Dói-lhe a liberdade

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Berlusconi foi entrevistado por uma jornalista. Uma das poucas que ainda sobrevive nas televisões italianas. Não por acaso, a antiga presidente da televisão pública trabalha no canal menos visto da RAI, que foi esquecido pelo Cavalieri. Lucia Annunziata fez o que fazem, por todo o mundo democrático, os jornalistas. Fez perguntas difíceis, insistiu nelas quando o primeiro-ministro não respondeu e não deixou os insultos sem resposta. Habituado a longos e delirantes monólogos com os seus empregados das televisões privadas e dos dois principais canais estatais, Berlusconi levantou-se ao fim de 17 minutos. A decência e a coragem incomoda os cobardes. Annunziata afirmou, com ele já de pé: «não está habituado a ser entrevistado por jornalistas». Não por acaso, Annunziata não contou, como seria normal, com o apoio do Presidente da RAI. De alguns que, de vez em vez, se lembram que a liberdade de imprensa é a base de qualquer democracia, espero há anos por uma palavrinha sobre Itália, que fica aqui mesmo, na Europa. Mas bem posso esperar sentado.

22 thoughts on “Dói-lhe a liberdade”

  1. Chamem-me o que quiserem mas o Berlusconi, se fosse o nosso PM, dar-se-ia bem com os jornalistas daqui. A jornalista é que não se daria bem com os directores de informação (como sou pluralista, serve para os canais todos).

  2. Podiam contar também que a Lucia Annunziata leva uma vida escabrosa, tendo no ano passado fugido com o filho do seu amante, um rapaz de 16 anos. Faz-me lembrar aquele conhecido jornalista da SIC que condena muitas vezes a violência sobre as mulheres e ele batia furiosamente na ex-mulher, também jornalista, chegando-lhe a apontar uma pistola. Mas disto ninguém fala! O primeiro ministro italiano fez muito bem em ter ido embora!

  3. A novidade mais reconfortante deste post é que os jornalistas do mundo democrático fazem “perguntas difíceis”. Aproveitem, meninas e meninos, não é todos os dias que temos música desta tocada num blogue de esquerda não fanática! E não perguntem ao autor do post se a “dificuldade” (a escala pode ir de um a mil) a que ele se refere se sente mais nas perguntas dos entrevistadores que nas respostas dos entrevistados.

    Será que o Daniel não terá mesmo nada mais picante ou barnabélico para ajudar a endireitar os paus politicos dos leitores do Aspirina?

  4. Desculpe mas a história não é bem assim, convém sermos correctos.
    Tenho a certeza que o Daniel Oliveira viu a entrevista, mas deve-lhe ter escapado alguma coisa. O inominável Berlusconi estava a começar a responder a uma pergunta quando a jornalista o interrompeu e não o deixou continuar a explicar o seu ponto de vista. Mesmo que seja pra entrevistar Berlusconi, que tem uma concepcão muito particular da democracia, os jornalistas devem ser isentos.

  5. O Daniel só vê o que lhe interessa e porventura terá pensado que mais ninguém teria visto a entrevista, por isso achou que estava à vontade para dar uma visão distorcida do que aconteceu (digo desta forma para evitar dizer que o DO aldrabou a malta toda com este post!). Bem sei que o Daniel tem uma visão torta da vida, o que aliás explica as suas opções políticas, mas não lhe fazia nada mal elevar um bocado a sua honestidade intelectual!

  6. Esqueçam o Berlusconi, esse tá lá longe. Com um cromo como o Alberto João não podemos cair na asneira de atirar pedras ao ar. Por enquanto manda bocas sobre a indepência mas qualquer dia temos uma versão da ETA ou do IRA á portuguesa.

  7. Desculpem, mas eu não acredito que alguém tenha visto a entrevista e defenda a jornalista. Deixo aqui cópia de um comentário que fiz noutro blog:

    João Galamba:

    É sempre saudável ver o Paxman. Mas veja primeiro a entrevista da rai, se lhe for possível, e confesse-nos então se é comparável. No hardtalk ou no newsnight são hiper duros, mas não deixam de ser entrevistas. Like, sei lá, ouvem as respostas e fazem perguntas a partir daí. No caso, não se passou nada disso: o tom não foi de inquisição, foi de simples propaganda e achincalhamento. Ela nem fazia perguntas! O Tiago fala em dois minutos, mas eu acho que num caso foi bastante mais. Por muito canceroso que seja o Berlusconi, amicus platus sed magis amicas veritas: teve toda a razão. Eu não saía de lá tão calmo.

  8. Para ser claro: admito que se critique o Berlusconi, invocando que, no matter what, ele deveria ter ficado até ao fim. Mas fazê-lo afirmando que a Annunziata foi imparcial e que fez o que, em todo o lado fazem os jornalistas ou é delírio ou ignorância.

  9. “Podiam contar também que a Lucia Annunziata leva uma vida escabrosa, tendo no ano passado fugido com o filho do seu amante, um rapaz de 16 anos.”

    Escabrosa? Não percebi… mas se tiveres por aí uma fotografia do moço não te esqueças de a enviar… B)

    (eu não gosto nada do berlusconi mas parece-me que ela nem o deixou falar… o tipo é feio, essa é que é…)

  10. Jornalistas a interromper entrevistados é a coisa mais habitual que podemos assistir. Gostamos, não gostamos. O que nunca vimos foi alguém, que passa horas a falar na televisão sem uma única pergunta dificil, abandonar uma entrevista à primeira contrariedade. A jornalista foi respondendo à acusação de falta de imparcialidade. Se um político abhandonasse uma entrevista de cada vez que uma cena destas acontece, seria raro o que ficasse até ao fim.

  11. Daniel, mas o que viu foi uma jornalista a interromper um entrevistado? Francamente, ou está de má-fé, ou a falar de ouvido.

  12. Não conheço o suf. para me pronunciar sobre o caso… De todo o modo vi o «homem» cumprimentar com urbanidade a jornalista… Atenção que se há cretinos na política tb os há no jornalismo… Ser político não significa que se tenha de ser enxovalhado e nos últimos anos até se desenvolveu um certo «macartismo» aos políticos…

  13. Entrevista? Que entrevista?
    Pergunta em cima das resposta declarações e invectivas sobre as palavras do entrevistado?
    Chama-se a isso entrevista?
    Eu tive de tentar ouvir várias vezes a mesma coisa para remotamente tentar perceber o que cada um dos intervenientes dizia sobreposto ao outro e mesmo assim duvido que tivesse percebido tudo de forma correcta.
    Mais valia ter levado uns carapaus e andado a arremessar um á cara do outro.
    Entrevista….puffff
    Partindo deste pressuposto deliberadamente errado DO costumeiramente vai dissertando sobre coisa que não existiu
    Entrevista ora!!!!

  14. Deviam ver o Hard-Talk. Deviam mesmo. Mas, claro, neste caso estamos a falar de jornalismo agressivo. Nunca (nunca!) Berlusconi foi entrevistado de forma agressiva ou mesmo dificil. Da primeira vez reagiu assim. De resto, vi a entrevista e lembrei-me de várias, na TVI, por exemplo. Não interessa se gosto do genero. A verdade é que nunca vi um político sentir-se tão à vontade para sair do estúdio. Bastou ver a falta de solidariedade do Presidente da RAI para com a jornalista para perceber porquê.

    Já agora, leiam os editoriais de quase todos os jornais italianos para ver que se eu estou a ser tendencioso, todos eles – incluindo os de centro-direita, também o estão.

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