A alternativa Shakespeare

Eu até compreendo a raiva dos muçulmanos diante dos 12 cartoons injuriosos.
Mas näo compreendo, nem tolero, a sua resposta.
Bandeiras queimadas? Ataques a embaixadas? Embargos e ameaças de morte? Ódio generalizado ao ocidente, sem distinçöes? Eis a mais estúpida e apocalíptica das reacçöes, a meio caminho entre a loucura e a barbárie.
Se eu fosse um muçulmano indignado, deixava as pedras no chäo e citava Shakespeare.
Aquilo do Hamlet, sabem, sobre haver “algo de podre no reino da Dinamarca”?
Para além de ser mais elegante, era também mais verdadeiro. É que até pode haver algumas coisas “podres” lá para os lados de Copenhaga (os malfadados cartoons, por exemplo) mas o resto do país e os seus habitantes näo merecem levar por tabela.

16 thoughts on “A alternativa Shakespeare”

  1. A sede do Jyllands-Posten á bem longe de Copenhaga. É em AArhus, a capital do “countryside” dinamarques.

    Mas no essencial concordo com o post

  2. Zé Mário,

    Tem cuidado com as generalizações. Não foram ‘os’ muçulmanos que atacaram as embaixadas, da mesma maneira que não foram ‘os’ dinamarqueses que publicaram os cartoons. Foram grupos radicais muçulmanos que se manifestaram pela pulbicação dos cartoons num jornal dinamarquês.

    Isto não é uma diferença semântica menor.

  3. Muito bem escrito, apoiado !
    É pena é haver alguns bloguistas radicais esquerdistas que parecem não perceber isto, enfim…
    Como eu não tenho complexos nem de culpa nem de superioridade sobre outros povos, apenas subscrevo a Rititi…”ficaram chateados com os bonecos ? Que se fodam”.

  4. José Mário, eu discordo. Penso que no comentário não se devem misturar temas, ainda que um lembre o outro. Parece-me que o abstracto não deve ser confundido com o concreto.

  5. Na minha opinião a resposta adequada por parte dos árabes seria com cartoons satirizando, não os judeus(God it is always the joooos, já não se aguenta)mas sim os dinamarqueses,utilzar o tal fair play ocidental, mas os árabes(eu sei do que falo)são demasiado emocionais(é por isso que não sabem fazer política)e demasiado manipulaveis.Quanto a não confundir a parte pelo todo, era bom que aqui no ocidente por exemplo também não confundissem a casa de Al-Saud com os restantes habitantes da Arábia Saudita mas helas acontece…

  6. Subscrevo, inteiramente, o comentário de “nongoloza”. Afinal o post comete o mesmo erro, a mesma genralização que, pretenciosamente, critica (aos árabes).
    Além do mais (e tal como acontece em todos os sectores de actividade e profissionais) é bom não esquecer a forma como “O Ocidente”, as chamadas “democracias ocidentais” têm consentido em todo o tipo de crimes e chacinas abjectos praticados contra os árabes. Para além de lhes terem assacado a autoria dos atentados de 11 de Setembro, que foram executados pela CIA, dentro da América, por americanos, sem que “os árabes” tivessem algo a ver com o assunto. Depois temos também a questão palestiniana, que foi tão bem caracterizada neste blogue.
    Tudo isto para concluir que, quer se queira quer não, teoricamente, são os ocidentais, representados pelos seus governos “democraticamente eleitos” que têm “praticado” todos estes actos, ou consentido que se pratiquem, com a benção da ONU e das suas “instituições”. Ou seja, mais razão têm os árabes em assacar aos ocidentais todas estas suas desgraças (e são muitas) do que os ocidentais em assacar aos árabes os actos de vandalismo…
    Não gostam? Mas é mesmo assim! As democracias ocidentais são uma fraude e só por isso são possíveis estas aberrações? Isso é um problema que os ocidentais têm de resolver, se quiserem ter direito ao respeito dos outros povos. É em nosso nome que todas essas infâmias são praticadas…
    Aliás, é muito fácil, quer internamente quer na ONU, fazer inverter esta situação e eu já publiquei algumas propostas nesse sentido… O engraçado é que as pessoas ignoram, omitem-se, mas depois ficam muito “indignadas” por lhes serem assacadas as suas responsabilidades.
    Entretanto os instigadores de todas estas divergências e vandalismos e fundamentalismos, de ambos os lados, estão felizes com a sua eficiência em manipular papalvos que, covardes, se viram contra os mais fracos em vez de se assumirem e de assumirem as suas competências, impondo ordem à escumalha de facínoras que governa o Mundo…

  7. > -> Pedro Almeida, a diferença fundamental que tenho visto nos comentários dos “esquerdistas radicais” é que, concordando com o que o José Mário Silva diz, têm o cuidado de fazer a distinção que nogoloza fez. Omitir isso é desonesto. Já agora, as instituições que tenho solidarizarem-se mais com os muçulmanos, em particular com a sua indignação, são de vistas como de direita/conservadoras – comunicado da casa branca a solidarizar-se com a comunidade islâmica, e a pedir restrições à liberdade de imprensa, e reacções “igualmente enérgicas” contra a publicação de imagens que possam ofender o judaísmo e o cristianismo; o Vaticano a solidarizar-se e a dizer que “liberdade de expressão não deve permitir ofender credos e religiões”, etc. . Por fim, em Portugal, a manifestação a favor da liberdade de expressão e contra a indignação muçulmana, em solidariedade com a Dinamarca, é liderada pelo radical esquerdista Rui Zink. E esta?

  8. Se eu fosse muçulmano, depois de ler dezenas de análises, centenas de posts e milhares de bitaites acerca deste assunto dos cartoons, constatando que não há um unico que mencione qualquer aspecto positivo sobre o Islão de hoje – não sobre a Córdoba antiga, sobre as traduções, a álgebra, sobre o passado – repito, sobre o Islão de hoje, a que conclusão acham que chegaria?

  9. Condeno os ataques a embaixadas, as ameaças de morte e tudo o demais, mas não me espanta nada que, hoje em dia os muçulmanos olhem os ocidentais como o “inimigo”. Já não bastava invasões em países como o Afeganistão, Iraque, presença militar na Arábia Saudita, criação de um país no berço da sua religião ainda tínhamos que ir satirizar o que têm de mais sagrado. Digam-me uma coisa benéfica que a publicação dos cartoons tenha trazido? Eu ainda não encontrei nenhuma…

  10. Alguém daqui se lembra de um ameno fim de tarde no jardim de inverno do teatro são luiz, em que a mãe do senhor josé mário silva mandou calar o senhor pedro lomba aos gritos, afirmando que ele não tinha direito de dizer o que estava a dizer?
    sim, aconteceu! o senhor daniel oliveira estava mesmo ao lado do referido lomba e não tugiu nem mugiu e o senhor josé silva sorriu perante a maioria da sala que aplaudia a sua progenitora!
    o senhor pedro lomba estava a defender a política dos eua.

  11. Caro nongoloza:
    E’ o’obvio que os muçulmanos a que me referia sao os “grupos radicais muçulmanos”. Porque foram esses que se manifestaram com raiva.
    Mas fica feita a ressalva, para evitar mais equi’ivocos e confusoes.

    Quanto ao cavaleiro da imaculada, que tenha juizo, ja’ que manifestamente nao sabe do que esta’a a falar.

  12. Para todos os “Valupis”…

    Valupi, você em matéria de civilização árabe é um ignorante. Limita-se a reproduzir clichés vindos do gangue da Casa Branca, ou de meios gay ou feninista. Se você visse a Al Jazeera, veria o melhor canal de notícias do Mundo, com todas as vantagens tecnicas e de know-how de uma BBC, mais a efectiva independência e uma visão do mundo mais centrada. Aliás, a região do Golfo começa a ser o centro do mundo em muitos domínios. Se for a Abu Dhabi, Muscate, Quatar ou Bahrein verificará de imediato como as sua palavras são ridículas. Para não falar da nossa matriz árabe do Al Andaluz… Quanto à democracia árabe e islâmica (impedida pelos EUA e seus fantoches)ela vem aí e em força (já se viu na Turquia, Palestina e Irão), com o derrube nas urnas ou na rua de todas as ditaduras corruptas e satânicas dos fantoches pró-americanos. Em matéria religiosa, estão muito mais avançados que uma Europa que muitos se obstinam a empurrar para a decadência. Visite países árabes e depois fale…

    E, sobretudo, reparei que você não disse NADA sobre a actual agressão contra o Islão que já vitimou centenas de milhares e que começou em 1948 na Palestina… Não acha que isso é o essencial ? Que isso justifica protestos e violências cem vezes superiores às actuais ?

    Manifestar solidariedade com um gangue neo-nazi e xenófobo dinamarquês que reivindica a “liberdade” de insultar as crenças mais profundas de 1.500 milhões de muçulmanos é um acto NAZI….

    Querer “humilhar im Islão e pichar o Corão de sangue menstrual” não é “liberdade” nenhuma. Hitler também queria “humilhar os judeus”. É crime de blasfémia merecedor do castigo mais severo…

  13. Condenar ataques a embaixadas de países que albergam blasfemos e que não usam contra eles o arsenal legislativo que possuem (só blasfémias anti-judaicas são normalmente punidas…), ataques em que não morrreu ninguém, e NADA DIZER sobre a agressão brutal, em larga escala e totalmente à revelia do direito internacional que está a acontecer na Palestina e Iraque contra o mundo árabo-muçulmano é DESONESTIDADE INTELECTUAL, É REACCIONARISMO BUSHISTA, É RACISMO SIONISTA…

    Os muçulmanos reagem assim porque estes cartoons são um símbolo da demonização crescente no Ocidente contra o agredido e ocupado Islão. Essa demonização é parte integrante da guerra psicológica, funcionando como uma barragem de desinformação e ódio que prepara novos massacres (no Iraque só desde 2003 são já 150.000 os massacrados e vem este JMS protestar contra incêndios de duas embaixadas em que não morreu ninguém ?), e rapinas coloniais.

    É por isso que os muçulmanos reagem assim. Não podemos ver só a árvore e não ver a floresta. Não é só o pasquim blasfemo que está em causa. É a guerra de agressão, de que esses cartoonistas bushistas e nazi-sionistas são meros peões, contra um Islão demonizado. essa guerra dos bushistas ladrões de petróleo e dos nazi-sionistas ladrões de terras será ganha pelo Islão e os novos terroristas cruzados serão esmagados ! Allah u Akbar !

  14. O Aspirina B cheira mal !

    Está infiltrado por porcos nazi-sionistas que apelam ao massacre de muçulmanos, que acham que “humilhar o Islão”, isto é, 1500 milhões de pessoas, e “pichar de sangue menstrual o Corão” é exercício da “liberdade de expressão” !

    CORRAM COM ESTA ESCUMALHA DO ASPININA ! LIMPEZA GERAL, JÁ ! ASPIRINA stinks !

  15. “Tem raízes na filosofia grega, na tradição judaico-cristã, na civilização romana” diz o ignorante Valupi…

    Tem a certeza de que se não esqueceu de nada ?

    Então quem é que nos transmitiu a cultura greco-latina, base da nossa civilização ? Pois, foram os árabes. Foi através de traduções e comentários árabes que recebemos esse legado, sem o que seria perdido para sempre. De facto, durante mil anos, entre o crepúsculo romano e a alvorada do Renascimento, um período de trevas, qual foi a única civilização que brilhou intensamente e que assegurou a ligação entre o mundo antigo e a modernidade ? Exacto foi a civilização árabe, sobretudo a do Al Andaluz, único período da História em que a nossa Ibéria foi o centro cultural do Mundo. E vem agora este reles busho-sionista Valupi cuspir na sopa… Aquilo que somos hoje é fruto da civilização greco-latina-árabe. Mais nada.

    E em matéria de tolerância religiosa, os melhores mestres são os árabes que sempre tiveram ao longo dos séculos igrejas e sinagogas abertas nas suas cidades, que nunca tiveram pogroms anti-judaicos nem conversões forçadas e que acolhiam todos os judeus perseguidos na Europa pela “brilhante civilização europeia”, a tal que também fez o Gulague e o Holocausto e Hiroxima !

    Brilhante, este Valupi…não acerta uma…

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