Carta aberta

Aos promotores do Manifesto Como uma liberdade.

Caros Tiago Barbosa Ribeiro e Rui Bebiano:

Como muitas outras opiniões já entretanto publicadas, acho que o vosso texto poderia ser muito mais conciso e, portanto, facilitar a criação de um mínimo denominador comum na defesa daquilo que creio ser o vosso/nosso objectivo central e de princípio: a defesa da liberdade de expressão, sem foro privativo para a fé e crenças religiosas e/ou filosóficas.

Quanto ao resto: o Ocidente, o anti-relativismo, etc. – sinceramente dispenso. Um relativista japonês não pode assinar este manifesto pela liberdade de expressão? O que justificaria essa exclusão?

Mas mais do que isso, desejo protestar contra a inexistência de uma caixa de comentários. Que abaixo-assinado pela liberdade de expressão pode viver sem um espaço onde os signatários possam deixar mais um comentário, uma precisão ou uma ressalva?

Não é tarde para abrir esse espaço, já não acoplado a cada assinatura, mas como folha em branco autónoma onde cada um pode deixar a sua opinião. Não faço depender disso a minha assinatura porque não quero que pensem que invento desculpas para não assinar. Mas apelo ao vosso sentido de justiça e equanimidade perante os co-signatários para que o façam.

Tudo ponderado, a minha assinatura será

Rui Tavares, historiador, Lisboa

Publicarei este mail sob a forma de carta aberta.

Abraços libertários

[Rui Tavares]

7 thoughts on “Carta aberta”

  1. Se não fazes depender a tua assinatura, já assinaste ou não? Até para assinar aquele abaixo-assinado é preciso tantos ses? Já assinei muitos abaixo-assinados pela net e nunca me lembro de ver caixas de comentários associados. Vou estar vigilante a alguns abaixo-assinados vindos duma certa área política a ver se vem acoplada a caixa de comentários. O meu critério para assinar um abaixo-assinado é, ou estar de acordo com o conteúdo e finalidade e assino ou não estou e não assino. Não percebo tanta hesitação da parte do Rui Tavares, ou antes, até percebo. O Daniel também deve estar cheio de ses para assinar.

  2. Nem com comentarios assinaria. Apesar de se assumir como uma alternativa ‘a dicotomia ‘west-and the rest’ este texto alimenta-a. Por mim, nao acredito neste ocidente hiper-real onde a uma imprensa ‘ocidental’ livre e independente (esquecendo quem os publicou fora deste mundinho) se contrapoe a ‘violencia irracional’ e a ‘vaga de barbarie’ da multidao. Gustave Le Bon nao teria escrito melhor.

    Esta na altura de nos deixarmos de merdinhas (como a de acharmos que com estes protestos a ‘nossa’ liberdade de expressao esta em causa) e de tentarmos ir alem da superficie – como na ignorancia que cada um de nos replica sobre o mundo islamico: quanto mais se sabe sobre esta historia, mais evidente se torna a nossa ignorancia.

    Numa ideia, nao acredito na realidade ontologica do ‘ocidente’. Nao sei o que isso e’.

  3. zmarco:

    eu sou eu e não represento nenhuma área política.

    todas as petições na internet que fiz, e devem ter sido uma meia-dúzia, tiveram caixa de comentários, nem que fosse para o pessoal ir lá chamar-me nomes.

  4. Aqui é que eu não estou de acordo contigo. O fundamentalismo islâmico é perigoso, mas também o é a islamofobia na Europa (leia-se a extrema direita). Não se pode saber à partida qual deles será o mais perigoso. Tem de se fugir dos dois. Até por isso o texto da petição está impecável.
    O resto é para a gente discutir um dia, em Lisboa, Paris ou qualquer lugar do hemisfério ocidental. Mas não sejas tão relativista, meu caro militante (ou ao contrário?).

  5. Essa petição é intragável. Tentei lê-la, mas não percebi nada. Vê-se mesmo que foi escrita por sociólogos.

    Jamais assinaria tal petição. A dizer que não há islão moderado, que disparate. A maior parte dos muçulmanos são pessoas normais, moderadas.

    Aquela petição é uma burrice total. Se querem defender a liberdade de expressão, não faltam leis portuguesas para contestar.

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