sobre esses dirigentes do PS? Quem é que pode varrer completamente da cabeça do público a ideia de que, neste caso, “não há fumo sem fogo”?

    A carreira política de ambos foi gravemente afectada pelas falsas acusações cirurgicamente divulgadas. Jaime Gama, o nome mais presidenciável do PS, recusou, sem apresentar justificação plausível, candidatar-se à presidência (Cavaco Silva agradeceu) e, aos 63 anos, abandonou surpreendentemente a política. Ferro Rodrigues esteve seis anos na OCDE, em Paris, num exílio voluntário que o manteve à distância da esterqueira, mas que obviamente não limpou nem podia limpar de uma vez por todas o seu nome da suspeição que lhe colaram. Por mais inverosímeis que sejam as acusações postas em circulação, persiste sempre uma dúvida na opinião pública.

    Ninguém sabe que mossa fez este caso nas vidas pessoais e nas carreiras públicas de Ferro e Gama, mas é fácil imaginá-lo. Para limpar o seu nome, uma figura política difamada precisa de vir a público defender-se e, assim, manter vivo na comunicação social precisamente o assunto que foi criado para o destruir pessoalmente. Mas não há alternativa: o silêncio é rotulado de suspeito e o tempo, mesmo que fosse ilimitado, não resolveria. Só as próprias testemunhas, a comunicação social e a justiça poderiam conjuntamente limpar a merda que fabricaram, mas não estão obviamente interessados em descredibilizar-se e pôr a cabeça no cepo fazendo-o. E o público suspeita que as testemunhas que mentiram e se venderam uma vez podem mentir e vender-se mais vezes.

    Para agravar diabolicamente a ratoeira armada a Ferro Rodrigues e Gama, o seu envolvimento na história Casa Pia pode ter servido aos acusados não inocentes que agora se escudam em casos de figuras públicas falsamente acusadas para tentarem descredibilizar TODAS as acusações do processo. Ou seja, ilibando-se Ferro e Gama, teria que se ilibar, pelos mesmo motivos, todos os outros acusados. De onde se conclui que eram muitos os potenciais interessados no envolvimento dos políticos socialistas na história Casa Pia. Para além do móbil político dos assassinatos de carácter, há a estratégia de defesa dos acusados não inocentes, que lucram em ver o seu nome associado aos falsamente acusados. Ora o que menos convém a inocentes é serem ilibados juntamente com culpados e o que mais convém a culpados é serem ilibados juntamente com inocentes.

  4. tal como diz o marinho pinto, o bastonário, este processo casa pia tinha apenas por intenção decapitar o ps. e se eles tivessem sonhado que daí a pouco o sócrates iria ser eleito secretário geral e primeiro ministro, ai não tenham dúvidas, também apareceriam uns tipos de cara tapada no programa da boca-guedes a incriminá-lo nesse processo.

  5. O processo da “coisa da pia” (é assim que ele deve ser chamado) foi o ensaio geral para a vergonhosa colaboração entre o “jornalismo” mercenário e sem vergonha e a justiça burocrática, formal e formalista, incompetente, vingativa, arrogante, vaidosa e infantilóide que, para desgraça nossa, nos tem nas mãos.
    O ensaio geral rapidamente passou à fase de afinação de métodos e aperfeiçoamento de canais de comunicação, cedo atingindo uma eficácia e um refinamento obscenamente perversos, só possíveis por os seus intérpretes serem na maioria gente reles, malformada, sem vergonha na cara e completamente desprovida de escrúpulos.
    Tudo aquilo a que assistimos agora (Face Oculta, Freeport, PT/TVI, Tagus Park, etc.) tem as suas raízes na metodologia aperfeiçoada com a coisa da pia.
    O Carlos Cruz, o Manuel Abrantes, o Ferreira Diniz, o Hugo Marçal, o Jorge Ritto, o Paulo Pedroso, o Ferro Rodrigues, o Jaime Gama, etc. não foram apenas acusados de abusar sexualmente de crianças da Casa Pia. Foram, sim, acusados de abusar sexualmente de crianças da Casa Pia EM GRUPO, EM MANADA, EM CARDUME, EM BANDO, EM QUADRILHA ou lá que porra lhe queiram chamar! E que combinavam essas actividades colectivas telefonicamente, na maioria dos casos. E que se entregavam colectivamente a tal “desporto” porque se conheciam uns aos outros.
    O facto de a acusação não ter conseguido provar esse conhecimento mútuo (sendo que tudo apontava, aliás, para a tese contrária), de não ter conseguido apresentar um único registo telefónico entre eles ou entre qualquer deles e o Bibi (dada a tese acusatória de que os encontros eram combinados telefonicamente), devia ter feito soar imediatamente as campainhas de alarme, e é de bradar aos céus que tal não tenha acontecido.
    E não aconteceu porque se criou um clima de caça às bruxas em que qualquer desgraçado que se atrevesse a questionar, mesmo que minimamente, a paranóia antipedófila oficial era imediatamente rotulado de amigo de pedófilos, mesmo não conhecendo nenhum daqueles gajos de lado nenhum.
    Não era preciso mais nada para desacreditar completamente a acusação, pois a sua tese central era precisamente essa: a do conluio daqueles energúmenos todos para enrabar criancinhas!
    No meu caso concreto, acreditei piamente nas tretas da pia quando o caso surgiu, e continuei a acreditar durante algum tempo, nomeadamente quando o Carlos Cruz foi preso. Como muita gente, questionava-me até (e questionava) por que carga de água o embaixador não era preso, o que aliás acabou por acontecer.
    Quando, porém, vieram a lume as escutas ao Paulo Pedroso, em que conversas completamente inócuas eram consideradas, pelos procuradores que investigavam o caso, como prova de que o homem era pedófilo, caíram-me os colhões ao chão, caiu-me o queixo e andei uma semana sem conseguir fechar a boca, tal era o espanto! Afirmar, como fez o senhor procurador, que o facto de Paulo Pedroso falar do caso da pia provava que estava preocupado com o assunto e que, por isso, tudo indicava que era pedófilo, era tese de doidos. A ser verdadeira, metade do país era pedófila e metade do país ia presa, pois na altura toda a gente falava nisso, eu incluído.
    A partir do momento em que comecei a mijar fora do penico dos “cruzados”, a verbalizar dúvidas e reticências, a colocar questões, começaram as indirectas, as quase ameaças veladas, ou, no mínimo, os silêncios cobardes. E digo cobardes porque me apercebi de que alguns tinham, no fundo, apenas medo de, concordando comigo, ser rotulados de amigos de pedófilos.
    Tirando o Bibi, os acusados ou são todos culpados ou são todos inocentes. É irrazoável admitir que alguns poderão estar inocentes mas que outros serão culpados. Na minha opinião, fundamentada em toneladas de informação que devorei sobre o assunto, são todos inocentes. Acredito que o embaixador poderá, eventualmente, ter cometido abusos no género daqueles de que é acusado no processo, mas não aqueles de que é acusado no processo. Acredito que só foi lá metido para dar credibilidade àquilo tudo, por ser um notório e assumido pederasta, com uma figura fisicamente quase repelente. Era fácil odiar o velhadas panasca que gostava de meninos e, a partir daí, odiar todos os outros. Excepto o Bibi, tadinho dele, porque era pobrezinho e também fora enrabadinho em pequenininho! Não consigo imaginar em que porra de norma legal a escumalha foi buscar a ideia de que os “ricos e poderosos” que enrabam criancinhas cometem um crime execrável e cobarde, mas os pobrezinhos podem papá-las à vontade porque não lhes faltam justificações e atenuantes… mas enfim, misteriosos são os caminhos do Senhor, bendita seja a porra do seu nome!
    Sem o caso da coisa da pia, suspeito que teria sido um bocado mais difícil concretizar a maré infecta de casos em que diariamente nos afogaram e afogam ainda a todos. A treta da pia serviu para decapitar um partido, assim permitindo ao partido então no governo governar praticamente sem oposição. A maré de casos de merda que a impunidade da pia encorajou permitiu mais uma vez decapitar o mesmo partido, agora no governo, criando e alimentando diariamente um clima de golpe de estado permanente que deu no que toda a gente sabe. Puta que os pariu!

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