Não se pode exterminá-los?

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O romancista húngaro Gyorgy Spiró alerta, nas páginas do Courrier Internacional, que se está a formar licenciados a mais e que a maior parte deles ficarão desempregados e sem perspectivas, e como tal serão presas do nacionalismo virulento. Para Spiró, esses licenciados “vão acabar por odiar o sistema. Pode ser que, em princípio, este caos a que chamam democracia parlamentar seja o melhor dos mundos. Eles, porém, não têm aqui lugar: historicamente, é assim. Resultado: vão tornar-se radicais.”. O húngaro não vê aparentemente nenhuma solução que passe por mudar o sistema, ele está é preocupado é com a possível instabilidade, até porque ele sabe o que os pobres estudantes ainda não descobriram: “Mais cedo ou mais tarde, vão dar-se conta de que não tiveram a sua oportunidade. Eu sei aquilo eu eles ainda não sabem: todas as revoluções foram feitas por intelectuais supérfluos. Eu estou apenas enervado. Eles, eles vão acabar por explodir.”
A posição do escritor coincide com as palavras do antigo administrador da Chrysler, Lee Iacocca, que quando visitou em 1993 a Argentina, disse numa conferência: “O problema do desemprego é um tema difícil. Hoje podemos fabricar o dobro de automóveis com a mesma quantidade de gente. Quando se fala em melhorar o nível da educação das pessoas, como solução para o desemprego, lembro-me sempre do que se passou na Alemanha: ai publicitou-se a educação como remédio do desemprego, e o resultado foi a frustração de centenas de milhares de profissionais, que foram empurrados para o socialismo e a rebelião. Custa-me dizê-lo, mas pergunto-me se não seria melhor que os desempregados actuem com lucidez e procurem trabalho directamente no McDonald’s.”

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