A 25 de Abril de 1986, faz hoje exactamente 20 anos, um programador holandês, Piet Beertema, teve uma ideia com futuro. O número de utentes de email (ainda não se chamava assim, a própria Internet como hoje a conhecemos estava por nascer) prometia superar os 25.000. Aí surgiriam problemas, já que o nome único de cada computador não podia exceder, no sistema, as sete letras ou algarismos. Foi quando o administrador Beertema decidiu juntar «.nl» ao nome da sua máquina. Os códigos do país estavam encontrados, e também o nosso «.pt» começava a existir. Mas ainda ninguém o sabia.
Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.
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Enfim, trinta e dois anos depois da Revolução que nos trouxe a liberdade e a democracia e um «blogue de esquerda» comemora assim esta data! É com enorme e profunda tristeza que o constato!
De PÚBLICO’s e DN’s já se esperava a incipiência, mas aqui?!
O Presidente da República que temos assenta-nos bem, a ele mais a hipocrisia que está subjacente aos discursos da «pobreza» e dos «excluídos». Palha, como a que aqui se vai encontrando!
Já agora um «25 de abril sempre!!!», assim um pouco a medo para não estragar a modernidade dos tempos.
Pá, eu tomava-te a sério. Mas era se não fosses anónimo.
Fernando Venâncio
ex-aspirante
desertor do exército colonial
23 de Março de 1970
Mais razão me dá para achar estranha essa forma de lembrar eo 25 de abril (velhice não é um posto). As lembranças, guardadas no baú, só as editoras se lembram para sacar os respectivos dividendos. Ninguém adivinha se não forem ditas e reditas.
E não sou «Pá» sou «Sr.Pá» porque não andei consigo à escola. Sou filho da Revolução e com gosto por sê-lo.
Também me parece estranho que o 25 de Abril não seja aqui assinalado.
Obrigado pela peça de humor, Fernando Venâncio. É, de longe, a história de non-sense mais idiota que li hoje. Parabéns e reincida, por favor, logo que lhe dê jeito.
Fernando, parabéns, o único post que escreveu no 25 de Abril é uma coisa linda. Para quem se diz de esquerda não está mau…
Sim, a invenção do “.nl” é uma coisa mesmo importante!
Alem de ser uma história tonta…não é verdade.
Portanto, uma infelicidade total.
Fernando…pelos vistos a “liberdade” que o a revolução nos trouxe impede-te de escrever o que te apetece (por mais insipido que seja)…tens, obrigatoriamente, de celebrar o “25 de Abril”…por isso faz-lhes a vontadinha…escreve lá qualquer coisinha sobre como a ditadura foi derrotada!
Ó “virtualidades” esse ter paternalismo cínico não cola. Se achas que a democracia e a “liberdade” (que pões entre aspas e muito bem) não é um dado conquistado para sempre. Mas como deves fazer parte da “elite” iluminada deste país achas que até é demais ensinar aos pobres de espírito o que foi a ditadura e o que significou o 25 de abril para muita gente (de certeza que para ti o de novembro será mais importante).
As elites, de resto, sempre foram excelentes neste país em criar rebanhos tão ou mais medíocres que elas próprias. O país quere-se pobrezinho mais honrado e de preferência desmemoriado.
Faz mesmo falta lembrar o 25 de abril.
Não se trata de obrigar ninguém a postar sobre o 25 de Abril, mas sim de estranhar a falta de uma evocação da data. Eu também estranho. “Virtualidades”, para além de incorrecto, foi desonesto na “argumentação”.
«Sr. Pá», RN, s., Alien8
Este não é um blogue comemorativo, não é um «blogue de esquerda», menos ainda o «Blogue de Esquerda» (só não queremos esquecê-lo a esse). Este é, se por acaso não tinham reparado, um modesto blogue. Que lhes agradece a visita. De resto, espero que, em 2007, em finais de Abril, ainda não estejamos comemorativos.
Carlos José Gouveia, Anonymous,
Lisonjeia-me (sou humano a esse ponto) que me imaginem a fonte da história. Limitei-me a tirá-la da imprensa holandesa. Não, ainda não foi desta que fui original.
…
Nao percebi o seu comentário. Não creio que lhe tenha dado parabéns pela originalidade. Até parece que se está a desculpar, homem. Nem pense nisso! É, realmente, a coisa mais interessante que já escreveu aqui, que importa de onde a copiou? Se puder continue, isso sim, que disto eu gosto.
Carlos José Gouveia,
Na «Fauna das Caixas de Comentários», JPP esqueceu-se dos desconversadores. É uma arte. Mas não abuse. Há muito espaço por aí, já viu?
Estou a ver que não nos vai querer obsequiar com mais textos neste registo. É a sua decisão e é uma pena, mas é a vida. Resta-me guardar muito bem guardadinha esta singular jóia para que, sempre que o nome de Fernando Venâncio vier à baila, tenha, contra todas as evidências, como demonstrar a lava criativa que lhe corre sob o teclado e que, por uma vez, teve a ousadia da superfície.
O .nl tem a ver com o uso de DNS (Domain Name Systems) que vêm desde o nascimento do protocolo TCP/IP, base da Internet.
Esta historia do .nl é um bocado…
Sr. Aspirante-Desertor ? Os meus sinceros respeitos!
:-)
Sr. aspirante a Anónimo,
Na realidade, o “.nl” não teve origem no início do DNS (em 1983). O primeiro ccTLD (country code Top Level Domain) nasceu apenas em 1985, sendo atribuído, claro está, aos EUA. Depois, ainda no mesmo ano, seguiram-se o “.uk” e “.il”.
Caros especialistas, mais Carlos José Gouveia, mais o Anonymous das 11.21 PM:
Eis o que acho na página do próprio PIET BEERTEMA (leia-se pit bêrtema), http://www.godfatherof.nl/index.html
«Long before this all, April 25, 1986, still in the “UUCP period” (in that time UUCP was the standard protocol for communication between Unix systems), CWI, in the person of undersigned, registered the NL top level domain, in the framework of its international and national networking activities. I managed .NL all on my own until 31 January 1996, when Boudewijn Nederkoorn of SURFnet, Ted Lindgreen of NLnet, and myself on behalf of CWI, set up a separate foundation, (Stichting Internet Domeinregistratie Nederland or SIDN), to take over the management of .NL.» Etc.
Fernando,
Quer isso dizer que o Dr. Beertema registou o ccTLD da Holanda na data em apreço. Mas antes já existiam alguns outros.
Luís,
Parece claro que os jornalistas (em que me fiei) fizeram a coisa mais heróica do que era. O que mais vezes fazem. E que apreciamos.
Fernando,
Olha que era tudo meio heróico na altura. Vê que os responsáveis pela atribuição de ccTLDs, incluindo os inventores do DNS, passavam a responsabilidade de gerir os domínios nacionais aos primeiros que lho pedissem, desde que dessem a ideia de serem gente “responsável”. Outros dias…
De qualquer forma, é obra bem meritória tratar “a solo” de um processo destes por tanto tempo.
Por outro lado, há muito a dizer sobre a história destes domínios nacionais…
O senhor Fernando Venâncio revela uma grande dificuldade para encontrar, e aceitar, a sua identidade. Um bocadinho de meio-termo talvez o ajude a sair do buraco: o prazer de tentar melhorar a vida com paciência e perseverança. Uma das facetas mais curiosas desta personalidade do Aspirina, é o seu masoquismo, que cheira a remendo de mau pagador. Os seus artigos têm sempre um tom de arruaça e provocação chocarreira, que reflecte o que tem sido a boçal prática dos blogues de esquerda.
Mais um trafulha. Este agora usa o nome de um rabino célebre. Um artigo no Público é pouco para o estudar desta fauna. Sugiro um mestrado.
E o Alexander Search acaba de (aqui ao lado) dizer o mesmo do Zé Mário. E não há-de um gajo ranger de ciúmes!?
Uma coisa é certa. Aqui chovem heterónimos.
É curioso, como sempre se espera algo de alguém, mesmo no reino dos blogues. Ou seja, era suposto que no 25 de Abril, FV necessariamente «postasse» algo alusivo e em determinada direcção… Curioso, mesmo…
P.S. - Tb registo a recuperação de velhas palavras, há muito remetidas para o baú das antiguidades, como o «trafulha»…
Os “Senhores do Aspirina” têm medo que lhes descubram o frágil domínio do saber, da qual resultam muitas das intuições erradas, às vezes adjectivamente, às vezes grosseiramente, às vezes com um aflitivo demasiado decoro. Se um dia, em breve, a “Censura do Venâncio” for levantada, como desejo, talvez possa voltar a este local para o discutir com muito maior pormenor que exige. Apague, mas com pouco sangue derramado!
Este Jacob Satanás, aliás Freddie Scappaticci, aliás Salomão Ruah, aliás Alexandre Search (mas se souberem mais, avisem), é curto de inventiva.
Podia supor-se que os «Senhores do Aspirina» mereciam uma indignação avassaladora, um desdém hediondo, um grande arrastão pelas cloacas do vocabulário. Mas só nos calham suavidades.
Não será algum juíz chanfrado, Fernando? Um juíz de direito, quero eu dizer?
Se quiser juntar ao rol um tal Sherko Fatah que hoje apareceu…
Sim, Clara, também já foi assinalado por aí. Um dia, JPP escreve «A Fauna II», e ele celebriza-se.