Crítica Nocticolor

Começa, com o texto abaixo, a participação no Aspirina de uma personalidade de vários nomes e muitos mais enigmas. Temos o gosto da sua companhia desde o BdE, quando o Fernando, eu e ele nos descobrimos numa inverosímil e bombástica afinidade (a que outros se juntaram, como o Luís Oliveira e o Filipe Moura, por exemplo). Coisas desta coisa — palavras escritas, anonimatos, imaginações à solta. Enjoy.

A noite passada, aí por volta das duas, abri os olhos e tive de imediato a certeza de que não iria tornar a fechá-los antes das três, ou mesmo mais tarde, quem sabe até se lá pelas horas dos galispos. Virei-me, portanto, a “trabalhar”. A lucubração na posição horizontal é, como se sabe, um hábito facilitado pelos negrumes de quartos das traseiras. E não custa nada nem dói, é tudo trabalho de cabeça, contas de somar, ejaculações heróicas do estro que duram uma eternidade. Em resumo: produções no vazio com consumos baixos de energia. Daí que até encoraje com gosto estes devaneios nocturnos, em tempos de crise, especialmente, ou quando me envolvo com parvos do meu tamanho na discussão das ideias políticas inventadas para nos distraírem e nos conservarem frios — frio, frio, como as pedras do rio das infâncias de mistério e procura. Ideias que, permitam-me que deixe isto claro não vá cair no ressono novamente, nos empurram constantemente para becos circulares mal iluminados e de arquitecturas bizarras, maldosas na intenção primeira e longínqua, inverificáveis e improváveis sem ajuda de microscópios negros ou de leituras recomendadas pelos santos-ofícios dos partidos.

“Trabalho” é como eu — Homem Bom e de Nobres Sentimentos, algemado a vaidades inexplicáveis, a vícios de apreciação de perfumes de rosas e ervilhas-de-cheiro que a minha mulher transplanta e semeia e trata constantemente com enlevo e a outros bons costumes que diluem em parte as raivas enlatadas que me dormem no peito há um ror de tempo — prefiro classificar os meus discursos imaginários de descontentamento, discursos de apontar o dedo, por vezes o do meio, grosseiro, de reparar com deslouvor, de permanecer convictamente zangado e cansado com a Política. Na malvada vigília de ontem à noite, deu-me para aspergir acusações aciduladas sobre um congresso de indivíduos vestidos de cinzentos corrompidos, contudo crentes (admirai esta inocência!) de que estão a fazer o melhor que podem para o bem do aglomerado-nação que tende cada vez mais a bater menos palmas à excelência musical demonstrada por esses senhores pela via de pandeiretas e outros instrumentos percussão. O teor do meu vigilante raspanete foi simples e quase inofensivo, mas a respeitável amplitude que lhe imprimi encarregou-se do resto pela serra abaixo, atravessou muros e galgou valados e espalhou-se por terrenos com delimitações políticas cada vez mais duvidosas e propositadamente complicantes. De facto, não poupou nada nem ninguém na torrente do derrame quente, mas não excedeu — importa reparar nisto porque é a prova suprema da bondade que vive dentro de mim — a violência da mera arranhadela às peles bronzeadas dos desvergonhados, à mandriice e aos interesses calculistas subordinados ao rolamento de esferas que mantêm a Promessa Politica em eterno movimento igual. Infelizmente, sobrou um único mas importantíssimo problema. Nenhum desses gatos da restrita e exclusiva comunidade palreira, objectos do meu furor à distância, me viu ou ouviu. Tiveram sorte, os malandros.

Há no entanto uma reduzidíssima possibilidade de que os homens de cinzento tenham sentido ou pressentido, detectado com os seus narizes, o gás revelador da presença e da intenção que telepaticamente transferi para os espaços vitais e necessários à expansão dos seus vácuos decretórios. Se isso não passa de suspeita infundada de quem não gosta de passar uma noite a trabalhar para o boneco, também não vou chorar, sequer amuar, ou morder a fronha asseada onde assento a cabeça de menino a quem nunca foi dado o chupa-chupa da absolvição, do reconhecimento, o doce da consolação merecida. Porque ainda tenho forças para levantar-me novamente e teimar, cambaleando, encostando-me aqui e ali, evitando sujar as mãos ou gatinhar como eles com as barrigas a lamberem as lamas da explicação fácil. Daqui, meus senhores cinzentos, pardas almas, ainda consigo manter funcional a capacidade para fixar os olhos num ponto móvel iluminado, esperando o lock perfeito no centro do esplendor, possível e ao alcance de qualquer um numa singela noite de vigília. E por aqui me vou indo, imaginando, medindo e considerando com cuidado, se isso for absolutamente necessário para manter respeito por realismos, a irrelevância ou pouco interesse que esta exposição encerra para aqueles que dormem com as consciências limpas a pensarem na bola redonda e no amor-livre masturbativo. E estendo este braço esquerdo e esta mão direita. Estendo-os sem ideias preconcebidas baseadas em percentagens. E sacrifícios, pois bem, se os há ou houver nesta procura, são de amor puro e dedicação à Nação-querida-da-minha-alma-lusitana, mãe de dez milhões de cidadãos de todas as idades e proprietária orgulhosa dum par de belíssimas e curvilíneas auto-estradas.

TT

7 thoughts on “Crítica Nocticolor”

  1. Great news my freind!

    This thing makes me remember my first word exchange with “Bombas”, he said some wierd stuff about abortion, and I bought into it, I took it quite seriously. The bloody bastard was not to blame for the fact that this things touch in tricky areas of my brain.

    There is only one problem, this reenacts my curiosity for your identity, something that was long dead!

    Oh god let me prepare for the answer …

  2. ” não tenho andado nada bem.um retrocesso,
    uma maneirade de ” perder”,de ter as mãos “com” penas,
    nenhuma imagem invulgar, apenas o bater
    das pápebras, elasagarram-se
    viscosas ao sentido,
    e nenhum ar oscila.outras vezes”
    António Franco Alexandre, in As Moradas

    é, mais ou menos assim, aqui fica mais este sentir lusitano de tão triste.

  3. Bem-chegado, TT. Bem-regressado. Tu andas de mal com o mundo, pelo menos desde que te lembres, mas conheces as rezas que mantêm as sombras a distância. Sorte a tua. E, está visto, nossa.

  4. Terça-feira, Junho 13, 2006
    CONTRA AS MENTIRAS DA SÚCIA MERDIÁTICA
    Do Fórum Nacional,

    Mais uma grande mentira tem sido divulgada na generalidade dos Media, desta vez sobre a detenção de “11 skinheads” no Cais do Sodré, a propósito de “agressões racistas”, como foi prontamente anunciado pelos jornalistas quem nem se dignaram a ouvir qualquer uma das partes.

    Por isso convém fazer um pequeno esclarecimento para que todos, sobretudo os nacionalistas, não se deixem levar no embalo da mentira, a propósito de mais esta “notícia” terrorista e sensacionalista.

    1. É mentira que tenha havido qualquer agressão. O que houve foi uma troca de insultos e ameaças que foram iniciadas por 4 elementos de raça negra, e não um negro e três brancos como dizem os Media, e que foram respondidas na mesma medida pelos nacionalistas.

    2. Mesmo que qualquer uma das partes tentasse agredir a outra, o facto dos provocadores e dos nacionalistas estarem separados por uma distância de cerca de 30 metros, dentro da qual havia um enorme muro, seria facto impeditivo do mesmo.

    2. É mentira que tenham sido “detidos 11 skinheads”. Foram identificadas 11 pessoas e foram detidas apenas 3 delas, presentes ao Tribunal de Instrução Criminal que os libertou com TIR precisamente por não terem ocorrido qualquer tipo de agressões ou “discriminações raciais” como dizem os Media.

    3. É mentira que os factos tenham qualquer tipo de relação com o “10 de Junho”, já que os terroristas da SIC(k) fizeram questão de ir ao arquivo buscar imagens do “10 de Junho do Bairro Alto em 1995” e fazendo uma relação entre estes dois casos e o 10 de Junho celebrado pelo PNR. Curioso que nunca tentaram o mesmo tipo de relacionamento quando, nas últimas eleições, houve apedrejamentos, agressões, e até assassinatos de autarcas, entre elementos dos partidos do sistema.

    4. A verdade é que esses 4 “jovens” até estavam, no momento em que ocorreram os factos, em fuga das autoridades policiais por suspeitas de tráfico de droga. Talvez por isso é que quem se apresentou na esquadra a fazer queixa dos nacionalistas, os tais “3 brancos e 1 negro” que os Media referem, não tenham sido as mesmas pessoas que iniciaram os desacatos. Isto foi referido por um dos agentes envolvidos, que disse “vocês foram encontrados por acaso, porque andávamos atrás desses ‘jovens’, por suspeitas de tráfico de droga”.

    5. Estranhamos que um caso ocorrido na Graça, durante os Santos Populares, esse sim racista e de verdadeira agressão, em que um branco foi esventrado por um “jovem”, não tenha merecido dos Media qualquer tipo de atenção, ao contrário deste caso banal de troca de insultos e ameaças, e que ocorrem diariamente por parte dos “jovens”, tenha sido primeira página e abertura de telejornais.

    6. Estranhamos igualmente a avidez com que os Media tentam relacionar a questão política com a reacção de portugueses, nacionalistas é certo, às habituais provocações de “jovens”, fazendo até questão de “divulgar a cor do crime” apesar das directivas que os próprios anunciaram recentemente de “não se referir a origem, etnia, religião” nas notícias pelos mesmos divulgadas.

    7. Por ter sido a semana do 10 de Junho não queremos, apesar disso, fazer deste caso algo parecido ao que se passou com o ARRASTÃO, em que os lacaios do sistema fizeram uma autêntica lavagem cerebral, e defendemos que se houve injúrias e ameaças de parte a parte estas devem ser investigadas e deve ser feita justiça, o que não podemos permitir é deixar que se faça uma autêntica lavagem cerebral aos portugueses com mais um caso em que os verdadeiros protagonistas são, como já é de resto habitual, os próprios jornalistas terroristas.

    8. Quanto ao resto, e mais uma vez, frizamos o nosso total repúdio à violência gratuita. Somos, os nacionalistas, soldados políticos, não meros “jovens” ou arruaceiros. Ainda assim advogamos que todos os portugueses têm direito à defesa da sua integridade física, e dos seus bens pessoais, nunca como acto provocatório ou de agressão seja a quem for, e se somos os primeiros a combater a apatia generalizada em que se encontra o povo português não seremos nós, nacionalistas, “os primeiros a dar a outra face” mas muito menos os primeiros a ser uns cordeiros neste autêntico clima de guerra civil que o sistema da destruição nacional está silenciosamente a promover.

  5. O Zé Preto tem razão. Até parece que o pessoal da Cova da Moura são meninos de coro. E a extrema-esquerda? O Otelo, símbolo da Revolução, foi condenado a 17 anos de prisão por terrorismo. E a seguir os amiguinhos safaram-no. E o Louçã e companhia?

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