Dominguice

A peça “Senhor Engenheiro” será, se não me falham as contas, a terceira tentativa de explorar comercialmente a Operação Marquês no campo da ficção. Já se fizeram duas séries televisivas, na RTP e na SIC, agora vem o teatro (caso alguém conheça outros exemplos, agradeço a correcção). Ouvindo o autor e o encenador na promoção da coisa, fica patente que são dois broncos. Donde, a única finalidade do seu projecto consiste em tentar atrair público que sinta o desejo irresistível de ir até ao Tivoli participar no bacanal do linchamento de um cidadão a quem se dá muita importância – um ser fascinante, sobrenatural, que desperta o ódio febril e a pulsão da morte.

O cavaquismo do BPN, o Portas dos submarinos e quejandos, a Troika do Passos, o BES da direita toda, os crimes dos procuradores e jornalistas, as injustiças dos juízes, o Ventura fascistóide, o Marcelo patareco, o Montenegro dos negócios em família e a violência de uma sociedade cúmplice com este rol de misérias não são material ficcionável. Não dão vontade de rir alarvemente, pois é só gente séria e portugueses de bem. Rir a bom rir é com um tipo que está há 12 anos na arena do coliseu.

27 thoughts on “Dominguice”

  1. Coitadinho, foi crucificado ao lado de Cristo, como Barrabás. Um cordeirinho pascal, um Trump divino português.
    Fazes boa parelha com a bronca assessora espiritual do Trump.

  2. Bem dito.
    E no entanto ela move-se.
    Ela, a IN-justiça.

    E VENHA O CABRITO ASSADO
    QUE O QUE SYRAH, SYRAH.

  3. A frase – bem dito- era em relação ao texto Valupi, mas também fica bem ao comentário YO.

  4. num contexto bíblico, sócrates representaria mais um cordeiro pascal oferecido em sacríficio aos deuses para que nos poupem à sua ira ou um bode expiatório lançado na natureza selvagem carregando todos os nossos pecados colectivos?
    não comam as filhoses que saíram mal

  5. Num contexto bíblico, o 44 é claramente o bode expiatório: o único corrupto de uma classe política que é “em geral séria”, que “tenta fazer o melhor”, e que temos de tolerar, pois, como os 45990 comentadeiros passam a vida a lembrar-nos, “não há democracia sem os partidos”.

    Tal como o Mamão Salgado era a maçã podre da banca, essa instituição “em geral séria”, que não vive de criar dinheiro do ar e de chular países inteiros, não senhor: precisamos dela como do ar, se calhar até mais, pois, como também nos lembram, “não há economia sem os bancos”.

    Então, para que tudo continue na mesma, calha bem haver estes dois culpados tão óbvios, um trafulha de carreira e o outro velho xexé (que azar, assim não pode ir preso!), enquanto o país suspira aliviado e outra vez “confiante nas instituições”, de rabo para o ar e vaselina aplicada.

    Neste contexto, peças como o “Senhor Engenheiro” são triste alegria: se por um lado expõem a podridão desta bandalheira em forma de país, por outro põem a carneirada a rir-se dela e normalizam-na ainda mais. Vemos o mesmo efeito no programa do RAP, esse mamão hipócrita.

  6. Muito mal vai o teatro fantoche. Esta gente dita atores, estão desfasados no tempo, é que, a inquisição, já foi há muito tempo, embora ainda apareça resquícios em cabeças sujas que vegetam por aí.

  7. Escrevi, ontem, isto:
    Estreou há dias um musical que pretende satirizar o calvário judicial que José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal, tem passado ao longo de mais de uma década. O calvário não é só de José Sócrates: é também da justiça portuguesa.
    O melhor povo do mundo, segundo os nossos presidentes da república (o último e o atual) está habituado a comer palha, pelo menos a maioria. E, quando se dá palha e se gosta de palha, come-se, por habituação, palha. E, desgraçadamente, habituamo-nos à palha, não querendo mesmo outra variedade alimentícia. Daí que os filões destes reis da comédia, numa linha que vem da antiga revista à portuguesa (à portuguesa, pois claro), passando pelo farolista La Féria e acabando em espertalhonas equipas criativas que alevantaram o musical “Sr. Engenheiro – alegadamente um musical” (os espertalhões têm nome: Henrique Dias e Rui Melo) passem, desavergonhadamente, por cima de alguém que está a ser, presentemente, julgado nos tribunais.
    O protagonista deste alegado musical chama-se Manuel Marques, um conhecido humorista português. Manuel Marques foi acusado pela filha (alegadamente com o anuência da mãe) de violência doméstica durante anos, segundo o que eu li. Não sei, obviamente, se as acusações da filha de Manuel Marques têm fundamento. Não me interessa. Tudo isto é alegadamente, como o subtítulo do musical.
    Seria interessante se os espertalhões Henrique Dias e Rui Melo pegassem nesta minha ideia: e se o próximo musical fosse sobre um pai, humorista de profissão, que, durante décadas, enganou tudo e todos na sua alegada bipolaridade de fazer rir e chorar?
    Prometo que, se levarem avante esta minha proposta, os meus honorários serão os mais reduzidos possíveis. Afinal, palha não deixa de ser palha: é barata.

  8. José.
    Subscrevo de cruz. Na mouche.
    Humorista este Manuel Marques?! E ele(marques) sabe o que isso, de humorismo, é…?

  9. Mas, esta “… violência de uma sociedade cúmplice com este rol de misérias…”, não corresponde aos seus “amanhãs que cantam”, Valupi?! Se bem me recordo, ainda há pouco tempo pregava a harmonia universal interclassista, como a forma mais genial de fazer política!! De se queixa, então? Seja consequente e procure entender “essa” gente!

  10. <<E, quando se dá palha e se gosta de palha, come-se, por habituação, palha.<<
    Devem estar a ficar enjoados, ou então deve ser da moda vegana, que querem voltar ao antigamente.
    A frase infra, atribuída a um emigrante, é de um comentário do WHALE PROJECT na ESTATUA DE SAL.

    “Em Portugal comíamos para ali umas couves, carne era uma vez por ano, ali tínhamos carne três vezes por semana, era melhor’.

  11. JA, muito bem. Lamento não ter conseguido ler o teu comentário antes ter publicado o texto que graciosa e misericordiosamente vieste comentar. Se o tivesse feito, jamais me atreveria a vir para aqui queixar-me e rebolar na inconsequência.

    Vou agora iniciar um processo sistemático e exaustivo para entender “essa” gente, como advogas com mestria.

  12. “O cavaquismo do BPN, o Portas dos submarinos […], a Troika do Passos, […] o Ventura fascistóide, o Marcelo patareco, o Montenegro dos negócios em família” – e ainda mais o Nuno Melo, o Gonçalo da Câmara Pereira e até o José Cid (!) – são imitados e gozados todos os dias, de segunda a sexta, na rádio pública, no programa “Portugalex” pelo mesmo Sr. Manuel Marques, com textos de uma Sr.ª Patrícia Castanheira (e sonoplastia de Tomás Anahory) – que, da esquerda, de facto, praticamente só gozam com o inevitável José Sócrates. Nada contra isso, não fora o facto de o fazerem com o dinheiro dos contribuintes, enquanto, no caso deste musical, é (supunho) com o dinheiro de quem quis investir, e de quem quer pagar o bilhete.

  13. para mim não é bode expiatório nenhum , os crimes que cometeu contra o povo português são bem concretos , com a sua arrogância e teimosia levou o país à bancarrota. e merece pagar por isso. a corrupção é assunto lateral , nem sequer é o mais importante.

  14. a yo, sempre tão desconfiada, aceita sem questão a narrativa dos globalistas acerca da crise das dividas soberanas. para além da incapacidade de perdoar ser muito extremamente pouco cristão, fica a dúvida acerca do que é que na verdade a incomoda mais, se o povo nas putas com o vinho verde, se o sócrates com os fatos armani em paris.

  15. não aceito , não . as crises são fabricadas e previsíveis no horizonte, como a que vem aí. igualinha a de 2008 . não aceito governantes como socrates ou montenegro que incapazes de tomar medidas correctas e que persistem no caminho pretendido pelos donos disto tudo.

  16. Mais uma manifestação do oportunismo e miséria ética-moral do que é o “génio” português de ser trafulha pedante, aldrabão intelectual; Portugal é um país recheado de talentos falhados, talentos patéticos, talentos corruptos, talentos de espertices, talentos do diz que faz e e não faz, talentos das promessas; Portugal é um país triste, sempre adiado, sempre falhado, sempre manobrado, sempre enganado; Portugal é um país pobre de bens, pobre de gente séria, pobre de conhecimento, pobre de mentalidade, pobre de tradições fortes; Portugal é um país de “achados”, acharam o mundo, acharam as especiarias, acharam o ouro, acharam o comércio; acharam a riqueza.
    Mas; Portugal desbaratou tudo; o invencível talento de falhados patéticos, oportunistas corruptos, talentos do amanhanso continuam de geração em geração enganando e sonegando o Portugal necessário, possível e com futuro.
    Cada vez mais, o “engodo” Sócrates serve aos senhores ricos da tradicional força de miserabilice crónica dos portugueses, é usado para disfarçar o saque monstruoso delas próprias e em benefício próprio. Com o saque a céu aberto (Valupi citou alguns casos), sempre ocultado à sombra, ora do sebastianismo, ora do miguelismo, ora do salazarismo e agora do “caso” Sócrates e cobardia do PS, os sempre-prontos a trabalhar para a ruína de Portugal em proveito próprio enriqueceram e, desse modo, poderem continuar aos comandos da opinião pública dando corda à dionisíaca imolação pública do “bode expiatório” socrático à portuguesa.
    Pobres de saber, pobres de espírito, pobres de carácter, ricos de saloismo, ricos de manha conseguem, ainda hoje, em plena crise energética, sobreviver à custa do legado “megalómano” de Sócrates; a sua aposta no saber e nas “eólicas” ditas “ventoinhas ” para os pobres de ser, nas novas barragens e remodelação das velhas, (a do Mondego, mais um “faraonismo” que ficou na gaveta até agora quando as cheias atuais demonstraram a sua necessidade urgente, ( serão capazes de a fazer?) na energia solar (para carregar isqueiros ” (segundo os Moita de Deus), a mobilidade eléctrica integrando carros, baterias e bombagem (aproveitamento das eólicas à noite) de retorno da água turbinada ou descarregada para, de novo, retornar à albufeira e ser, de novo, turbinada e produzir energia.
    Aliás, todos os projectos alinhavados como para fazer por este governo de patetas alegres e pobres de espírito ainda são os mesmos projectados por Sócrates, uns com financiamento aprovado e prontos a arrancar outros para os quais não descansava em busca de financiamentos.
    Um triunvirato de sombras reuniu Cavaco, Durão e Passos contra Portugal; e traíram os portugueses.

  17. uma coisa tão boa teve um resultado tão mau , José? bom teria sido que tivesse lido os sinais , todos aí , da crise que se avizinhava e tivesse elaborado um plano b amortecedor em vez de uma data de pcs.
    não era preciso grande inteligência para antever o quadro de endividamento , deslocalizações e perdas de emprego.

  18. Depois dos Governos de José Sócrates, nada de relevante foi feito em Portugal. Um pequeno exemplo: num momento em que há risco desabastecimento do combustível para aeronaves e se martela diariamente a ameaça das alterações climáticas, não há uma ligação Lisboa-Paris de comboio. A ligação Lisboa-Madrid requer 3 transbordos e demora mais de 15 horas. No período recente, o país não conheceu outro governante com semelhante visão de futuro e patriotismo. A perseguição que lhe foi movida é uma catástrofe em todos os sentidos. Aproveitar-se dela para lucrar com o seu escárnio e a zombaria é um acto canalha e desprezível.

  19. ó pá , isto é triste , ver pessoas a louvar o que poderia ter sido mas não foi. imaginam o homem capaz das mais extraordinárias façanhas apesar do parque escolar estar todo a meter água e de ter sido obreiro de uma banca rota. enfim , homens.
    um gajo disse um dia que para um homem amar eternamente uma mulher esta devia morrer ou ir para freira. acho que se aplica lindamente.

  20. Yo, não é o que poderia ter sido, é aquilo que foi mesmo. Grande parte das contribuições estruturais recentes na economia do país (a bateria do Tâmega, o túnel do Marão, a barragem de Alqueva, a fileira aeronáutica, a fileira das energias renováveis, escolas, tribunais, auto-estradas, a digitalização dos serviços, a requalificação da força de trabalho,… ) tem autoria nos governos de José Sócrates. Diga uma, UMA, contribuição relevante depois de então.

  21. Gigabateria do Tâmega é da iberdrola , foi feita pela iberdrola . às tantas todo o resto é também assim , ou projectos que já estavam na gaveta.
    escolas, tribunais, ? ? por amor da santa , gastou milhões em candeeiros que já estão fundidos há anos? tribunais ? os tribunas são do botas.

  22. «para mim não é bode expiatório nenhum, os crimes que cometeu contra o povo português são bem concretos, com a sua arrogância e teimosia levou o país à bancarrota»

    Uma coisa não exclui a outra, yo: o 44 é responsável pela bancarrota, pelo menos em parte, e pelas obras ruinosas e restante gestão danosa e mafiosa, mas é também usado como bode expiatório e único culpado por este regime podre, cuja podridão precede em muito o 44 e prossegue incólume. Interessa ao regime manter o holofote no 44 enquanto tudo o resto continua na mesma.

    Este controlo de danos é extensível ao Mamão Salgado, que teve de cair em desgraça para manter a graça do resto da máfia banqueira. Esta continua dona disto tudo, em rota tranquila para o próximo bailout, mas podemos dormir descansados porque a única maçã podre foi excluída.

    Isto não invalida a culpa dele ou do 44, dois mafiosos de primeira – ou melhor, o Salgado de primeira e o triste parolo de segunda, ou de terceira – mas são também alvos convenientes, porque tão evidentes, de uma partidocracia corrupta e a saque desde sempre, onde nada mudou.

  23. José Sócrates é culpado de ter operado a maior transformação estrutural do país desde a estabilização da democracia. O que criminalizaram, chamando-as de obras faraónicas, são hoje lacunas que atrasaram o desenvolvimento do país por décadas. Se Draghi tivesse entrado no BCE 2 anos antes, não estaríamos hoje na cauda da Europa no poder de compra dos cidadãos, nem a transferir milhares de milhões de euros todos os anos em dividendos para aqueles que compraram as empresas estratégicas do Estado ao preço da uva mijona. Só estaríamos piores na ignorância de viver num país infestado de crápulas e canalhas.

  24. <<Só estaríamos piores na ignorância de viver num país infestado de crápulas e canalhas.<<

    Como disse o outro
    Um país de bananas, governado por sacanas.

    Sacanas eleitos pelos primeiros, digo eu.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *