Dois comentários

1 – António Pedro Vasconcelos disse na televisão que a Federação Portuguesa de Futebol não tinha nada que mudar o equipamento da selecção nacional e que deveria haver um sobressalto cívico (ele falou de um abaixo-assinado) contra essa prepotência federativa. Em princípio, eu acho que ele tem razão. Para além de me parecer que isto do futebol é demasiado importante para estar entregue apenas à gente do futebol (há uma importante dimensão de representação nacional em causa, para todos os efeitos o Cristiano Ronaldo é mais conhecido que o Prof. Cavaco Silva), choca-me como a APV o despotismo e a insensibilidade com que meia-dúzia de burocratas dispõem do património nacional. Isto em princípio; na prática, não acredito na viabilidade do proposto abaixo-assinado, não creio, para grande pena minha, que a maioria dos meus compatriotas partilhe os meus pontos de vista e julgo que, nisto dos símbolos nacionais, em boa medida “quem pode, pode” e “o que tem de ser tem muita força”. APV defende o retorno ao equipamento vermelho e verde, que é (para além da bandeira da 2ª circular: SLB-SCP) o das cores nacionais; mas se calhar não se lembra que a bandeira republicana também foi escolhida por uma comissão de “sábios”, que o recém-implantado regime recusou a hipótese de um referendo sobre a substituição da bandeira azul e branca e que, consequentemente, também foi por um diktat administrativo que o país passou a ser representado pela bandeira do Columbano. E eu cá estou para os equipamentos um pouco como para as bandeiras: desde que Portugal seja campeão, no limite até podem alinhar todos de pijama…

2 – Ainda a televisão: parece que na tomada de posse do novo Presidente, os deputados do PCP e do BE não aplaudiram o discurso de Cavaco Silva e Ricardo Costa, na SIC, disse que isso tinha sido de mau gosto. Parece-me completamente errado. O PCP e o BE são adversários políticos do novo Presidente, disseram coisas horríveis dele durante a campanha eleitoral e não consta que tenham mudado de ideias entretanto. O discurso de Cavaco tinha um conteúdo político com o qual eles não concordavam e, por isso, não aplaudiram. Não lhe faltaram ao respeito, simplesmente marcaram a sua distância. Cavaco Silva não é um Bragança, que paire acima da vida política: é um actor da política, a política é adversarial e os conflitos devem ser – no respeito da cortesia, evidentemente – assumidos. Ricardo Costa, das duas uma: ou é um produto tardio da escola portuguesa da política videirinha, do respeitinho provinciano e do temor reverencial (julgo que não) ou então confunde neste caso a substância e a forma, sacrifica a política ao protocolo e dissolve o conflito democrático no unanimismo patriótico: acho que devia reflectir melhor no que disse.

14 thoughts on “Dois comentários”

  1. Será que ao PC e ao BE repugnaria bater palmas ao Eng. Sousa? talvéz não, porque são esquerda moderna?
    O eng. Sousa tem-se vindo a revelar-se um ultraliberal socialista.
    nalguns casos, mais do que ultraliberal, posições de extrema-direita.

    O PC e o BE que tenham cuidado com tais amigos!

  2. Mas disse mais o Ricardo Costa, lamentou o facto mas reconhecia que era um direito que lhes assistia. Salientou também o mau perder de Mário Soares que nem sequer foi apresentar cumprimentos ao novo Presidente da República. Nem ele nem o Louçã, outro com mau perder. A santa aliança das presidenciais até nesta cerimónia esteve em comunhão de pensamento. Ao menos, valha a verdade, apesar de muito críticos, Jerónimo de Sousa foi apresentar cumprimentos. Mário Soares demonstrou que é um estadista ultrapassado e tem muito pouco fair-play. Que foi ele fazer à Assembleia da República? Aquela triste figura? Mas que ressabiamento.

  3. Mau perder? Apresentar cumprimentos? Ricardo Costa? SIC? A campanha das próximas presidênciais está definitivamente aberta, a reeleição do Anibal começou hoje… mas será que agora vai conseguir estar calado sem dizer nada? hmmmm o autoritarismo sr. Anibal… o desejo de governar…

  4. Quer se queira, quer não, quer se goste, quer não…o homem Aníbal é o representante máximo da nossa Nação, foi eleito pelos Portugueses, o PCP e o BE faltaram ao respeito não foi ao algarvio Aníbal Silva foi aos Portugueses ao teres desrespeitado o seu representante máximo.
    Querem ser tão de esquerda, tão de esquerda, mas tão de esquerda…que caiem no ridiculo….e isso é triste !

  5. Oh Meu Deus! O futebol é demasiado importante? Pois é! Vê-se! Mas que merda!

    Poupem-me!

    E é preciso bater palmas ao adversário, porquê?

    Isso são coisas importantes?

    Mas que coisa tão escarafunchosa!

  6. Pedro Almeida: Sugiro-lhe que esqueça por instantes essa história da esquerda e da direita e use apenas a lógica formal: os deputados do PCP e do BE também foram eleitos pelos portugueses, Cavaco está por isso obrigado a aplaudir cada discurso que eles façam? Claro que não; está obrigado a ser respeitador e cortês, para com eles como para com toda a gente (a democracia exige um módico de boa educação), mas não a subscrever os seus pontos de vista políticos. Parece-lhe difícil entender isto?

  7. Caro Antonio Figueira
    São dois tópicos que deviam ser tratados separadamente, para evitar confusões.
    Concordo com a opinião expressa em ambos.
    1-Eu já não gostava do vermelho vinho/BMW da camisola portuguesa e agora também lamento que o verde tenha desaparecido.
    2-Embora considere que devo respeito ao Cavaco como Presidente da República eleito, isso não significa que desate a bater-lhe palmas

  8. O que se devia apaludir era a tomada de posse do nosso maior representante, não eram as suas ideias, quem se recusou a aplaudir este acto formal e prestigioso do nosso Estado só revela tacanhez de espirito e cidadania.
    Percebeu agora ou comunga do mesmo mal dos respectivos ?

  9. Pedro Almeida: Eu lamento muitíssimo, mas acho que V. é que não percebeu o que eu disse – e, do meu ponto de vista, labora num erro.

  10. O Ricardo Costa é um cão do Balsemão.Se ele achou que lhes assistia o direito de não aplaudir Cavaco, porque é que no caso de Carrilho, aprovceitou o facto de este não ter apertado a mão do Carmona (nos bastidores e após o debate acabar), para repetir ad naeseum a peça e com isso influenciar a vitoria do candidato do partido do Big Boss Balsemão?
    Acho estranho como em Portugal pessoas esclarecidas ainda acreditam na “imparcialidade” dos media.
    Bem se viu na ultima Campanha eleitoral o Cavaquinho ser levedo ao colo pela Impresa!!
    Não me digam que mesmo apos terem visto o “Brokeback Mountain” ainda acreditam na pura lã virgem!!

  11. o mais importante deste blog é o que mais foi desvalorizado: a bandeira republicana, que pode ter sido definida em 1910, mas que já começara a despontar quase vinte anos antes, no 31 de Janeiro de 1891.
    É-me indiferente quando outros usam a bandeira ou o hino, como a tmn. Não me é indiferente que os que a deveriam usar utilizem um pedaço de pano com o qual não me identifico.

  12. 1.Aplauso (barulho)
    Aplauso (barulho)
    Aplauso (barulho)
    Aplauso (barulho)
    Aplauso (barulho)
    Sim, senhor Presidente… da República

    2. Haja Deco, sejamos campeões. As cores não jogam… nem as nacionalidades

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