A jihad

Definitivamente, o incidente dos cartoons e as manifestações, tudo organizado pelos sectores mais radicais do Islão (e que não existiram quando os cartoons foram publicados, num jornal egípcio, em Outubro) estão a resultar às mil maravilhas. Tirando em Inglaterra, onde os textos de opinião vão, na sua maioria, no sentido inverso aos que aqui se têm publicado, a Jihad parece ter tomado conta das cabeças dos nossos articulistas. Três citações, apenas de textos de ontem e de hoje aqui do nosso cantinho, e que estão longe de ser o que de mais extraordinário se escreveu nestes dias sobre milhões de pessoas e toda uma civilização:

«Não conhecemos, em todo o mundo árabe, o nome de um cientista, músico, arquitecto, cineasta, explorador, atleta, enfim, alguém que faça sonhar ou avançar a humanidade.» Miguel Sousa Tavares

«[Uma religião] cujos fiéis explodem de alegria espontânea, quando há atentados como os de 11 de Setembro. Ou gostam de brincar com o Holocausto.» Pedro D’Anunciação

«Estamos num confronto cultural e civilizacional… estamos em guerra». José Pacheco Pereira

Quem leia estas pérolas e ainda tenha uma réstia de juízo há de perceber porque não me quero juntar ao coro dos guerreiros, em que é mais aplaudido quem disser a maior barbaridade (como de costume, Miguel Sousa Tavares leva a medalha de ouro). Todo o direito de publicarem os cartoons. Estão publicados, não estão? Agora, se para defender a liberdade de imprensa nos temos todos de transformar em novos cruzados, eu entrego já a minha armadura a qualquer um destes senhores. Em boa hora mantive a saudável distância desta gritaria.

42 thoughts on “A jihad”

  1. “appeasement, you said”

    Chamar distância aos disparates que igualmente proferiu é que já me parece excessivo. Quanto à ideia de entregar a armadura, não estávamos à espera de melhor. Quando até o supostamente moderado presidente da Malásia se põe aos gritos contra o Ocidente, o que é que quer que achemos? Darmos a outra face quando querem que abdiquemos de 200 anos de conquista da liberdade em nome de uma vaga ideia de appeasement? Já sabemos o que isso deu com Hitler e Staline: 50 milhões de morte overall.

  2. devo dizer te que tenho uma réstia de juízo (talvez até mais), e não compreendo a tua posição. Basicamente o que dizes é que quem nao concorda contigo não tem juízo, e isto sim é uma barbaridade. De resto concordo que JPP exagerou.

  3. O MST ’tá cada vez pior coitado, talvez uma ida ao deserto lhe possa aclarar as ideias.Cientista? o presidente da Agencia de Energia atomica,que é muçulmano moderado (como agora se diz), cineasta? Um dos maiores do nosso tempo, por acaso até é iraniano, explorador? Existem vários, mas o que mais admiro é o presidente do Museu do Cairo,Musicos?Vários, só que não estão na MTV nem no Top+, atletas? bem esta ultima dá para rir, Gebralassie,El Guerrouj,etc…fartam-se de bater records do mundo!Bem é certo que nenhum veio para o dragão recentemente, mas como espero que ainda não se tenha desmemoriado completamente com a entrada no Expresso, talvez se lembre do celebre calacanhar do …Madjer.Não o fez sonhar?
    Barebak Monty, por favor não se esqueça do Mao, olhe que o JPP não merece tal esquecimento.

  4. Eu acho que há que distinguir algumas coisas.

    Concordo que não se deve colocar as coisas nos termos de uma gerra de civilizações. Também não nos devemos colocar numa posição de soberba em relação à cultura muçulmana (que advem da ignorância). Até porque para haver um certo diálogo é preciso uma plataforma mínima de respeito e de conhecimento mútuo.

    Mas, por outro lado, há que lutar contra o fanatismo islâmico. A reacção violenta que eles tiveram é lamentável. São puros actos de intimidação à liberdade de expressão, e não é a primeira vez que este tipo de coisas acontecem. E esta atitude de condescendência em relação ao mundo muçulmano, às vezes esquece-se um pouco disto.

  5. Há entre os bushistas ou neocons portugueses muita gente intelectualmente bem preparada, o que não os impede de tomarem posições criminosas de que mais tarde se envergonharão (tal como já se envergonham do seu passado maoista). E na questão sobre a qual me pronunciei, as relações com o mundo árabo-muçulmano, é evidente que são perigosos ignorantes. É facílimo desmontar os sofismas do seu discurso islamófobo. Peguemos nas últimas pérolas do Valupi: Começa por jurar que não sanciona qualquer acto criminoso, para depois dissolver qualquer ideia de responsabilidade normativa (“ideológica” para ele…) num pessimismo antropológico à outrance: “nenhum sistema político evitou a guerra” diz boçalmente, parecendo esquecer que a União europeia, a pátria dele, realizou o sonho kantiano da Paz Perpétua na Europa pós-45, pondo fim a uma guerra civil de mil anos, e que transpor esse modelo para a escala mundial é precisamente a sua principal missão.

    Mas depois volta ao registo ético- normativo errando 180º o tiro quando não ataca os terroristas cruzados, ocupantes, ladrões de petróleo e genocidas a população civil com armas químicas, como seria natural numa consciência bem formada, mas os ocupados, agredidos unilateralmente à revelia do direito internacional, os roubados e massacrados, chamando-lhes raivosamente “terroristas, psicopatas e alienados que se reclamam defensores do Islão” !!! Os nazi-fascistas é que costumavam chamar terroristas a patriotas como De Gaulle, Mandela, Cabral ou Xanana… Dois e pesos e duas medidas sempre, é o lema de qualquer nazi-sionista que se preze !

    Só mais um disparate: apresenta a questão como uma opção a tomar entre o modelo europeu e o islâmico. É evidente que não é disso de que se trata: os muçulmanos só querem expulsar os invasores cruzados das suas terras na Palestina, Iraque, Afeganistão, Golfo, etc. e escolher livre e democraticamente os seus governos derrubando as ditaduras pró-americanas que lhes são impostas pelo terror interno e externo (gulague bushista). NÂO QUEREM DECIDIR A NOSSA FORMA DE GOVERNO NA EUROPA, NÃO NOS QUEREM INVADIR NEM ROUBAR AS NOSSAS RIQUEZAS. Logo, se o modelo deles é melhor ou não que o nosso não está aqui em questão. Eu acho que o modelo europeu (mas não o americano que já não é democratico desde o 9/11, com Guantanamo, Patriot Act, agressões unilaterais, tortura em larga escala, etc.) é o melhor do mundo. E os árabes querem esse modelo adoptando a democracia, como na Palestina, não querem a “democracia” de Mubarak, Abdalah, Musharaf e outros ditadores fantoches. Querem também a ordem multilateral kantiana à europeia, que os põem ao abrigo das cobiças assassinas e piratas do Império… Logo, nas linhas gerais, não há incompatibilidade de civilizações. Democracia, independência nacional, sistema multilateral internacional e justiça (TPI)que puna os criminosos de guerra como Bush, Blair e Rasmussen.

    A luta actual é entre o modelo kantiano-europeu de relações internacionais, baseadas no direito IGUAL (sem double standards) para todos, contra o modelo unilateral, imperial, terrorista dos EUA. E por isso eu, europeu, liberal de direita e católico apoio a causa do Islão ocupado e agredido. Por ser ocupado e agredido, não por ser Islão. Se o Islão fosse o invasor e os EUA os ocupados eu seria pró-americano, pelas mesmas razões. Por amor ao direito internacional que é igual para todos.

    O cinismo valupiano e de outros biltres nazi-sionistas (quase todos ex-adoradores histéricos do autor do Grande Salto em Frente dos 30 milhões de mortos) em relação aos massacres “naturais” no Iraque, Palestina e, (pretendem eles) no Irão, é o novo nazismo, sempre anti-semita (ontem judeófobo, hoje anti-árabe) que se insinua sinistramente como ameaça letal ao futuro pacífico da Humanidade. Se o nazismo hitleriano foi esmagado sobretudo nas estepes russas, o actual nazismo busho-sionista terá a espinha quebrada pela heróica resistência árabo-islâmica. O Golfo será o Alcácer-Quibir da Cocacolândia e do seu Imperador Macaco. Muitos bravos irão juntar-se aos mártires já caídos. Mas há dezenas de milhões prontos a pegarem nas armas dos caídos e a esmagarem de vez os novos cruzados. A vitória é certa e pertence sempre aos justos porque DEUS É GRANDE !

    P.S. MST agora decidiu dar uma de ignorante…
    Cientistas: Avicena e Averróis
    Músico: Basta ouvir a música árabe para apreciar o seu elevado nível e sofisticação
    Arquitecto: Basta ver o Taj Mahal, talvez o mais harmonioso monumento da humanidade, construído pela dinastia Mongol (muçulmana), ou o Allambra ou a Mesquita azul de Istambul…
    Cineasta: há tantos, só no período aureo do cinema egípcio doa anos 50, Chaiine, e outros…
    Explorador: Ibn Batuta, o Marco Polo árabe…
    Atletas: tomara Portugal ter 10% das medalhas de ouro dos países islâmicos… E não estive para ir ao Google….

  6. O Daniel Oliveira, depois da no Barnabé ter instaurado a censura, não tem qualquer moral para vir agora armar ao lutador pelas lberdades. Está desqualificado, o seu “pecdo” foi mortal.

    O Euroliberal no seu proseletismo, nem repara no que escreve, como “a União europeia, a pátria dele, realizou o sonho kantiano da Paz Perpétua na Europa pós-45, pondo fim a uma guerra civil de mil anos, e que transpor esse modelo para a escala mundial é precisamente a sua principal missão.”

    Deixemo-nos de cruzados e de cruzadas! Que tal levar-se a sério o objectivo da paz e da cooperação com os povos de todo o munco, com base na soberania e no respeito mútuo?

  7. Nuno (e Chiara),

    Grande site, sim, o do Bin_Tex sobre MARROCOS. Eu de vez em quando mato lá – no site, hélas – saudades.

  8. Claro que o Pacheco Pereira, tem também tanta “moral” como o Daniel Oliveira para vir agora defender marchas pela liberdade. Ou já nos esquecemos que quando foi líder parlamentar do PSD até “proibiu” os jornalistas sediados no Parlamento de entrarem em certos corredores de São Bento? Ou que, em nome de Estaline, combateu os comunistas porque estes tinham condenado os seus erros e crimes? É pois importante vermos se as teorias se adequam às práticas de cada um.

  9. Sabine: tentei postar uma resposta no site que aqui linkou, como não consegui ponho-a aqui. Se quiser fazer o favor de lá a colocar, agradeço-lhe.
    Cá vai a minha resposta:

    Nem percebo porque é que a Palmira F. da Silva teve que esperar pelo dia 9 de Fevereiro para ser “iluminada” pelo New York Times. É que no Expresso-on-line já está desde o dia 3 de Fevereiro a seguinte ““Cronologia da publicação dos «cartoons» nos jornais europeus”:

    30 de Setembro de 2005 – O diário dinamarquês «Jyllands Postem» publica uma série de caricaturas de Maomé depois de o autor de um livro sobre o profeta ter declarado não conseguir encontrar quem quisesse ilustrar o trabalho.

    27 de Outubro de 2005 – Onze embaixadores de países islâmicos (incluindo a Turquia) acreditados em Copenhaga exigem desculpas do primeiro-ministro dinamarquês e pedem uma reunião com Anders Fogh Rasmussen. O chefe do Governo da Dinamarca recusa receber os diplomatas, que decidem fazer chegar o caso à Liga Árabe e à Organização da Conferência Islâmica.

    4 de Dezembro de 2005 – O ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros aconselha os cidadãos do país a não viajar para o Paquistão, onde um partido islâmico anunciou oferecer uma recompensa a quem assassinar os autores dos «cartoons» publicados na Dinamarca.

    7 de Dezembro de 2005 – A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, lamenta, em mensagem dirigida à Conferência Islâmica, «declarações ou actos que revelem desrespeito pela religião de outros» e informa que os especialistas da ONU em racismo vão analisar o assunto.

    8 de Dezembro de 2005 – Na província indiana de Caxemira tem lugar uma greve, convocada por um grupo separatista, de protesto contra a publicação dos desenhos na Dinamarca.

    18 de Dezembro de 2005 – O Comité de Ministros do Conselho da Europa critica o Governo dinamarquês por invocar a liberdade de imprensa «para recusar tomar posição sobre os insultuosos ‘cartoons’ do Profeta Maomé». Na mesma mensagem é dito que cresce na Dinamarca o número de publicações xenófobas.

    23 de Dezembro de 2005 – Franco Frattini, vice-presidente da Comissão Europeia, classifica de «irreflectida e inapropriada» a decisão do «Jyllands Posten» de publicar os «cartoons», que podem «fazer crescer a islamofobia na Europa».

    27 de Dezembro de 2005 – A Organização da Educação, Ciência e Cultura Islâmica apela aos seus 51 países membros a que boicotem a Dinamarca devido à publicação dos «cartoons».

    29 de Dezembro de 2005 – Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 22 países da Liga Árabe manifestam-se descontentes com a forma como o chefe do Governo dinamarquês tem tratado o caso dos desenhos sobre Maomé e decidem que os secretários-gerais da organização, Amr Moussa, e da Conferência Islâmica, Ekmeleddin Ihsanoglu, vão discutir o assunto com o primeiro-ministro da Dinamarca.

    5 de Janeiro de 2006 – Depois de verem uma queixa indeferida pelo Ministério Público da Dinamarca, organizações muçulmanas dinamarquesas anunciam ir apresentar queixa contra o «Jyllands Posten» no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

    10 de Janeiro de 2006 – Um jornal católico norueguês «on-line», «Magazinet», solidariza-se com o periódico dinamarquês e republica os desenhos. O mesmo faz o «Dagbladet», na edição da internet.

    14 de Janeiro de 2006 – Em consequência de ameaças recebidas, o «Magazinet» decide retirar os «cartoons».

    30 de Janeiro de 2006 – O ministro norueguês dos Negócios Estrangeiros manda evacuar o pessoal voluntário na Faixa de Gaza e aconselha os nacionais a não viajarem para a Palestina devido às ameças da Jihad Islâmica pela publicação das caricaturas no «Magazinet».

    31 de Janeiro de 2006 – A redacção do «Jyllands Posten» em Copenhaga é evacuada depois de receber por telefone uma ameaça de bomba.

    1 de Fevereiro de 2006 – Os diários francês «France-Soir» e alemão «Die Welt» publicam as caricaturas «em defesa da liberdade de imprensa». Em Marrocos e na Tunísia a venda desta edição do «France-Soir» é impedida.

    O director do «Jyllands Postem» pede desculpa «pela ofensa causada a muitos muçulmanos» pela publicação dos «cartoons» quatro meses antes. Grupos muçulmanos recusam o pedido de desculpas, considerando-o ambíguo.

    Também o ministro norueguês dos Negócios Estrangeiros pede desculpa pela publicação dos desenhos no «Magazinet».

    2 de Fevereiro de 2006 – O jornal francês «Le Monde» publica um novo «cartoon» no qual o lápis de um desenhador traça a imagem de Maomé com base na frase «não devo desenhar Maomé». O director do «France-Soir» é demitido.

    3 de Fevereiro de 2006 – A imprensa espanhola e italiana junta-se à polémica. Em Espanha, tanto o «El País» como o «El Mundo» reproduzem os controversos «cartoons». Em Itália, os desenhos surgem no «Corriere de la Sera», no «La Repubblica», no «Libero» e no «Il Sole 24 Ore».

    O semanário jordano «Shihan» publica três dos «cartoons» dizendo que o faz «para mostrar a dimensão da ofensa dinamarquesa».

    Milhares de muçulmanos manifestam-se na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, contra a publicação dos «cartoons», que consideram «agressão» ao Islão.

    O Presidente afegão, Hamid Karzai, congratula-se com o despedimento do director do «France-Soir» e manifesta desejo de que o mesmo aconteça nos outros jornais que publiquem os desenhos.”

    Isto é, se seguir a evolução dos acontecimentos terá que concluir que foram completamente tapadas os recursos institucionais às organizações muçulmanas dinamarquesas: nem o Primeiro-Ministro os recebeu, nem o Ministério Público dinamarquês deferiu a sua queixa. Impedidos de recurso nacional e legal, viraram-se para a solidariedade internacional dos seus correligionários religiosos. Depois do incêndio se ter espalhado, já o Primeiro-Ministro os recebeu e já ouvi o MNE dinamarquês a dizer que o Tribunal é a sede própria para resolver a questão…mais vale tarde que nunca, apesar de tudo!

    Agora o que acho espantoso é depois de tudo o que aconteceu vir a Palmira ainda falar em “inócuas caricaturas”, vir, qual Condolezza Rice, cascar na Síria e no Irão (apesar de só em Beirute é que incendiaram igrejas, além das embaixadas, claro)…e vir “reduzir” a 13% as vozes na Dinamarca contrárias à EU, esquecendo-se que nas urnas, o povo dinamarquês rejeitou um tratado fundamental da União Europeia…

  10. A verdadeira jihad

    “Um muçulmano aceitar a publicação dos cartoons de Maomé, quando tal é impensável na sua civilização, só porque isso é perfeitamente normal na nossa, não seria uma demonstração de «um inaceitável relativismo moral»?”

    -Daniel Oliveira
    (quem mais? )

  11. Não se preocupe, Margarida. A “cruzada” da Europa não é militar. Para esse peditório já demos… a última vez foi em 1578 ali para os lados de Alcácer-Quibir… Trata-se de pelo, exemplo, persuasão e cooperação, exportar esse nosso “produto”. A Europa é o primeiro exportador mundial, mas o produto “paz” baseado no respeito do direito internacional é a nossa melhor marca…
    E sobre a nossa Pátria, olhe bem para o seu passaporte: Não tem lá, logo em cima, “União Europeia” ?

  12. Se o MST se lembrar de algum filósofo portuga mais importante no seu tempo do que o al gaharbio Averróis, leva já a bicicleta!
    Esquece-se também que a república em terras lusas chegou a ser implantada no século XI, pelos mouros, 9 séculos antes da civilização cristã evoluir até esse ponto http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%A3o_mu%C3%A7ulmana_da_Pen%C3%ADnsula_Ib%C3%A9rica (3º período). MST também se dizia “filho de atenas e roma” mas esquece-se que ninguém se lembrava da cultura greco-romana se não fossem os árabes a preservá-las durante séculos de barbarismo europeu. Antes de virem os mouros nem sabíamos regar os campos como deve ser. Foi a sua influência que tornou portugal, por uma vez na vida, uma nação importante no plano global.

  13. Euroliberal: você é dos tais que vê as letras pequenas, mas já não vê as grandes…é que em letras grandes está escrito “Portugal”.

    Fala em “pelo, exemplo, persuasão e cooperação, exportar esse nosso “produto”. A Europa é o primeiro exportador mundial, mas o produto “paz” baseado no respeito do direito internacional é a nossa melhor marca”. E eu a pensar nos soldados que a sua Europa&friends exportou para a Jugoslávia, o Afganistão, o Iraque, por exemplo…

    E presumo que também é a sua Europa quem desencadeou a ofensiva anti-comunista que se desenrolou no Conselho da Europa e que levou no dia 25 de Janeiro à aprovação (como escreve Carlos Nabais no Avante de 9/2/06) de “uma resolução mistificadora que associa o movimento comunista, os comunistas e a sua ideologia a uma série infindável de alegados “crimes” e “violações” dos direitos do homem só comparável com o horror do nazi-fascismo”. (http://www.avante.pt/noticia.asp?id=12916&area=19)

  14. No meio disto tudo, há duas ironias: os “cartoons” não mereceriam duas linhas, caso não tivesse havido todo este alarido;a reacção da “falange Ocidental”, padece do mesmo mal que aponta aos “fundamentalistas islâmicos”- cai em generalizações, confundindo actos de alguns, com características de todo um conjunto de povos.

  15. Margarida: repare também naquela bandeira azul que está em todos os edifícios públicos ou cerimónias oficiais ao lado da portuguesa. Ae não conseguir ver, então repare ao menos nos 3 milhões de euros que todos os dias entram no País por solidariedade federal da nossa Pátria Europeia…

    Os soldaddos europeus que foram para o Iraque e outros sítios foram mandados por caniches de Bush, por colaboracionistas europeus…

    Quanto aos crimes da comunada, são mais que conhecidos, são horríveis e já deviam ter levado uns bons milhares ao poste. Só o Ceausescu é que pagou…

  16. Há aqui algum erro de interpretação sobre o texto de MST: é certo que o que ele diz na frase citada é um disparate, ou, tratando-se de quem é, uma precipitação. Mas quem ler o artigo até ao fim vê que o autor por várias vezes fala dos reinos árabes da Península Ibérica como o apogeu da civilização da época. O objectivo é mesmo mostrar as diferenças entre o que era Granada e Córdova e no que se tornaram os seus descendentes. E já noutras alturas, MST tinha exaltado a cultura e a tolerância árabe na idade média, por isso, nada de tirar juízos precipitados.

  17. Afinal o liberal defende a “justiça sumária”, “tribunais ad-hoc”, ausência de garantias judiciais e a pena de morte! Já sabemos que é isto que estão a fazer (ou sub-contractatam outros para o fazerem) no Iraque, no Afganistão, em Guantánamo e noutras prisões da CIA espalhadas pelos mundo, e para vergonha nossa até na Europa!

    Já se começam a perceber algumas características do “produto “paz” baseado no respeito do direito internacional” que por aí em cima tentou vender. Já agora pode adiantar mais algumas para todos percebermos melhor que que fala quando fala de Europa?

  18. Certamente que o Daniel leu o artigo do MST do Expresso de hoje. Um artigo extenso e com o qual concordo. MST também foi dos que mais bateu em Bush e dos que mais se opôs à intervenção americana no Iraque quer na imprensa escrita quer na televisão. Nem sempre estou de acordo com o que escreve e sobretudo no que diz respeito ao futebol e no seu bairrismo exacerbado pelo seu Futebol Clube do Porto. Tem alguma legitimidade MST para escrever sobre a reacção desproporcionada dos fanáticos religiosos árabes. Se o Daniel leu o artigo, sabe que o MST começa-o precisamente com elogios à civilização árabe e muçulmana espelhada em Alhambra. O Daniel retirar uma frase do extenso artigo procurando anular-lhe todo o conteúdo, só pode levar ao engano a quem porventura não tenha lido o artigo todo.
    Podia por exemplo tirar esta parte em que diz (…) ” É verdade também que a rua é incendiada a mando da Síria, do Irão ou da Al-Qaeda, e que há sempre uns palestinianos desocupados para dispararem rajadas de metralhadora para o ar com a cara feroz e multidões em estado de histeria induzida, para queimar Embaixadas e bandeiras e ameaçar de morte todos os ocidentais à vista. É possível até que o grosso dos muçulmanos não pense assim, que não acredite numa leitura literal e medieval do Corão e que não se reveja na intolerância nem no terror em nome de Deus que o clero radical ensina nas escolas corânicas e prega nas mesquitas. Mas, se assim é, não os escutamos porque eles têm medo: o terror começa dentro dos seus próprios países e sociedades. O medo é a outra face de uma moeda chamada liberdade. Onde não há liberdade, há medo; onde há medo, não há liberdade.”
    Ou a seguir a parte mais importante e que ajuda a compreender melhor o que quis dizer MST com aquela frase que o Daniel colocou aqui isoladamente. (…) ” É justamente isso que hoje nos distingue do Islão: nós temos a liberdade, eles têm o medo – como sistema endémico de vida e como arma de arremesso contra «os infiéis». Pelo medo, eles conservam as suas ditaduras, oligárquicas ou teocráticas, e os seus modelos de sociedade onde não existe igualdade de direitos, liberdade de pensamento e de criação, liberdade religiosa, protecção contra os abusos do poder. Hoje, ao contrário do que sucedia em 1492, não conhecemos, em todo o mundo árabe, o nome de um cientista, músico, arquitecto, cineasta, explorador, atleta, enfim, alguém que faça sonhar ou avançar a humanidade. O mais que conhecemos são nomes de xeques milionários e fúteis, ditadores, pregadores do ódio ou terroristas. Os herdeiros da outrora brilhante civilização de Granada nada mais parecem ter para oferecer hoje do que a propaganda do ódio, da intolerância e do terror. É de novo o mesmo sinistro grito da Espanha católica fundamentalista e franquista: «Viva la muerte!» ”
    E também li o teu Choque e Pavor de hoje no Expresso. E entre dois homens que foram dos que mais se bateram contra a intervenção americana no Iraque, MST e DO, e que agora escrevem sobre os últimos acontecimentos nalguns países árabes por causa da revolta contra as caricaturas do Maomé, revejo-me no que escreve MST e já não estou de acordo com o Daniel quando agora anda à caça dos que se atrevem a criticar a atitude destes muçulmanos, que não serão a maioria, como se isso fosse incompatível para quem esteve contra a intervenção americana no Iraque e agora não pudesse dizer as verdades que têm que ser ditas.

  19. Muito obrigado, zmarco. O teu comentário foi muito esclarecedor – e também eu estou de acordo contigo. Mas nota que há que distinguir bem como se critica os muçulmanos.
    Tirando a parte da frase (mal) destacada pelo Daniel – que não deixa de ser muito infeliz -, o artigo, pelo que transcreves, parece-me muito bom, principalmente a parte do “medo” vs. “liberdade”. O Daniel com certeza pedirá desculpa pela distracção e corrigirá o texto.

    Já agora aproveito para chamar a atenção para um cientista e homem notável, Abdus Salam. (Haja quem o faça para os cineastas.) Para além de ter sido um dos melhores físicos teóricos de sempre, Salam preocupou-se com o desenvolvimento da Ciência no terceiro mundo, particularmente a física, tendo criado o ICTP em Trieste. Leiam http://nobelprize.org/physics/laureates/1979/salam-bio.html

    Destaco particularmente

    «Abdus Salam is known to be a devout Muslim, whose religion does not occupy a separate compartment of his life; it is inseparable from his work and family life. He once wrote: “The Holy Quran enjoins us to reflect on the verities of Allah’s created laws of nature; however, that our generation has been privileged to glimpse a part of His design is a bounty and a grace for which I render thanks with a humble heart.”»

  20. “de uma vaga ideia de appeasement? Já sabemos o que isso deu com Hitler e Staline: 50 milhões de morte overall.”

    Bom, appeasement com centenas de bases militares ocidentais espalhadas pelo Oriente e centenas de milhares de soldados. Curioso conceito de appeasement, esse…

    Isto faz-me pensar mais na Primeira, iam todos entusiastas, aos gritos e idealistas, a caminho da carnificina das trincheiras. Lembrar-se-iam em nome do que, 4 anos mais tarde?

    E ja’ agora: voluntarios, existem?

  21. Óh Daniel Oliveira, o senhor anda a fazer favores a quem???

    Como penso que é inteligente, não acredito que o senhor acredite naquilo que diz e escreve. Só um inimigo profundo da democracia o pode fazer.Ou é, simplesmente, para ser diferente, e ter os lugares na comunicação social assegurados?

    Deixo-lhe uma pegunta: era capaz de dizer essas demagogias perigosas a um filho?

  22. O Daniel Oliveira está de cabeça perdida, compreende-se. É duro assistir em 4 ou 5 dias a centenas de bloggers a gozarem com as suas contradições.
    Já agora Daniel, diga-me uma coisa, ainda a propósito do outro post mais abaixo sobre a capa do Independente. Quando, aonde e de que forma vimos alfuma coisa vindo da sua parte ou do seu partido em defesa das mulheres que são obrigadas a usar burkas ? Comparando à defesa das mulheres (e muito bem) que fazem por cá em Portugal a propósito do aborto ?

  23. Ibn Batuta, o maior viajante e explorador de todos os tempos era marroquino de Tânger… só não contaram parao o MST…

    “He is Abu Abdullah Mohamed, known as IBN BATUTA, the greatest of Muslim travelers, was born at Tangier in 1304. He entered on his travels at twenty-one (1325) and closed them in 1355. No other medieval traveler is known to have journeyed so extensively like Ibn Batuta did.

    In an attempt to rediscover the contributions of Muslims in fields such as science, medicine, engineering, architecture and astronomy, we will try to shed more light on the life and travellings of Ibn Batuta, the great Muslim traveler. This will encourage contemporary young Muslims to strive in these fields and not think that major success is beyond their reach.

    Ibn Batuta, one of the most remarkable travelers of all time, visited China sixty years after Marco Polo and in fact traveled 75,000 miles, much more than Marco Polo. Yet Batuta is never mentioned in geography books used in Muslim countries, let alone those in the West. Ibn Batuta’s contribution in geography is unquestionably as great as that of any geographer yet the accounts of his travels are not easily accessible except to the specialist. The omission of reference to Ibn Batuta’s contribution in geography books is not an isolated example. All great Muslims whether historians, doctors, astronomers, scientists or chemists suffer the same fate.”

  24. Mais uma calúnia desmentida. Os muçulmanos nada têm contra o cunnilingus e fellatio !

    Muslim jurists are of the opinion that it is lawful for the husband to perform cunnilingus on his wife, or a wife to perform the similar act for her husband (fellatio) and there is no wrong in doing so. But if sucking leads to releasing semen, then it is Makruh (blameworthy), but there is no decisive evidence (to forbid it).

  25. Sr. Daniel,
    Se o Sr. não fosse parvo, o que é que gostaria de ser? Se calhar jornalista no Irão, não? Oh homem, você parece uma barata tonta! Leia atentamente o excelente comentário mais acima de Zmarco de 11 de Fevereiro. Está na cara que você diz e faz muitos disparates. Vá de férias, homem, que você não está bem.

  26. Podem andar aqui e escrever o que quiserem no conforto das vossas casas ou escritorios, no anonimo por detras do vosso monitor ou dos pseudonimos usados, mas JPP tem razão, está uma guerra à porta e quando a mesma acontecer sempre quero ver de que lado pessoas como o escriba deste blog ficam.
    Tenha juizo homem, está à frente dos olhos de todos, se quer continuar a ser patetico o problema é seu.

  27. Quem é que nos países muçulmanos sabe quem é Miguel Sousa Tavares? Importar-se-á um cineasta egípcio ou iraquiano em procurar saber quantos imbecis escrevem parvoíces sobre o mundo onde vivem? Têm mais que fazer…

  28. Com menos palavras diz-se tudo:__ A quem foi que mais serviu o fanatismo religioso o obscurantismo e o atraso ( Politico , social e tecnológico ) de que hoje sofrem os países e povos muçulmanos ?__ A nós, aos países chamados democráticos ao ocidente, em suma ao capitalismo . Quem foi que impôs e apoio todas as ditaduras e monarco-ditaduras , em beneficio próprio ? . Fomos nós o ocidente os países democráticos ! Mas apenas e só para interesse do grande capital . Neste momento já nos está a ser apresentada a factura. E talvêz a tenhamos que pagar na totalidade .
    Mas com o tempo ainda nos vai aparecer a cobrança de uma outra factura . É aquela que nos vão exigir os povos do Leste Europeu , essa teremos que pagá-la também .
    Podemos esgrimir os orgumentos que entender-mos para defender os nossos ideais e pontos de vista , mas a história e a vida dos povos, faz-se das realidades , dos erros e das virtudes. Porque ; e por enquanto ainda ninguém consegue prever e controlar o futuro ( Manobrá-lo talvez) .
    Se assim não fosse o patrão Bush e os seus serventuários não se tinham metido em sarilhos .
    Quanto às caricaturas , sou pela liberdade de expressão, isto porque conheci no meu país a censura . Agora considero .__ Primeiro : No contexto politico actual, trata-se de uma provocação intencionalmente deliberada .__ Segundo: Não partiu de nenhum orgão de informação independente , este jornal é de extrema direita , portanto contém uma carga politíca e ideológica .
    Terceiro : Que se saiba o islão não é uma religião minoritária, ao que sei trata-se da segunda crença religiosa .
    Gostava de recomendar a todos os Senhores JPP,MST aos Vascos Zink´s e Rui´s Ratos ( Desculpem o trocadilho, mas no geral são todos o mesmo) que vão fazer acções de solidariedade para a porta da embaixada da Dinamarca , que se devem preocupar em princípio com os trabalhores deste país que são empurrados diáriamente para o desemprego .Com os cerca de dois milhões de Portugueses que já passam fome . Com os milhares de imigrantes roubados, excluidos sem qualquer regime de protecção. Que servem apenas como arma a patrões sem escrúpulos para nos fazerem vergar a nós . Qual é liberdade de expressão de que dispõem estas classes sociais ?. Onde e como podem exprimir as suas angústias e as injustiças de que são vitimas ? .
    Ainda estes Senhores se mostram preocupadissímos e acérrimos defensores da liberdade de expressão !.
    Esta é a liberdade para fazer bonecadas e provoções , nada mais !.
    Mistíco

  29. O Zidani, que encantou a todos na Copa do Mundo, derrotando quase que sozinho o Brasil e Portugal e de origem Árabe da Argélia.

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