Dominguice

Em 2009, Lopes da Mota, então procurador-geral adjunto e presidente do Eurojust, perante uma cagada que se arrastava sem evolução chamada caso Freeport, e face à necessidade de coordenação com as autoridades inglesas envolvidas na investigação, pediu celeridade aos dois procuradores titulares do processo. Estes, especialmente por causa do ambiente político golpista em 2009, criaram um caso que explodiu sensacionalmente e foi explorado até ao tutano. Lopes da Mota acabou castigado com uma suspensão de 30 dias. O Freport viria a ser arquivado só quando se decidiu lançar a Operação Marquês, em 2012. Tomando esse episódio como referência, se a direita tivesse um Governo de maioria absoluta a cair por causa de um parágrafo feito a mielas entre uma procuradora-geral e um Presidente de esquerda, se visse um juiz a ser perseguido, espiado e ameaçado por ter resistido à pressão para linchar uma figura grada do PSD, e se estivesse na oposição quando se tornasse público o relatório do DCIAP conhecido há dias, haveria corte de estradas e distribuição de mocas de Rio Maior.

O Ministério Público não é apenas uma instituição que alberga criminosos entre os seus efectivos, é também uma entidade que permite acções criminosas que põem em causa a segurança de instituições, empresas e cidadãos. Um juiz autoriza uma escuta, e há juízes que autorizam tudo o que o Ministério Público pede, e depois deixa de haver controlo sobre a mesma. Entretanto, pessoal que não devia ter acesso a processos continua a poder escarafunchar à-vontadex. Até para quem só conheça o mundo através dos Livros da Anita esta realidade é desvairadamente grave, perigosa e totalitária.

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