Nas muralhas da cidade

«Oficialmente, neste como noutros casos, os responsáveis policiais optam quase sempre, por cá e em muitas outras policias mundiais, por fazer avançar a metáfora da maçã podre num cesto de fruta saudável. O caso isolado. Acontece que nos últimos anos assistimos a vários casos isolados com um padrão que, não sendo tão grave, se assemelha na forma de agir. No caso de Alfragide foi provada violência ilegal sob detidos em custódia; no caso Claúdia Simões na Amadora passou-se rapidamente de um caso de uso da força legítima e legal, no momento da detenção, para a violência ilegal enquanto a detida estava em custódia; no caso de Olhão, um imigrante foi espancado sob custódia, ainda algemado, tendo vindo a falecer num hospital em cuidados intensivos; no Alentejo, uma comunidade inteira de imigrantes, na sua maioria timorenses, foi espancada e explorada vivendo em condições de autêntica escravatura durante demasiado tempo por vários polícias da GNR e um outro da PSP.

Vamos elencar só estes para afastar desde já a assunção do caso isolado. No caso do Rato, os deputados ouviram, mas mais nada se passou. Nenhuma iniciativa parlamentar foi tomada, preferindo-se as trocas de bitaites casuísticos e de lugares-comuns.»


Violência policial nas esquadras da PSP, e agora?

2 thoughts on “Nas muralhas da cidade”

  1. Excelente análise do que está a acontecer, das suas causas e do que deve ser feito para impedir que se repita.
    (Já ouvi este senhor Carlos Bastos Leitão umas duas vezes na televisão e gostei)
    Depois de ler este seu excelente artigo, fui basculhar. Afinal, quem é o senhor Carlos Bastos Leitão?

    Um alto profissional das polícias, com formação superior.
    (Tive a paciência, e o gosto, de ler de novo o, repito, excelente escrito. Antes da mordidela)

    Por que nunca tentou implementar estes 13 “mecanismos de controle”, ou deles fazer campanha interna nas instâncias superiores? -Instâncias Superiores coim letra grande. Ou não referiu essas démarches por modéstia?

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