Gente fina é outra coisa

Nunca foram mulatos ou pretos quando os cabeças-rapadas andaram à solta e mataram no Bairro Alto. Nunca foram imigrantes turcos quando residências foram incendiadas na Alemanha. Nunca foram iraquianos inocentes atingidos por fogo colateral. Nunca foram subsarianos mortos numa jangada no mediterrâneo.

E certamente nunca foram um judeu alemão quando esta frase foi cunhada em apoio de Daniel Cohn-Bendit, em 1968.

Apenas agora os ideólogos d’O Independente querem ser dinamarqueses.

Como os compreendo. Ser dinamarquês dá uma certa classe. Pessoalmente, invejo-lhes os subsídios de desemprego, a assistência médica, a segurança social e, se bem me lembro, as universidades de graça ou quase. Também não me importava de ser dinamarquês.

O azar é que os correligionários locais d’O Independente estão pouquíssimo interessados em naturalizar estrangeiros.

[Rui Tavares, publicado também em Caravaggio Montecarlo]

25 thoughts on “Gente fina é outra coisa”

  1. e isso dá o direito de queimar bandeiras e oferecer ouro pela morte desoldados dinamarqueses

    a tua cegueira é enorme
    porque se fossem os negros do BA tu aplaudias, mas como são DK estas-te boerrifando

    liberdade é defender mesmo aqueles que não querem imigrantes ou outras ideias abjecta

    apergunta que te faço
    é
    liberta-te da dictomia esqueda direita e responde de que lado estás de quem defende a liberdade ou dos que queimam bandeiras?

  2. Eles bem podem querer ser dinamarqueses, mas os dinamarqueses não os querem a eles (acham os portugueses uma espécie africana e os católicos muito parecidos com os muçulmanos… e talvez não se enganem muito sobre nenhuma das duas coisas). O que vale, nisto da solidariedade, é que não é preciso pedir licença…

  3. So what? É completamente irrelevante e, para mais, não fazia sentido fazer um cartoon sobre outro qualquer discriminado. O que se discute neste momento são os dinamarqueses.
    Esta gente quer à viva força condenar a liberdade de expressão em nome de uma sensibilidade/manipulação que é estranha à história da cultura ocidental. É a ditadura do politicamente correcto defendida pelos antigos arautos da ditadura do proletariado. Mas acalmem-se. No mundo ocidental terão sempre direito à vossa opinião, por mais descabelada que seja. É aí que radica a nossa CIVILIZAÇÃO, quer vocês queiram quer não.

  4. Ah pois sérgio! Queimar bandeiras é uma coisa muito grave. É que nem sequer foi a tua bandeira a ser queimada… acho eu, que te julgo português. Agora os “ocidentais” permitirem ou colaborarem (o que dá no mesmo) numa infinidade de actos de chacina, contra os árabes, isso sim; é justificadíssimo e também não magoa nada.
    O Rashdi também foi condenado à morte e ainda está vivo, para além de ter ganho uma fortuna com um livro que não vale um pataco (que não se venderia sem essa ajuda propagandistica). Estúpidos aqueles árabes… Assim mais ou menos como os ocidentais, ou os americanos que até elegem cretinos como Bush para governarem o Mundo. Não há dúvida de que somos todos feitos da mesma massa. A diferença é que os árabes não invadem o ocidente porque Bush e a sua trupe são uns facínoras… limitam-se a queimar umas bandeiritas. Se os ocidentais lhes fizessem o mesmo estavam eles bem…
    Não há dúvida de que, em matéria de primarismo, os ocidentais não são diferentes, nem melhores, apenas mais presunçosos e estúpidos, apesar de se acharem mais evoluídos…

  5. Quando me disserem que estes dois agora estavam no aspirina, pensei que me estavam a gozar. Mas não só estão como até – lata não lhes falta! – já postaram por aí umas tretas pela liberdade de expressão. Logo eles que no Barnabé instituíram a censura! Para quem não tem vergonha, de facto todo o mundo é seu…
    Não é só nesta descarada falta de vergonha que reincidem: reincidem na atrelagem a vítimas mediatizadas; reincidem na “glorificação” do amigo verde alemão; reincidem no umbiguismo e no desprezo pela realidade social nacional. Como qualquer bobo que se preze!

  6. Por acaso até são gente muito fina. Já quando faziam manchetes com o sentido “somos todos Carlos Cruz”, essas escaparam à crítica da dupla Rui Tavares, Daniel Oliveira. Se eu vos visse a preocuparem-se com algumas manchetes bem mais questionáveis que estas, ainda dava algum crédito aos vossos reparos. Assim é mais do mesmo, só se preocupam com as caricaturas, com a violência fanática e instrumentalizada estão descansados.

  7. Caros Aspirinas:
    Para mim já chega! Andamos à mais de uma semana nisto, já cansa. Os fundamentalistas islâmicos já deram o espetáculo triste e revoltante que queriam dar, a extrema-direita europeia já conseguiu mais alguns adeptos. Preparam-se entretanto uns atentados terroristas e umas guerras. Portanto, para mim chega!! Chega de continuar a bater no ceguinho!! Deixai o Independente em paz. Eles foram os últimos a poder publicar sobre este assunto. Deixai-os em paz!

  8. Há entre os bushistas ou neocons portugueses muita gente intelectualmente bem preparada, o que não os impede de tomarem posições criminosas de que mais tarde se envergonharão (tal como já se envergonham do seu passado maoista). E na questão sobre a qual me pronunciei, as relações com o mundo árabo-muçulmano, é evidente que são perigosos ignorantes. É facílimo desmontar os sofismas do seu discurso islamófobo. Peguemos nas últimas pérolas do Valupi: Começa por jurar que não sanciona qualquer acto criminoso, para depois dissolver qualquer ideia de responsabilidade normativa (“ideológica” para ele…) num pessimismo antropológico à outrance: “nenhum sistema político evitou a guerra” diz boçalmente, parecendo esquecer que a União europeia, a pátria dele, realizou o sonho kantiano da Paz Perpétua na Europa pós-45, pondo fim a uma guerra civil de mil anos, e que transpor esse modelo para a escala mundial é precisamente a sua principal missão.

    Mas depois volta ao registo ético- normativo errando 180º o tiro quando não ataca os terroristas cruzados, ocupantes, ladrões de petróleo e genocidas a população civil com armas químicas, como seria natural numa consciência bem formada, mas os ocupados, agredidos unilateralmente à revelia do direito internacional, os roubados e massacrados, chamando-lhes raivosamente “terroristas, psicopatas e alienados que se reclamam defensores do Islão” !!! Os nazi-fascistas é que costumavam chamar terroristas a patriotas como De Gaulle, Mandela, Cabral ou Xanana… Dois e pesos e duas medidas sempre, é o lema de qualquer nazi-sionista que se preze !

    Só mais um disparate: apresenta a questão como uma opção a tomar entre o modelo europeu e o islâmico. É evidente que não é disso de que se trata: os muçulmanos só querem expulsar os invasores cruzados das suas terras na Palestina, Iraque, Afeganistão, Golfo, etc. e escolher livre e democraticamente os seus governos derrubando as ditaduras pró-americanas que lhes são impostas pelo terror interno e externo (gulague bushista). NÂO QUEREM DECIDIR A NOSSA FORMA DE GOVERNO NA EUROPA, NÃO NOS QUEREM INVADIR NEM ROUBAR AS NOSSAS RIQUEZAS. Logo, se o modelo deles é melhor ou não que o nosso não está aqui em questão. Eu acho que o modelo europeu (mas não o americano que já não é democratico desde o 9/11, com Guantanamo, Patriot Act, agressões unilaterais, tortura em larga escala, etc.) é o melhor do mundo. E os árabes querem esse modelo adoptando a democracia, como na Palestina, não querem a “democracia” de Mubarak, Abdalah, Musharaf e outros ditadores fantoches. Querem também a ordem multilateral kantiana à europeia, que os põem ao abrigo das cobiças assassinas e piratas do Império… Logo, nas linhas gerais, não há incompatibilidade de civilizações. Democracia, independência nacional, sistema multilateral internacional e justiça (TPI)que puna os criminosos de guerra como Bush, Blair e Rasmussen.

    A luta actual é entre o modelo kantiano-europeu de relações internacionais, baseadas no direito IGUAL (sem double standards) para todos, contra o modelo unilateral, imperial, terrorista dos EUA. E por isso eu, europeu, liberal de direita e católico apoio a causa do Islão ocupado e agredido. Por ser ocupado e agredido, não por ser Islão. Se o Islão fosse o invasor e os EUA os ocupados eu seria pró-americano, pelas mesmas razões. Por amor ao direito internacional que é igual para todos.

    O cinismo valupiano e de outros biltres nazi-sionistas (quase todos ex-adoradores histéricos do autor do Grande Salto em Frente dos 30 milhões de mortos) em relação aos massacres “naturais” no Iraque, Palestina e, (pretendem eles) no Irão, é o novo nazismo, sempre anti-semita (ontem judeófobo, hoje anti-árabe) que se insinua sinistramente como ameaça letal ao futuro pacífico da Humanidade. Se o nazismo hitleriano foi esmagado sobretudo nas estepes russas, o actual nazismo busho-sionista terá a espinha quebrada pela heróica resistência árabo-islâmica. O Golfo será o Alcácer-Quibir da Cocacolândia e do seu Imperador Macaco. Muitos bravos irão juntar-se aos mártires já caídos. Mas há dezenas de milhões prontos a pegarem nas armas dos caídos e a esmagarem de vez os novos cruzados. A vitória é certa e pertence sempre aos justos porque DEUS É GRANDE !

  9. Euroliberal, escreveu: “a União europeia, a pátria dele, realizou o sonho kantiano da Paz Perpétua na Europa pós-45, pondo fim a uma guerra civil de mil anos, e que transpor esse modelo para a escala mundial é precisamente a sua principal missão.”

    Isto é a sua “alternativa” é juntar uma terceira cruzada, às duas no terreno. Por favor, mais cruzadas e mais cruzados não! E a minha pátria é Portugal, é o que está escrito no meu passaporte, no meu cérebro e no meu coração.

  10. Não se preocupe, Margarida. A “cruzada” da Europa não é militar. Para esse peditório já demos… a última vez foi em 1578 ali para os lados de Alcácer-Quibir… Tra-se de pelo, exemnplo, persuasão e cooperação, exportar esse nosso “produto”. A Europa é o primeiro exportador mundial, mas o produto “paz” baseado no respeito do direito internacional é a nossa melhor marca…

  11. Euroliberal: você é dos tais que vê as letras pequenas, mas já não vê as grandes…é que em letras grandes está escrito “Portugal”.

    Fala em “pelo, exemplo, persuasão e cooperação, exportar esse nosso “produto”. A Europa é o primeiro exportador mundial, mas o produto “paz” baseado no respeito do direito internacional é a nossa melhor marca”. E eu a pensar nos soldados que a sua Europa&friends exportou para a Jugoslávia, o Afganistão, o Iraque, por exemplo…

    E presumo que também é a sua Europa quem desencadeou a ofensiva anti-comunista que se desenrolou no Conselho da Europa e que levou no dia 25 de Janeiro à aprovação (como escreve Carlos Nabais no Avante de 9/2/06) de “uma resolução mistificadora que associa o movimento comunista, os comunistas e a sua ideologia a uma série infindável de alegados “crimes” e “violações” dos direitos do homem só comparável com o horror do nazi-fascismo”. (http://www.avante.pt/noticia.asp?id=12916&area=19)

  12. Ó euroliberal, só uma pergunta que ando para te fazer há uns tempos: entrar num autocarro, por exemplo, com bombas amarradas à cintura e explodir-se matando não sei quantas vítimas inocentes também faz parte dos valores europeus, na tua perspectiva? É que a mim não me ensinaram exactamente isso. Deve ser culpa de nazis-sionistas.

  13. Se os nazi-sionistas matam 4 vezes mais e utilizam divisões blindadas, Apaches, F-16 e mísseis contra um povo ocupado e sem exército que o defenda, sendo os mártires-bomba a única arma efectiva disponivel para a retaliação legítima, então tal uso é legítimo e deve visar o maior número possível de ladrões de terras, militares ou civis, já que o
    ocupante faz o mesmo. São as leis da guerra… e esta foi imposta aos palestinianos que sempre viveram em paz na sua Terra e nunca foram roubar terra alheia…

  14. Euroliberal: continua a revelar ser o bushita de sofá encarregado de diabolizar os que se batem para libertar a sua terra da ocupação estrangeira.

    Agora, aqueles a quem Bush&friends querem diabolizar são os dirigentes iranianos. E cá está o seu boy a meter tudo e todos no mesmo saco e a chamar nazi ao seu líder. Que falta de imaginação! Ou já se esqueceu que para melhor retalharem a Jugoslávia também chamaram hitler ao dirigente da Sérvia? ou para enfraquecerem a OLP, também chamaram o mesmo ao seu falecido líder? ou para “convencerem” o líder líbio a negociar com as empresas petrolíferas ocidentais também chamaram o mesmo ao líder líbio?

    A todos os seus inimigos os dirigentes do império chamam de nazis, agora acrescentam o labéu de sionistas. Pensam eles que diabolizando-os desta maneira os isolam e assim com mais facilidades os enfraquecem.

    E há sempre uns idiotas como o euro-liberal que os ajudam no trabalho porco.

    Critiquem-se actos, acções, afirmações que se entendam erradas. Mas esta forma abstracta, colectiva, difamatória de atacar um povo, uma religião ou uma liderança é que é nazi: impôe ao outro características, defeitos e intenções inferiores e malévolas.

    Com este texto quem se revela nazi é o euroliberal: afirma-se superior tal como os nazis se afirmavam e revela o desejo de subjugar outros povos como os nazis subjugaram para os roubar e espoliar.

  15. EUROLIBERAL,

    Bem te avisaram, mas não ligaste nenhum. Agora até a Margarida bebe champagne a comemorar a derrota do teu tresloucado verbo.Espero que ganhes juizo e procedas da seguinte forma: modera a linguagem, muda de nome e vomita estatística que prove os teus pontos de vista menos sanguinários. Em suma, imita a educada intervenção com que delicias os leitores do blogue em que particpas em lingua inglesa. Se fizeres isso, ficamos todos contentes e nem o José Mário terá a coragem de ameaçar expulsar-te, como fez aqui há cerca de um ou dois anos no saudoso BdE. Go on, be a sport.

  16. Os correligionários locais d’O Independente até podem estar interessados em naturalizar estrangeiros: Europeus, mas não turcos, Americanos, mas só do norte, Afri… não desses não, Asi..Hum.. também não, Australianos… talvez.
    Estrangeiros sim mas com qualidade, escumalha já cá há muita para exportar, e até se pagaria para irem embora, para o Irão, para o Iraque, para Gaza, mas de preferência para o buraco de onde saíram, embora as mães não os devam querer desparir.

  17. Por acaso Daniel, eu também defendo esta expressão. Também me sinto dinamarques, copmo me senti cabo verdiano quando houve o assasinato no BA, como me senti espanhol no 11 de Março, como me sinto portugues todos os dias. Ou será que eles deveriam dizer que somos todos israelitas, para que tudo ficasse bem. Infelizmente já vi por aí muito boa gente que se diz de esquerda a dizer barbaridades na linha do que escreveste agora. Vai ver isto e se calhar vais fazer a mesma pergunta que eu já me fiz. Será que eu sou islamofobo?. Não defendo é o direito à liberdade. E não é por condenar os cartoons que sou justo da mesma forma que não preciso de apoiar a estupidez de uns quantos radicais muçulmanos para dizer que sou muito de esquerda. É que para mim a religião é toda igual. É o defeito de ser marxista. Mas isso para alguma esquerda já não quer dizer nada.

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