Pastelaria Suíça

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O senhor que me serve o café já reparou em mim. Nada de particular. É um bom empregado. No seu registo profissional, eu sou aquele fulano que aparece por ali quando lhe dá na telha, isto é, servindo um perfeito caos estatístico.

O que ele não sabe é que, todos os dias que Lisboa tem de aguentar-me no lombo, a minha chávena de café é feita ali. Não porque a qualidade do produto seja grande. Mas sou eu que, numa vida certinha, acabo dando chances ao irracional.

13 thoughts on “Pastelaria Suíça”

  1. O Fernando é discreto, mas muito observador.

    Por acaso em Londres durante algum tempo o meu melhor amigo era empregado de mesa. É uma profissão que exige uma personalidade muito especial …

  2. Fazes parte da estatistica que dá alma ao lugar.
    E já agora, é bica, italiana, café curto, pingado ou… um café, por favor!?

  3. Outra posta saudavel, Fernando. E que linda cena: a bica, o homem e o vício, a pastelaria do costume e a visita dependente da telha que de ora em quando assalta o seu hemisfério dominante. O que esqueceu foi mencionar (está perdoado) o pasquim, ou livrório, que estaria a ler na altura. Ou só lá foi para apreciar as mamas das meninas e as sobrancelhas densas e negras dos rapazes?
    Mas muito em breve, suponho, terá que optar pelo cantinho isolado dos párias fumeantes ou outros locais públicos para ensaiar o manso estro com ajuda de cafeínas, porque o ritual irá sem dúvida sentir-se das novas alterações (http://jn.sapo.pt/2007/05/02/nacional/comerciantes_de_denunciar_fumadores.html) previstas pelo neo-fascismo montante para a cadelinha submissa lusa. Que saudades que alguns de nós, os mais velhotes, irão ter do fascismo salazarista que nunca ousou declarar cafés e pastelarias como postos compulsórios de vigilância de cidadãos insubmissos.
    Sugestão de título de livro que venderá bem no futuro: “Como denunciar o seu vizinho ou irmão sem ficar com remorsos”. A si, que anda, aparentemente, de boas relações com as editoras que mais (se) vendem.

  4. A habitual intervenção trans-silvânica, tardeira como de costume, du comte Valupi – o tal da “aristocracia ética, suprema realização da democracia”.

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